Blockchain e inteligência artificial começam a redesenhar a cadeia de energia no Brasil
- EnergyChannel Brasil

- há 1 dia
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Debate no Rio Innovation Week reuniu especialistas dos setores de tecnologia, energia, óleo e gás e direito para discutir novas aplicações e os desafios regulatórios da transformação digital;
Tecnologias emergentes ganham espaço no setor energético, enquanto nova regulamentação abre caminho para tokenização, contratos inteligentes e gestão digital de ativos.
Brasil, 11 de agosto de 2026 - A combinação de blockchain, inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e outras tecnologias emergentes começa a avançar sobre a cadeia energética brasileira, criando novas possibilidades para gestão de ativos, rastreabilidade, contratos, créditos de energia e modelos de negócios. O movimento foi discutido durante a Rio Innovation Week 2026, no painel “Blockchain e IA na Cadeia da Matriz Energética Brasileira”.
A discussão foi mediada por João Carvalho, CEO e fundador da Mentors Energy Consulting, especialista em gestão de ativos e com mais de 30 anos de experiência no setor elétrico. O painel reuniu Magno Alves Cavalcante, Hélio Moraes e Alexandra Marinho Santiago, com diferentes perspectivas dos segmentos de tecnologia, energia, óleo e gás e direito.
Para Carvalho, a mudança regulatória representa um avanço importante para a incorporação de tecnologias digitais ao setor elétrico. “A Resolução 1.150 marca um avanço regulatório ao reconhecer blockchain, inteligência artificial, internet das coisas, medidores inteligentes e computação em nuvem como tecnologias capazes de criar novas soluções e modelos de negócio no setor elétrico”, afirma.

Segundo ele, o reconhecimento regulatório também cria espaço para aplicações que já vinham sendo discutidas pelo mercado, como tokenização de ativos, rastreamento da procedência da energia, automação de transações e contratos inteligentes. “A blockchain pode permitir registros mais seguros e transparentes, além de contratos inteligentes capazes de automatizar pagamentos, liquidações e compensações entre os agentes do mercado”, diz Carvalho. Sobre o tema, o executivo também destacou o potencial de plataformas descentralizadas, registros digitais e novas estruturas para gestão e governança de ativos.
Regulação acompanha avanço tecnológico
Um dos principais pontos do debate foi a Resolução Normativa nº 1.150 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), publicada em janeiro de 2026. A norma passou a reconhecer tecnologias emergentes como blockchain e inteligência artificial no ambiente regulado do setor elétrico, ampliando o espaço para o desenvolvimento de soluções digitais.
A mudança ocorre em um momento em que empresas do setor buscam novas formas de aumentar a eficiência operacional, reduzir custos e melhorar o controle sobre ativos e transações. A digitalização também abre possibilidades para maior rastreabilidade da energia, certificação de origem, automação de processos e criação de novos modelos de comercialização.

Para Carvalho, entretanto, o avanço tecnológico precisa estar acompanhado de critérios de maturidade, segurança e qualidade. A própria regulamentação estabelece requisitos para que as soluções adotadas pelas concessionárias apresentem maturidade tecnológica e segurança operacional.
O debate também abordou a tokenização, que pode transformar ativos e certificados relacionados à energia em representações digitais, e os chamados smart contracts, contratos programáveis capazes de executar automaticamente determinadas condições previamente estabelecidas.
Blockchain chega também ao mercado de energia renovável
A discussão não ficou restrita ao setor elétrico. Os participantes também analisaram os impactos da digitalização sobre a agenda de descarbonização, especialmente nos mercados de gás natural, biometano e combustíveis renováveis.
Entre os temas estiveram a Lei do Combustível do Futuro, de 2024, e seu decreto regulamentador, de 2025, além do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano.
Nesse contexto, o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) foi apresentado como uma ferramenta de rastreabilidade capaz de registrar digitalmente a origem renovável do combustível e ampliar a transparência das operações.
A digitalização da cadeia de energia tende, assim, a aproximar diferentes mercados. Eletricidade, gás natural, biometano, combustíveis renováveis e créditos ambientais passam a compartilhar uma infraestrutura cada vez mais baseada em dados, rastreabilidade e certificação digital.
Tecnologia exige nova agenda de governança
Para Carvalho, o avanço da blockchain no setor energético não deve ser analisado apenas pelo aspecto tecnológico. A adoção em escala depende também de segurança jurídica, governança e integração entre diferentes sistemas. “O desafio agora é aproximar inovação, regulação e os agentes do setor para construir um ambiente seguro, interoperável e transparente, capaz de acompanhar a velocidade da transformação tecnológica”, afirma.
A avaliação converge com a trajetória do executivo na área. Carvalho idealizou o 1º Fórum Brasileiro Blockchain em Energia, realizado em 2019, e participou de iniciativas voltadas à aplicação da tecnologia no setor energético nos anos seguintes.
O movimento indica que blockchain e inteligência artificial começam a deixar o campo das experiências isoladas para ocupar espaço nas discussões estratégicas do setor energético brasileiro. A combinação entre novas tecnologias e um ambiente regulatório mais aberto pode acelerar o desenvolvimento de modelos digitais de gestão, certificação e comercialização de energia.

Para um setor que passa por uma transformação marcada pela expansão das fontes renováveis, descentralização da geração e necessidade de maior flexibilidade, a digitalização dos ativos e das transações poderá se tornar uma das próximas fronteiras de eficiência e competitividade.
Blockchain e inteligência artificial começam a redesenhar a cadeia de energia no Brasil








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