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Leandro Michels defende sinal de preço variável como saída para o impasse da geração distribuída no Brasil

Especialista da UFSM alerta no 360 Solar que o modelo atual da GD está saturado e que o país precisa adotar mecanismos de mercado e armazenamento para evitar sobrecarga no sistema elétrico.


Leandro Michels defende sinal de preço variável como saída para o impasse da geração distribuída no Brasil

Durante o 360 Solar, um dos principais encontros do setor de energia solar no Brasil, o pesquisador Leandro Michels, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), lançou um alerta importante: o modelo atual da geração distribuída (GD) no país atingiu seu limite.


Segundo Michels, o avanço da geração solar em telhados e pequenas usinas é positivo, mas o crescimento desordenado e sem mecanismos de controle trouxe riscos reais à estabilidade da rede elétrica brasileira. Ele defendeu a criação urgente de um novo marco regulatório, que incentive o armazenamento de energia e estabeleça sinais econômicos de preço variável, ajustados conforme o horário e a demanda do sistema.

“A geração distribuída cresceu muito, mas foi implantada sem controle de injeção e sem sinal econômico. Isso começa a sobrecarregar o sistema. Outros países já passaram por isso e criaram Operador de Diatribuição ou aplicaram preços dinâmicos, que indicam os horários adequados para injetar energia”, explicou Michels durante sua palestra.

Preço variável: o caminho inevitável

O especialista comparou o cenário brasileiro ao de regiões como a Califórnia (EUA), onde o preço da energia varia ao longo do dia conforme a disponibilidade e a demanda. O modelo, segundo ele, estimula o equilíbrio entre geração, consumo e armazenamento — tornando a rede mais estável e financeiramente sustentável.

“Nos horários de alta geração solar, o preço da injeção é baixo. Já no fim da tarde, quando há maior consumo e pouca geração, o valor sobe. Isso remunera melhor quem injeta energia armazenada e cria um ciclo virtuoso de investimento”, afirmou Michels.

Ele classificou o modelo de sinal de preço variável como uma medida inevitável para o Brasil, uma vez que o atual formato da GD não comporta mais expansão ilimitada.

“Gostemos ou não, esse é um caminho inevitável. O modelo atual chegou ao limite. Precisamos criar regras que valorizem os agentes que contribuem com a estabilidade do sistema, e não apenas expandir a geração sem controle”, reforçou.

Conflito entre geração centralizada e distribuída

Michels destacou ainda que a geração centralizada solar também vem sofrendo impactos diretos do crescimento desordenado da GD. A falta de controle sobre a energia injetada na rede tem levado a casos de curtailment cortes de geração em grandes usinas para evitar sobrecarga no sistema.

“Hoje já existe um conflito entre a geração centralizada e a distribuída. Ambas usam a mesma fonte, e a ausência de coordenação está prejudicando o equilíbrio da rede. Sem mudanças, poderemos chegar a um ponto em que novas conexões de GD sejam inviáveis sob risco de apagões”, alertou.

O pesquisador lembrou que o problema é agravado pela redução da carga elétrica nacional, consequência da queda na industrialização e do baixo crescimento do consumo. Com isso, há momentos em que o sistema tem excesso de geração e falta de demanda, especialmente nos finais de semana e feriados.


Nova lógica de mercado para a transição energética

Para Michels, a solução passa por adotar uma lógica de mercado baseada em oferta e demanda, que traga sinais econômicos claros para todos os agentes do setor elétrico. Esse modelo permitiria criar um ambiente de negócios mais competitivo, estimulando investimentos em armazenamento de energia e gestão inteligente da demanda.

“O preço da energia precisa refletir sua disponibilidade real. Assim, o consumidor pode decidir se quer pagar mais para ter energia em horário de pico, enquanto quem investe em armazenamento é recompensado. Esse modelo já funciona em vários países e reduz o custo global da energia”, concluiu Michels.

Sobre Leandro Michels

Leandro Michels é pesquisador e professor da área de energia solar fotovoltaica na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), vinculado ao Departamento de Processamento de Energia Elétrica.Especialista em gestão de operação e manutenção (O&M) de usinas solares, Michels é autor de diversos estudos sobre indicadores de desempenho técnico e financeiro do setor e participa ativamente de debates sobre inovação e regulação no mercado de energia renovável.


Conclusão: uma transição energética inteligente

O debate proposto por Michels reflete uma urgência técnica e econômica: sem ajustes estruturais, o modelo brasileiro de GD pode entrar em colapso.A adoção de preços variáveis, o incentivo ao armazenamento e o planejamento regulatório inteligente são, segundo o pesquisador, os pilares para sustentar a próxima fase da transição energética brasileira, garantindo segurança, eficiência e expansão contínua das fontes renováveis.


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