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EnergyChannel Entrevista | 2026 começa com alerta no setor elétrico: tarifa branca, assinatura solar e riscos no Mercado Livre entram no radar

O ano de 2026 começou intenso para o setor elétrico brasileiro e estratégico para consumidores e empresas que desejam reduzir custos e aumentar segurança energética. Em entrevista ao jornalista Ricardo Honório, do EnergyChannel, a CEO da Donna Lamparina e fundadora do Grupo Lamparina, Silla Motta, analisou os principais movimentos do mercado: tarifa branca, alta nos preços, assinatura solar, riscos no Mercado Livre e o avanço das soluções de armazenamento.


EnergyChannel Entrevista | 2026 começa com alerta no setor elétrico: tarifa branca, assinatura solar e riscos no Mercado Livre entram no radar

Com 28 anos de atuação no setor, Silla trouxe uma leitura técnica e ao mesmo tempo pragmática sobre o momento energético do Brasil.


Tarifa branca: mudança de hábito e sinalização correta de preço


Silla participou, em Brasília, de um workshop sobre tarifa branca, dividido em três frentes: consultores, associações e formadores de opinião. O objetivo foi claro: traduzir o tecnicismo do setor elétrico para uma linguagem acessível ao consumidor.


A Tarifa Branca é uma modalidade tarifária da ANEEL que permite pagar valores diferentes pela energia elétrica dependendo do horário de consumo. Ela oferece energia mais barata fora do horário de pico (geralmente das 21h às 15h59) e mais cara no horário de maior demanda (final da tarde/início da noite), sendo ideal para quem consegue transferir o consumo para outros horários.


Hoje, entre aproximadamente 8h e 18h, o Brasil vive um cenário de excesso de geração, principalmente solar. É o período em que as usinas fotovoltaicas produzem com abundância, mas o consumo residencial é baixo, já que a maior parte das pessoas está fora de casa.


O problema ocorre no fim da tarde e à noite.


Entre 18h e 23h, o consumo dispara chuveiros elétricos, ar-condicionado, ferro de passar, máquinas de lavar enquanto a geração solar já caiu. Nesse horário, entram em operação fontes mais caras, como termelétricas.


A tarifa branca incentiva o deslocamento do consumo para horários de maior geração e menor custo. Segundo Silla, trata-se essencialmente de uma mudança comportamental.

“É como uma grande caixa d’água enchendo sem boia. Se não houver consumo quando há geração, o sistema pode entrar em colapso por excesso”, explica.

Ela destaca que nem todos conseguem alterar sua rotina, mas aqueles que podem devem considerar a programação de equipamentos por meio de tecnologias conectadas (IoT), aumentando eficiência e reduzindo custo.


Alta na conta de energia: o consumidor vai reagir

O aumento nas tarifas já foi anunciado e, segundo Silla, tende a pressionar ainda mais os orçamentos.


Historicamente, sempre que a conta sobe, o consumidor busca alternativas. Foi assim com o crescimento da geração distribuída.

Mas nem todos têm telhado disponível ou capital para investir em placas solares. É nesse ponto que entra a assinatura solar.


Assinatura solar: alternativa mais viável em 2026

A assinatura solar permite que consumidores utilizem energia gerada por usinas solares remotas, sem precisar instalar equipamentos.

Silla cita como referência de mercado a Thopen Energy, empresa com mais de 250 mil consumidores sob gestão.


O modelo funciona assim:

  • A empresa possui usinas solares em diversas cidades.

  • A energia gerada é injetada na rede da distribuidora.

  • O consumidor recebe créditos na conta.

  • Como a fonte é mais barata, há desconto real na fatura.


Qualquer consumidor com conta a partir de aproximadamente R$ 300 pode solicitar análise de viabilidade. A empresa verifica disponibilidade de usina na região e aplica o desconto.


Segundo Silla, neste momento de preços elevados no Mercado Livre, a assinatura solar no mercado regulado (cativo) é mais vantajosa.


Mercado Livre de Energia: economia estrutural, mas momento exige cautela

Empresas conectadas em alta tensão especialmente com demanda acima de 500 kW podem migrar para o Mercado Livre e negociar energia diretamente, obtendo economias históricas entre 30% e 40%.

Entretanto, o cenário atual não é favorável.

Sila aponta três fatores principais:


1. Operação conservadora do sistema

O operador trabalha com limite máximo de segurança energética. Se os reservatórios não atingem níveis adequados, os modelos de precificação ficam mais sensíveis e elevam os preços.


2. Bandeira verde e ano eleitoral

Mesmo com bandeira verde, o preço no Mercado Livre está alto. Segundo a executiva, o contexto eleitoral influencia decisões macroeconômicas, já que a energia impacta diretamente o IPCA.


3. Crise de confiança após defaults bilionários

Após um default de R$ 1,3 bilhão envolvendo a Gold e outro caso recente com cerca de R$ 1,1 bilhão, grandes geradoras passaram a restringir a venda de energia para comercializadoras independentes.

Isso cria um efeito de asfixia no mercado:

  • Geradores deixam de vender para tradings.

  • Comercializadoras têm dificuldade de comprar energia.

  • As próprias geradoras passam a vender diretamente ao consumidor final.


Segundo Silla, o setor vive a formação de uma nova onda de defaults, o que exige análise criteriosa de risco e governança tema acompanhado de perto pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).


Segurança energética: não depender de uma única fonte

Um dos principais alertas da entrevista foi a necessidade de diversificação.

Empresas que dependem exclusivamente da rede elétrica estão vulneráveis a interrupções, especialmente diante do aumento dos eventos climáticos extremos.

Interrupção significa:

  • Paralisação da produção

  • Atraso nas entregas

  • Espaço para concorrência

  • Prejuízo operacional


A recomendação é construir um portfólio energético mais robusto, combinando:

  • Assinatura solar

  • Mercado Livre (quando competitivo)

  • Baterias de armazenamento

  • Gás natural

  • Biogás e biometano

  • Hidrogênio verde

  • Veículos elétricos

O gás natural, segundo ela, deixou de ser apenas vetor de transição e passou a ser vetor de segurança energética.


Baterias: a tecnologia do momento

O armazenamento ganha protagonismo em 2026.

A lógica é simples:

  • Armazenar energia nos horários mais baratos.

  • Utilizar ou descarregar quando o preço estiver alto.

Essa flexibilidade reduz custos e aumenta estabilidade para empresas e até para o próprio sistema elétrico.


Grupo Lamparina: atuação estratégica no setor

À frente do Grupo Lamparina, Silla atua em cinco frentes principais:


1. Estruturação de comercializadoras e gestoras de energia

Desenvolvimento e organização de empresas para atuação no Mercado Livre.


2. Inteligência de mercado

Projeções de preço, clima, reservatórios, oferta e demanda.


3. ESG e Pacto Global da ONU

Apoio às empresas na conexão de suas estratégias aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.


4. Curadoria de eventos

Organização estratégica de conteúdo técnico e institucional.

Em 2025, o grupo trouxe ao Brasil o Strategy Manager da Octopus Energy, considerada uma das empresas mais disruptivas do setor global.


5. Mentoria executiva

Desenvolvimento de líderes, com foco comportamental e posicionamento estratégico.

Segundo Silla, muitos executivos são tecnicamente excelentes, mas carecem de maturidade comportamental e visibilidade estratégica um fator decisivo no avanço profissional.


Analogia com o mercado financeiro

Ricardo Honório fez uma comparação direta:

Permanecer apenas na energia da distribuidora local é como deixar dinheiro parado na poupança sem rendimento e corroído pela inflação.

Já quem adota soluções energéticas faz gestão ativa de portfólio.

Em 2026, segundo Silla, essa mentalidade é fundamental.


Conclusão: 2026 é ano de decisão estratégica

O cenário é claro:

  • Energia tende a subir.

  • Mercado Livre enfrenta volatilidade.

  • Assinatura solar se mostra alternativa mais segura no curto prazo.

  • Armazenamento e diversificação ganham relevância.

  • Segurança energética virou pauta central.


A mensagem final da executiva é objetiva:

“Foque no seu negócio e deixe a estratégia energética com especialistas.”

Para consumidores e empresas, o ano começa exigindo informação, análise de risco e decisão inteligente. O setor elétrico deixou de ser apenas custo tornou-se variável estratégica de competitividade.


E como ficou claro na entrevista ao EnergyChannel, quem entender isso primeiro sai na frente.


EnergyChannel Entrevista | 2026 começa com alerta no setor elétrico: tarifa branca, assinatura solar e riscos no Mercado Livre entram no radar

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