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Fracasso do Etanol 2G expõe riscos e reforça valor da Simulação de Monte Carlo

Por Eng. Sebastião Carlos Martins *


Fracasso do Etanol 2G expõe riscos e reforça valor da Simulação de Monte Carlo
Fracasso do Etanol 2G expõe riscos e reforça valor da Simulação de Monte Carlo

Crise financeira e questionamentos sobre a viabilidade

A recente crise enfrentada pela Raízen colocou em xeque alguns de seus projetos mais ambiciosos. Com desinvestimentos de R$ 2,7 bilhões em apenas seis meses e uma dívida líquida de R$ 34,3 bilhões em março de 2025 quase 80% maior que no mesmo período do ano anterior a companhia acumula uma alavancagem de 3,2 vezes o EBITDA. Nesse cenário, investidores voltam suas atenções para a sustentabilidade econômica do etanol de segunda geração (2G), uma das principais apostas da empresa para a transição energética (ver vídeo Etanol 2G).


O Eng. Sebastião Carlos Martins apresenta, neste artigo, sua visão geral explicativa do “Por que artigos científicos na mídia não são suficientes para assegurar o sucesso de projetos sustentáveis”, tomando por referência seus Estudos de Viabilidade Econômica e Financeira para a implantação de uma Unidades de Tratamento Energético de Resíduos Sólidos Urbanos e biomassa.


Estudo revela inviabilidade sem incentivos fiscais

Um estudo elaborado pela DBEST PLAN analisou uma planta de etanol 2G com capacidade de 500 toneladas/dia de biomassa. Os resultados foram contundentes: sem as isenções de ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI, além do subsídio de R$ 1,72 por litro, o projeto apresentaria um Valor Presente Líquido (VPL) negativo de R$ –710 milhões.

Isso significa que, em condições de mercado realistas, a iniciativa se mostra inviável economicamente, dependendo quase integralmente de políticas de incentivo.


Simulação de Monte Carlo: realismo estatístico contra o otimismo excessivo

Para aprofundar a análise, a DBEST PLAN utilizou a Simulação de Monte Carlo, técnica estatística que gera milhares de cenários possíveis para avaliar o comportamento do projeto diante de variáveis incertas. No estudo, foram testados fatores como CAPEX, OPEX, produtividade, preços de venda e tributos.


A simulação apontou que a produtividade do etanol 2G foi a variável de maior impacto sobre a taxa interna de retorno (TIR), respondendo por +36,2%, seguida da receita do etanol (+32,8%) e do CAPEX (–25,7%).


Mesmo em um cenário ideal, com incentivos mantidos, a chance de sucesso era restrita: havia 95% de probabilidade de a TIR se situar entre 17% e 20%, com média de 18%. Ou seja, apenas condições altamente favoráveis sustentariam a viabilidade do negócio.


O preço da ausência de análises probabilísticas

Segundo o engenheiro Sebastião Carlos Martins, a falta de uma visão probabilística desde o início pode ter levado a Raízen a assumir riscos desnecessários. "Se a empresa ou os financiadores tivessem incorporado análises de Monte Carlo, poderiam ter mitigado o prejuízo, ajustando contratos, prevendo hedge cambial ou revendo o mix de produção", afirma.


A ausência dessa abordagem teria contribuído para ampliar a vulnerabilidade financeira da companhia em um momento de crise.


A metodologia como diferencial da DBEST PLAN

O estudo destaca a Simulação de Monte Carlo como ferramenta estratégica para investidores e financiadores, superando os métodos determinísticos tradicionais.Entre suas vantagens, estão:

  • Identificação das variáveis de maior impacto econômico;

  • Avaliação probabilística de cenários adversos;

  • Definição de estratégias mitigadoras embasadas;

  • Suporte sólido à tomada de decisão.

Ao integrar essa metodologia com análises de mercado, conjuntura geopolítica e matriz SWOT, a DBEST PLAN diferencia-se como parceira estratégica no setor de energia limpa.


O fracasso internacional do etanol 2G

O insucesso não é exclusividade brasileira. Diversos países enfrentaram obstáculos semelhantes ao tentar consolidar o etanol 2G em escala comercial.

 

SWOT: forças e fragilidades do etanol 2G

A análise probabilística foi complementada com uma matriz SWOT do projeto, que evidencia pontos críticos:

  • Forças: sustentabilidade da tecnologia, uso de resíduos agrícolas, alinhamento com políticas de descarbonização e possibilidade de geração de CBIOs.

  • Fraquezas: CAPEX e OPEX elevados, dependência de subsídios, complexidade operacional e sensibilidade a variações de preço e produtividade.

  • Oportunidades: expansão global do mercado de biocombustíveis, demanda crescente em aviação, acesso a financiamentos verdes e integração com SAF e hidrogênio verde.

  • Ameaças: queda no preço do etanol ou do petróleo, redução de incentivos fiscais, concorrência tecnológica e riscos climáticos e cambiais.


Comparativos com outras plantas e rotas produtivas

A DBEST PLAN também pesquisou outras iniciativas de etanol 2G no Brasil, tanto a partir de milho quanto de cana e seus resíduos, incluindo projetos da São Martinho, FS, Petrobahia, Grupo Potencial, Usina Verde, BioEthanol, AgroRenew e EcoFuel.

A comparação revelou que, embora diversos estudos reconheçam a importância de variáveis tecnológicas e de custos, o diferencial está no uso sistemático da análise probabilística de Monte Carlo, que confere maior precisão e confiabilidade às projeções.


Conclusão: lições para o futuro da transição energética

O fracasso ou, no mínimo, a fragilidade do projeto de etanol 2G da Raízen, sob condições de mercado menos favoráveis, revela um alerta: nenhum projeto inovador em energia limpa deveria ser avaliado sem a aplicação de Simulação de Monte Carlo.


A experiência reforça que, além da busca por incentivos e subsídios, o setor deve avançar para análises mais robustas, capazes de quantificar riscos e orientar estratégias práticas de mitigação.


Somente assim será possível garantir que investimentos estratégicos — de investidores privados, financiadores ou entes públicos sejam alocados com segurança, sustentabilidade e visão de longo prazo.


Se o Brasil quiser consolidar-se como líder em biocombustíveis avançados, será preciso combinar visão estratégica, políticas públicas consistentes e ferramentas robustas de análise de risco como a Monte Carlo para garantir a alocação segura de recursos.


CEO da DBEST PLAN – Engenharia e Tecnologia da InformaçãoE-Mail: scm.sistemas@gmai.comFone: (31) 99645-0801


Fracasso do Etanol 2G expõe riscos e reforça valor da Simulação de Monte Carlo

1 comentário

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Luis
15 de out. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente analise prof Sebastião Martins

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