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CRISE DA GOLD ENERGIA EXPÕE FALHAS NO MERCADO E AUMENTA ALERTA SOBRE RISCOS DAS COMERCIALIZADORAS

Por Arthur Oliveira | Artigo de Opinião


O mercado livre de energia (ACL), que registrou a migração de 26 mil consumidores em 2024, expõe fragilidades cada vez mais graves. Muitas comercializadoras, inclusive ligadas a grandes bancos, inflacionam artificialmente o volume negociado com lastro financeiro insuficiente, derrubando preços e pressionando geradores colocando-os à beira da falência. Consumidores atraídos por contratos “milagrosamente” baratos acabam pagando a conta quando essas empresas quebram. É exatamente esse o pano de fundo que explica a crise da Gold Energia.


CRISE DA GOLD ENERGIA EXPÕE FALHAS NO MERCADO E AUMENTA ALERTA SOBRE RISCOS DAS COMERCIALIZADORAS
Créditos | ANEEL | CRISE DA GOLD ENERGIA EXPÕE FALHAS NO MERCADO E AUMENTA ALERTA SOBRE RISCOS DAS COMERCIALIZADORAS

A situação da empresa nas operações do mercado livre vinha sendo acompanhada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que deliberou pela operação balanceada da comercializadora em novembro do ano passado, após seu fator de alavancagem subir expressivamente pela posição descoberta em outubro de 2024 e ao longo de 2025. A degradação da situação financeira levou a Gold a descumprir contratos no mercado livre já nos últimos meses de 2024. Em março deste ano, o problema atingiu o mercado regulado, com descumprimento de contratos com a Cooperativa Regional de Distribuição de Energia do Litoral Norte (Copernort) e com a Cooperativa de Eletrificação da Região do Alto Paraíba (Cedrap).


Em maio, a inadimplência se estendeu para os Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEArs), firmados em leilões de energia existente com distribuidoras. Um dos pontos críticos foi a falha da comercializadora em aportar as garantias financeiras previstas na contabilização de maio. Esse descuido resultou em um custo de cerca de R$ 17 milhões, valor repassado às cooperativas e distribuidoras que estavam do outro lado dos contratos.


Foram diretamente afetadas as distribuidoras Enel São Paulo, Enel Ceará, Equatorial Pará, Equatorial Maranhão, Light, CPFL Jaguarí, Enel Rio, Equatorial Piauí, Energia Paraíba, EDP São Paulo e Energisa Rondônia. Como destacou o diretor da ANEEL, Fernando Mosna, “a diferença de custo pela compra da energia poderá significar impactos tarifários para cooperados e consumidores cativos das concessionárias, respectivamente”.


Para Mosna, a gravidade do caso não pode ser ignorada. Ele lembrou que a crise da Gold se soma a episódios recentes, como a recuperação judicial da 2W e o default superior a R$ 1 bilhão da própria Gold no mercado livre. Em sua fala, chegou a comparar a atuação da comercializadora com o “jogo do tigrinho”, criticando a postura de assumir riscos desmedidos e deixar a conta para os consumidores quando o castelo desmorona.


Diante de todos esses fatos, a ANEEL tomou a decisão de revogar a outorga da Gold Energia e autorizou a adoção de medidas para cobrar os prejuízos. A agência destacou que sua atuação nesse caso ganha ainda mais relevância pelo contexto de abertura do mercado livre, justamente em um momento em que a credibilidade e a segurança dos agentes precisam ser reforçadas para que situações como essa não voltem a se repetir.


A crise da Gold deixa claro que energia não surge do nada. Construir uma usina solar, eólica ou hidrelétrica exige bilhões em financiamento, juros altos e retorno garantido ao investidor. Quando comercializadoras operam com preços artificialmente baixos e sem garantias físicas robustas, criam desequilíbrios que corroem a confiança no setor e afastam capital produtivo. Sem preços justos, investidores desistem, e a expansão da oferta fica comprometida.


O episódio da Gold mostra que não se trata de um caso isolado, mas de um ciclo de instabilidade que ameaça todo o setor. Regular o mercado com firmeza, exigindo garantias físicas, certificados de origem e transparência nas transações, é essencial para evitar que novas crises prejudiquem consumidores e inviabilizem a expansão da geração no Brasil.


CRISE DA GOLD ENERGIA EXPÕE FALHAS NO MERCADO E AUMENTA ALERTA SOBRE RISCOS DAS COMERCIALIZADORAS

1 comentário

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Henrique Grael
10 de set. de 2025
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A punição da Gold pela ANEEL foi importante, mas expôs a fragilidade da regulação: na prática, tudo se resume a garantias financeiras, enquanto a exigência de garantia física não é devidamente rastreada. Isso permite que o mesmo MWh seja vendido várias vezes, criando risco de “bolhas” no mercado.

A solução está na certificação de origem da energia, que assegura rastreabilidade e impede dupla contagem. Iniciativas como a plataforma CCEE Origem, baseada em blockchain, e certificados voluntários (I-REC) já existem, mas ainda têm pouquíssima

adesão. Se a certificação se tornar obrigatória, complementará as garantias financeiras, trazendo mais transparência, lastro real e solidez ao mercado de energia.

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