Gigantes solares chinesas enfrentam turbulência financeira em meio à guerra de preços e excesso de oferta global
- EnergyChannel Brasil

- 11 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Empresas como Longi, JinkoSolar e JA Solar registram perdas expressivas no terceiro trimestre de 2025, refletindo a pressão do mercado global e os desafios de rentabilidade na indústria fotovoltaica.

EnergyChannel
A indústria solar chinesa, que por anos foi sinônimo de crescimento acelerado e domínio global em produção de módulos fotovoltaicos, vive um momento de forte instabilidade. No terceiro trimestre de 2025, as principais fabricantes do setor – Longi Green Energy, JinkoSolar e JA Solar – apresentaram resultados negativos expressivos, revelando os efeitos da queda contínua nos preços e do excesso de oferta mundial.
Segundo dados financeiros divulgados pelas companhias e analisados pelo EnergyChannel, a combinação de margens comprimidas, desaceleração da demanda e estoques elevados tem pressionado fortemente o caixa das gigantes solares.
A Longi Green Energy, uma das maiores produtoras de wafers e módulos do mundo, registrou um prejuízo líquido de CNY 833,6 milhões (aproximadamente US$ 115 milhões) entre julho e setembro. O resultado marca uma virada drástica em relação ao ano anterior, quando havia reportado lucro, e reflete uma queda de quase 10% na receita, que totalizou CNY 18,1 bilhões no trimestre. No acumulado de 2025, o faturamento soma CNY 50,9 bilhões — recuo de 13% em relação ao mesmo período de 2024.
Apesar do cenário adverso, a Longi mantém alta capacidade operacional, com 63,4 GW em módulos e células embarcados no período, incluindo 14,5 GW da linha BC, que vem ganhando relevância com os modelos HPBC 2.0. A companhia encerrou o trimestre com CNY 51,3 bilhões em caixa, mas com passivos totais de CNY 96,1 bilhões, o que eleva a relação dívida/ativo a 62,4%.
A JinkoSolar, outra líder do setor, também enfrentou um trimestre desafiador, com prejuízo líquido de CNY 1,01 bilhão e queda de 34% na receita, que ficou em CNY 16,1 bilhões. Mesmo com o cenário desfavorável, a empresa segue otimista quanto às metas anuais, prevendo embarques de 85 a 90 GW em módulos e 6 GWh em sistemas de armazenamento até o final de 2025. As remessas do seu módulo tipo N Tiger Neo continuam impulsionando o portfólio, com mais de 200 GW entregues globalmente desde o lançamento.
A JA Solar teve desempenho semelhante, revertendo o lucro do ano anterior e registrando prejuízo de CNY 973 milhões no terceiro trimestre. A receita caiu 34%, somando CNY 12,9 bilhões, e as entregas atingiram 52 GW nos primeiros nove meses do ano, sendo 18 GW apenas no último trimestre. A companhia prevê fechar 2025 com entre 70 e 75 GW de módulos enviados, além de ampliar sua presença no segmento de armazenamento de energia.
O impacto da desaceleração também atingiu fornecedores estratégicos da cadeia solar. O Flat Glass Group, especializado em vidro para módulos fotovoltaicos, reportou receita trimestral de CNY 4,73 bilhões, com lucro de CNY 376 milhões – retração de mais de 50% no acumulado do ano. Já a Xinte Energy, produtora de polisilício e materiais básicos, apresentou prejuízo líquido de CNY 526 milhões e receita de CNY 11,6 bilhões nos nove primeiros meses de 2025.
Contexto global e análise de mercado
Especialistas ouvidos pelo EnergyChannel apontam que o cenário de “superprodução” na China vem se agravando desde o final de 2024, quando a capacidade instalada de fabricação ultrapassou em muito a demanda mundial. “A indústria fotovoltaica vive uma fase de consolidação inevitável”, analisa um executivo do setor. “Os preços caíram a níveis que muitas empresas simplesmente não conseguem sustentar sem comprometer as margens.”
A guerra de preços, iniciada entre os próprios fabricantes chineses, tem provocado uma redistribuição global da produção, com fábricas sendo desativadas e investimentos sendo redirecionados para tecnologias de maior eficiência, como células tipo N e módulos TOPCon.
Perspectivas para 2026
Embora os resultados de curto prazo revelem fragilidade, analistas acreditam que a pressão atual pode acelerar o amadurecimento do mercado. A expectativa é que, a partir de 2026, o setor passe por uma consolidação natural, com players mais robustos absorvendo empresas menores e focando em eficiência tecnológica e verticalização.
“O ajuste é doloroso, mas necessário”, afirma uma fonte próxima ao mercado chinês. “A demanda global por energia solar continua crescendo, e os próximos dois anos serão decisivos para determinar quem liderará a nova fase da indústria.”
Gigantes solares chinesas enfrentam turbulência financeira em meio à guerra de preços e excesso de oferta global










Comentários