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A nova corrida pelo petróleo na América do Sul ameaça travar a transição energética e reabrir feridas antigas

Enquanto Brasil, Guiana e Argentina ampliam a exploração de combustíveis fósseis, o continente corre o risco de repetir erros do passado e atrasar o avanço das energias limpas.


A nova corrida pelo petróleo na América do Sul ameaça travar a transição energética e reabrir feridas antigas
A nova corrida pelo petróleo na América do Sul ameaça travar a transição energética e reabrir feridas antigas

EnergyChannel | Reportagem Especial


Sob as águas turvas da foz do Rio Amazonas, uma disputa silenciosa entre natureza e ambição energética começa a tomar forma. A mesma região onde cientistas descobriram um raro recife de corais de águas profundas um ecossistema com mais de 9 mil quilômetros quadrados agora desperta o interesse das gigantes do petróleo. O governo brasileiro autorizou novas licenças para perfuração na costa norte, reacendendo o debate sobre o custo ambiental e econômico de insistir em uma matriz fóssil no século XXI.


A descoberta de grandes reservas petrolíferas na América do Sul reacendeu o apetite global por combustíveis fósseis em uma região que, paradoxalmente, tem um dos maiores potenciais do mundo para energias renováveis. Na Guiana, empresas internacionais já produzem mais de 650 mil barris de petróleo por dia, após uma descoberta histórica em 2015. A rápida expansão transformou o pequeno país em um novo polo do petróleo mundial e no maior produtor per capita do planeta.


Mais ao sul, a Argentina vive um fenômeno semelhante. O campo de Vaca Muerta, um dos maiores depósitos de xisto do mundo, colocou o país na rota dos grandes produtores globais. Analistas preveem que a produção argentina ultrapassará 1 milhão de barris diários até 2030, um marco que pode reequilibrar as contas públicas, mas também reforçar a dependência de combustíveis fósseis.


Os riscos de um crescimento fóssil em um mundo em transição


Especialistas alertam que a nova corrida pelo petróleo na América do Sul pode gerar ganhos econômicos imediatos, mas tende a custar caro no longo prazo. “Investir em ativos fósseis hoje é correr contra a maré da transição energética global”, explica um analista ouvido pelo EnergyChannel. “O mundo caminha para uma economia de baixo carbono, e insistir em petróleo significa correr o risco de criar ativos encalhados projetos que perdem valor antes mesmo de recuperar o investimento.”


Além das questões econômicas, há o impacto ambiental. A exploração de petróleo em áreas sensíveis, como a foz do Amazonas, ameaça ecossistemas ainda pouco estudados e coloca em xeque compromissos climáticos assumidos por países da região. Enquanto isso, o avanço das fontes renováveis como solar, eólica e hidrogênio verde pode ser retardado pela priorização de investimentos em combustíveis fósseis.


Lições do passado: a corrupção e o peso do petróleo


A história recente do Brasil serve como alerta. Durante o boom do pré-sal, a estatal Petrobras se tornou símbolo do poder energético sul-americano e também de um dos maiores escândalos de corrupção da história. Bilhões de dólares foram desviados de contratos superfaturados, em um esquema que envolveu executivos, empreiteiras e políticos de alto escalão.


O episódio expôs um dos riscos mais críticos da dependência do petróleo: a vulnerabilidade de sistemas públicos e privados à corrupção e à má gestão. Ao contrário das energias renováveis, que tendem a ser mais descentralizadas e transparentes, o setor fóssil concentra poder e recursos em poucos atores uma combinação perigosa para democracias frágeis.


O desafio: crescer sem retroceder

A América do Sul vive um dilema. De um lado, a oportunidade de gerar riqueza rápida com a exportação de petróleo; de outro, a urgência de se posicionar como líder da economia verde global. Países como o Chile e o Uruguai já mostram que é possível trilhar um caminho alternativo, com investimentos maciços em energia solar e eólica.


No entanto, se Brasil, Argentina e Guiana optarem por repetir o modelo fóssil de desenvolvimento, correm o risco de comprometer não apenas o meio ambiente, mas também o futuro de suas economias em um mundo que acelera rumo à descarbonização.


Conclusão:

A nova fronteira petrolífera da América do Sul revela o choque entre duas eras: a do combustível fóssil e a da energia limpa. O continente tem nas mãos os recursos naturais e tecnológicos para liderar a transição energética global mas essa liderança exigirá coragem política, visão de longo prazo e a disposição de aprender com os erros do passado.


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