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Abertura Total do Mercado Livre de Energia: o que muda, como será feita e quando começa

Por Silla Motta


O setor elétrico brasileiro está às portas de uma mudança histórica. A proposta de modernização do modelo elétrico apresentada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) à Casa Civil em abril de 2025 busca abrir de forma total o mercado livre de energia até o final de 2027. Com isso, todos os consumidores — inclusive residenciais — poderão escolher livremente de quem comprar energia elétrica, rompendo com um modelo de monopólio da distribuição que vigora há décadas.


Abertura Total do Mercado Livre de Energia: o que muda, como será feita e quando começa
Abertura Total do Mercado Livre de Energia: o que muda, como será feita e quando começa

Mas o que está de fato sendo proposto? A abertura dependerá de uma nova lei? O que já mudou e o que ainda está por vir? Quais os impactos para a população e os desafios do setor? Neste artigo, trago as respostas com base nos dados mais atualizados e nas discussões em andamento.


O que está sendo proposto?

A proposta entregue pelo ministro Alexandre Silveira à Casa Civil traz quatro grandes frentes de transformação para o setor:


1. Abertura Total do Mercado Livre de Energia

  • A medida mais emblemática é a liberação da escolha do fornecedor de energia para todos os consumidores, inclusive os de baixa tensão, como residências, pequenos comércios e serviços.

  • A previsão do MME é que essa abertura comece a ser implementada no final de 2026, de forma escalonada e regulada.


2. Revisão dos subsídios setoriais (CDE)

  • A proposta visa redistribuir encargos de forma mais justa, eliminando subsídios cruzados que penalizam os consumidores cativos.

  • Estima-se que a conta de luz possa ser reduzida em até 10%, com a revisão dos subsídios e a injeção de novos recursos.


3. Ampliação da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE)

  • O consumo isento de pagamento para beneficiários da tarifa social será ampliado de 50 para 80 kWh/mês, beneficiando cerca de 20 milhões de famílias.

  • A medida busca combater a pobreza energética e reduzir inadimplência.


4. Criação de um fundo com recursos do pré-sal

  • Parte dos lucros obtidos pela União com a comercialização do petróleo (PPSA) será destinada à modicidade tarifária, aliviando o peso da energia no orçamento das famílias brasileiras.


Abertura depende de uma nova lei?

Sim. A abertura total do mercado será formalizada por meio de um Projeto de Lei (PL) que está sendo elaborado pelo governo federal. O texto, ainda sob análise da Casa Civil e da Advocacia-Geral da União (AGU), deve ser encaminhado ao Congresso Nacional ainda no primeiro semestre de 2025.


O modelo proposto prevê uma transição regulada, com regras claras de migração, proteção aos consumidores vulneráveis e estímulo à digitalização do setor. A Aneel, a CCEE e o ONS serão responsáveis pela regulamentação e operacionalização da abertura, após a aprovação legislativa.


O que já mudou até agora?

Desde 1º de janeiro de 2024, todos os consumidores do Grupo A (média e alta tensão) já podem migrar para o mercado livre de energia. E desde então, o mercado já foi ampliado para incluir consumidores com demanda contratada inferior a 500 kW, por meio da figura dos comercializadores varejistas.


Esse modelo tem permitido que pequenos negócios, como padarias, lojas e pequenas indústrias, acessem energia mais barata e limpa sem precisar arcar com a complexidade burocrática da migração direta.


Segundo dados da CCEE e da Abraceel, mais de 36 mil unidades consumidoras aderiram ao mercado livre com demanda inferior a 500 kW até o final de 2024 — e 95% delas migraram por meio de comercializadores varejistas.


Como será a abertura total do mercado?

A proposta prevê que o novo modelo entre em vigor de forma escalonada a partir de 2026, com regras que garantam equilíbrio entre a liberdade de escolha, segurança energética e justiça tarifária. Veja o que se espera:


  1. 1.Fase 1 (2026–2028): Abertura para consumidores do Grupo B com maiores volumes de consumo (pequenos comércios, por exemplo).

  2. 2.Fase 2 (até 2030): Abertura gradual para consumidores residenciais e microempresas.

  3. 3.Fase 3: Operacionalização completa, com ampla atuação de comercializadores varejistas, medição inteligente e ferramentas digitais de gestão de consumo.



Quais os benefícios esperados?

  • Mais liberdade de escolha: o consumidor poderá negociar preço, origem (renovável ou não), condições de fornecimento.

  • Redução de tarifas: com mais concorrência e fim dos subsídios cruzados, espera-se uma economia de até R$ 35 bilhões por ano.

  • Estímulo à inovação: maior competitividade impulsiona o uso de tecnologias como medição inteligente, armazenamento e resposta à demanda.

  • Descarbonização: consumidores poderão contratar energia 100% renovável, acelerando a transição energética.


E os desafios?

  • Educação do consumidor: será necessário ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento do mercado livre.

  • Regulação eficaz: a abertura precisa ser bem regulada para proteger consumidores vulneráveis e garantir estabilidade do sistema.

  • Capacidade de atendimento: comercializadores e distribuidores precisarão se adaptar a um novo papel no setor.

  • Segurança energética: a liberalização não pode comprometer a confiabilidade do suprimento.


Conclusão

A abertura total do mercado livre de energia é um passo decisivo rumo à modernização do setor elétrico brasileiro. Se bem conduzida, pode tornar a energia mais barata, limpa e acessível para todos os brasileiros. A proposta do MME representa uma nova era de liberdade de escolha, justiça tarifária e inovação.

Cabe agora ao Congresso Nacional, às agências reguladoras e aos agentes do setor trabalharem juntos para que essa transformação aconteça com responsabilidade, planejamento e foco no consumidor final.


Abertura Total do Mercado Livre de Energia: o que muda, como será feita e quando começa


9 comentários

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Silla Motta
Silla Motta
12 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Grata pela interação de vocês. Um abraço.

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Fabiana Garcia
12 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

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Silla Motta
Silla Motta
12 de mai. de 2025
Respondendo a

Gratidão❣️

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Pedro
12 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Silla, também tenho essa dúvida como ficará o mercado para nós que vendemos gerados fotovoltaicos, isso pode prejudicar a intenção de cada um gerar sua própria energia ou não?

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Silla Motta
Silla Motta
12 de mai. de 2025
Respondendo a

Olá, Pedro. Grata pela interação. A geração própria de energia continua crescendo no mundo todo, é um caminho sem volta. Assim como nos países desenvolvidos as tecnologias são utilizadas de forma complementar. Inclusive o setor fotovoltaico está começando a integrar as soluções de armazenamento aos sistemas de geração e os integradores estão se desenvolvendo na gestão energética.

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Lucas
12 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Bom dia a todos, ótimo conteúdo, parabéns Silla, gostaria de perguntar como fica as pequenas empresas e pequenos consumidores quando falamos de geração distribuída e cad aum poder optar por gerar sua energia por conta própria, isso ainda continua sendo a melhor opção? O Mercaod livreseria mais indicado para quem não pode investir ou gerar sua própria energia?

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Silla Motta
Silla Motta
12 de mai. de 2025
Respondendo a

Oi, Lucas. Grata pela sua interação. O Mercado Livre de Energia será mais uma opção para os Clientes, que de acordo com o perfil de consumo terão a oportunidade de escolher o que for mais atrativo pra eles. Nos países energeticamente mais desenvolvidos, a Geração Distribuída e o Mercado Livre de Energia são complementares.

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Flávia
12 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Muito bom Silla, ótimo conteúdo

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Silla Motta
Silla Motta
12 de mai. de 2025
Respondendo a

Grata pela sua participação, Flávia. Seja sempre muito bem-vinda.


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