ABREN participa de debate sobre o potencial do biogás, do biometano e de combustíveis sintéticos para atender mercado europeu em diálogo multissetorial no MDIC
- EnergyChannel Brasil

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Brasília, 11 de março de 2026 – A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) participou, na última sexta-feira, 06 de março, do II Diálogo Multissetorial: Brasil como Fornecedor Estratégico de Combustíveis Sintéticos Derivados de Resíduos para o Mercado Europeu, sediado no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF).

O evento foi organizado pela Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria (SEV) e pelo Departamento de Bioindústria e Insumos Estratégicos da Saúde (DEBIO), em cooperação com a GIZ – Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit, reunindo representantes do governo, associações setoriais, empresas e especialistas em bioenergia, biogás e combustíveis sustentáveis.
A ABREN foi representada por seu presidente-executivo, Yuri Schmitke, que apresentou dados sobre o potencial brasileiro de produção de biogás, biometano e combustíveis sintéticos a partir de resíduos urbanos, agroindustriais e industriais, destacando oportunidades de cooperação internacional e investimentos no setor, especialmente os que ocorreram no projeto European Union Climate Dialogues (EUCD), implementado em 2024 e 2025 e que trouxeram avanços significativos para o setor.
O encontro teve como objetivo promover um diálogo técnico e estratégico sobre o potencial de resíduos biogênicos e recursos renováveis do Brasil para a produção de combustíveis sintéticos e e-fuels voltados ao mercado internacional, especialmente a União Europeia. A iniciativa buscou consolidar estimativas de volumes de resíduos, composição de matérias-primas e oportunidades tecnológicas para posicionar o Brasil como fornecedor global de combustíveis sustentáveis derivados de biomassa e resíduos.
Durante o evento, foram apresentados números que demonstram o crescimento acelerado da bioenergia no Brasil. O setor de etanol de milho, representado pela União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), destacou que a produção brasileira de milho saltou de 82,57 milhões de toneladas para aproximadamente 140 milhões de toneladas nos últimos sete anos, criando novas rotas de biomassa para a produção de biocombustíveis e biogás.
Além disso, o país já conta com 27 biorrefinarias de etanol de milho em operação, 16 com autorização de construção e 14 projetos adicionais planejados, consolidando um parque industrial em rápida expansão.
Os dados apresentados indicam que a cadeia do etanol de milho também gera importantes subprodutos energéticos. A partir de 1.000 kg de milho processados, é possível produzir cerca de 440 litros de etanol, além de subprodutos como 212 kg de DDGS (proteína para ração), 19 kg de óleo de milho e cerca de 151 kWh de eletricidade, demonstrando o potencial de integração entre bioenergia, alimentos e combustíveis sustentáveis.
Outro destaque foi o crescimento do mercado de biogás e biometano no Brasil, apresentado como um dos pilares da transição energética. O país possui um potencial técnico estimado de aproximadamente 84,6 bilhões de Nm³ de biogás por ano, proveniente principalmente dos setores sucroenergético, agroindustrial e de resíduos orgânicos. Apesar desse enorme potencial, a produção efetiva ainda representa cerca de 5,6% desse total, com aproximadamente 4,7 bilhões de Nm³ por ano produzidos atualmente por 1.633 plantas de biogás registradas no país.
O panorama apresentado indicou que os principais substratos para produção de biogás incluem palha de cana, bagaço, vinhaça, resíduos agroindustriais e dejetos animais, que juntos representam grande parte do potencial nacional. Somente os setores sucroenergético e agroindustrial respondem por cerca de 92% do potencial total de biogás do Brasil, evidenciando o papel estratégico da agricultura e da agroindústria na transição energética.
Representantes do setor também destacaram que o Brasil possui um potencial ainda maior quando considerados todos os fluxos de resíduos orgânicos disponíveis. Estimativas indicam um potencial superior a 216 milhões de m³ de biogás por dia, distribuídos entre diferentes cadeias produtivas, incluindo 110,2 milhões de m³/dia provenientes do setor sucroenergético, 59,3 milhões de m³/dia da proteína animal, 34,9 milhões de m³/dia da produção agrícola e 11,5 milhões de m³/dia do saneamento.
Outro segmento relevante apresentado foi o da reciclagem de resíduos de origem animal, que representa uma importante fonte de carbono biogênico para combustíveis avançados.
O setor conta com 471 indústrias registradas no Brasil, processando mais de 13 milhões de toneladas de resíduos por ano, gerando matérias-primas energéticas como sebo e gorduras utilizadas na produção de biodiesel e combustíveis sustentáveis. Em 2025, o Brasil exportou 926.594 toneladas de produtos da reciclagem animal, movimentando aproximadamente US$ 770 milhões em exportações.
As discussões também abordaram o crescimento da demanda internacional por SAF – Sustainable Aviation Fuel e combustíveis sintéticos, impulsionada por políticas europeias como o ReFuelEU Aviation, que estabelece metas obrigatórias de uso crescente de combustíveis sustentáveis na aviação. As estimativas apresentadas indicam que a demanda por SAF na União Europeia poderá ultrapassar 100 milhões de toneladas até 2050, abrindo uma nova fronteira de mercado para combustíveis produzidos a partir de resíduos e carbono biogênico.
Nesse contexto, Schmitke destacou que “o Brasil possui vantagens competitivas únicas para liderar a produção de combustíveis sintéticos e biocombustíveis avançados. A combinação de abundância de biomassa, grande produção agrícola, disponibilidade de resíduos orgânicos e crescente capacidade industrial cria um ambiente favorável para investimentos em tecnologias como digestão anaeróbia, produção de biometano, síntese Fischer-Tropsch, rotas Alcohol-to-Jet e produção de e-SAF a partir de biogás e hidrogênio verde”.
Segundo o presidente da ABREN, a valorização energética de resíduos urbanos e agroindustriais pode transformar passivos ambientais em vetores estratégicos de descarbonização, além de gerar novas cadeias industriais e oportunidades de investimento. Ele destacou que a integração entre setores como saneamento, agroindústria, resíduos urbanos e bioenergia pode posicionar o Brasil como um dos principais fornecedores globais de combustíveis sustentáveis e produtos derivados de carbono renovável.
O debate concluiu que o país reúne condições para se tornar um hub internacional de combustíveis sustentáveis e combustíveis sintéticos baseados em resíduos, atraindo investimentos, promovendo a economia circular e contribuindo para a descarbonização de setores difíceis de eletrificar, como a aviação e o transporte pesado.
Sobre a ABREN:
A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) é uma entidade nacional, sem fins lucrativos, que tem como missão promover a interlocução entre a iniciativa privada e as instituições públicas, nas esferas nacional e internacional, e em todos os níveis governamentais. A ABREN representa empresas, consultores e fabricantes de equipamentos de recuperação energética, reciclagem e logística reversa de resíduos sólidos, com o objetivo de promover estudos, pesquisas, eventos e buscar por soluções legais e regulatórias para o desenvolvimento de uma indústria sustentável e integrada de tratamento de resíduos sólidos no Brasil.
A ABREN integra o Global Waste to Energy Research and Technology Council (Global WtERT), instituição de tecnologia e pesquisa proeminente que atua em diversos países, com sede na cidade de Nova York, Estados Unidos, tendo por objetivo promover as melhores práticas de gestão de resíduos por meio da recuperação energética e da reciclagem. O Presidente Executivo da ABREN, Yuri Schmitke, é o atual Vice-Presidente LATAM do Global WtERT e Presidente do WtERT – Brasil. Conheça mais detalhes sobre a ABREN acessando o site, Linkedin, Facebook, Instagram e YouTube da associação.
ABREN participa de debate sobre o potencial do biogás, do biometano e de combustíveis sintéticos para atender mercado europeu em diálogo multissetorial no MDIC








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