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- Edificações podem economizar, em média, 30% de energia com medidas simples de automação predial e eficiência energética
A integração de sensores e sistema de gestão predial nas edificações, entre outros mecanismos de eficiência energética, têm no Brasil um potencial de economia de 87TWh, ou 14% do consumo de eletricidade do país. Essa economia, caso realizada, permitiria que US$ 44 bilhões de investimentos fossem evitados. O tema foi discutido durante o Congresso Edificações do Futuro e Expo (CEFX), hoje, em São Paulo, no Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP). Edificações podem economizar, em média, 30% de energia com medidas simples de automação predial e eficiência energética São Paulo, 3 de dezembro de 2025 - Ainda que US$ 424 bilhões sejam necessários até 2050 para que as edificações no Brasil sejam verdes e inteligentes, obtendo economias com energia entre 20% e 40%, esse investimento se pagaria entre 2 a 5 anos. E garantiria um potencial de economia de 14% do consumo de eletricidade do país, ou 87TWh. O tema foi discutido hoje durante a abertura do Congresso Edificações do Futuro e Expo (CEFX), realizado hoje em São Paulo, no Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo. “O país, segundo o IBGE, possui hoje, perto de 107 milhões de edificações, as quais respondem por 47% do consumo de eletricidade”, afirmou Juliana Ulian, CEO da GHM Solutions, organizadora do evento. “Nesse momento pós COP30, em que se discute a descarbonização das economias, se apenas automatizássemos os prédios e adotássemos sistemas de gestão predial, entre outros mecanismos de eficiência energética, seria possível reduzirmos em 40% as emissões de gás de efeito estufa”, complementou. Victor Moura, especialista da GHM Solutions, apresentou o estudo lançado, durante o CEFX, “Green & Smart Buildings no Brasil: Cenário das edificações sustentáveis e inteligentes: contribuições da automação predial e iluminação ”. Segundo ele, o potencial de economia da automação predial e da eficiência energética nas edificações se traduz em 16,5 GW evitados anualmente, ou o equivalente à geração de 1,2 Itaipus. “Isso representa, ainda, 4,7 milhões de toneladas de CO2 evitadas, levando-se em conta premissas conservadoras nesses cálculos”, frisou. Sistema econômico sustentável Ildo Luíz Sauer, vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP) chamou a atenção para o consumo mundial de energia, hoje na casa dos 620 exajoules (ou 620 quintilhões – 10 à 18ª. potência) de joules. “Mais do que nunca, com o reconhecimento das crises climáticas, voltamos à questão da gestão da energia”. “Precisamos retornar à ciência básica e a um sistema econômico sustentável”, defendeu. A resposta, segundo José Roberto Muratori, do Instituto de Automação/Prédio Eficiente, está na necessidade de se integrar as várias tecnologias para se chegar à máxima eficiência. Entre elas, a gestão corporativa, com gêmeos digitais, dashboards, alarmes e analytics da supervisão dos sistemas, controles programáveis para a iluminação e climatização, assim como sensores. “A automação predial, contudo, não é algo estático”, alertou: “é preciso revisar diariamente os sistemas, baseando-nos em dados, sem “achismos”, acompanhando o desempenho real de equipamentos.” De acordo com o consultor e projetista de automação residencial e predial, não basta às edificações uma automação passiva. “Ela deve ser ativa, capaz de tomar decisões automaticamente, com inteligência”, conclui Muratori. Economias comprovadas Os resultados com automação predial e eficiência energética podem ser medidos na prática. Luciano Rosito, diretor geral da B.E.G.Brail, ressaltou que já se é possível obter reduções de 70% de economia de energia com uma infraestrutura de dados sem comprometer o nível de conforto dos ambientes das edificações. Ele apresentou um estudo de caso de um galpão de logística, com tecnologia DALI, baseada em sensores instalados a 16 metros de altura, num sistema de 560 luminárias, com economia de 58%. Para Marcos Martins Poli, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), no entanto, não bastam produtos de eficiência energética para resolver o desafio energético. “Temos que começar por um bom projeto”. Para ele, é importante se maximizar os recursos de energia disponíveis nas edificações. “E temos métricas para avaliar se esses prédios estão, efetivamente, gerando o bem-estar que queremos”, afirma. Na mesma linha, Adriano Cotrim Pita, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, reforça: “não existe edifício inteligente sem projeto inteligente, e isso significa uma edificação que leve em consideração o meio ambiente e seu uso.” Já, segundo Lucia Abadia, conselheira da Associação Mulheres em Energia há um aspecto importante para quem investe em edificações a ser considerado: “A parcela de pagamento do imóvel um dia acaba. Mas a taxa de manutenção é permanente. Precisamos evoluir na consciência da sustentabilidade, com economia de energia ao longo do tempo”, concluiu Lucia, ao final do painel. Participaram, ainda, da abertura do CEFX, Claudio Violato, presidente do Fórum Brasileiro de IoT e Gustavo Reis, vice-presidente da Associação Paulista de Municípios (APM) e Cesar Massaro, coordenador do Centro de Edificações Inovativas da Universidade de São Paulo, lançado neste evento. Para baixar o estudo Green & Smart Buildings no Brasil, clique aqui: https://we.tl/t-9YQSITvOBe Sobre a GHM Solutions: A GHM Solutions é uma empresa de Pesquisa e MarComm para o Setor de Energia. Também realiza o CPIIC – Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro voltado ao tema iluminação pública como ativo estratégico e porta para cidades inteligentes. Sobre o IEE-USP: O Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) é uma unidade de pesquisa e ensino dedicada ao estudo e desenvolvimento de soluções para questões relacionadas à energia e ao meio ambiente, com foco na sustentabilidade. Edificações podem economizar, em média, 30% de energia com medidas simples de automação predial e eficiência energética
- Descarbonização de produtores de insumos para construção é fundamental para o país avançar na transição energética nas edificações
País precisa também avançar na parametrização dos insumos para possibilitar isonomia competitiva entre fornecedores de matérias primas. Temas foram debatidos no painel Pós-COP: Transição Energética Brasileira e o papel das edificações, durante Congresso Edificações do Futuro 2025 – CEFX 2025. Descarbonização de produtores de insumos para construção é fundamental para o país avançar na transição energética nas edificações São Paulo, 4 de dezembro de 2025 – A redução das emissões de gases de efeito estufa nos processos construtivos depende, em grande parte, de mudanças na produção de insumos de difícil descarbonização, como aço, cimento, cerâmica, madeira, transporte e logística. É importante também que o país avance na definição de parâmetros confiáveis no processo produtivo dos vários insumos utilizados nas construções, como blocos, tintas, materiais elétricos entre vários outros, para garantir a isonomia entre os fornecedores. Esses foram pontos destacados durante o painel Pós-COP: Transição Energética Brasileira e o papel das edificações, do Congresso Edificações do Futuro 2025 – CEFX 2025, que ocorreu nesta quarta-feira, 3, em São Paulo, evento promovido pela GHM Solutions no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP). ‘Não é no processo construtivo em si que está a origem das emissões mais representativas do setor de edificações, mas é na produção dos insumos que encontramos os responsáveis pelo “carbono embutido’ nas construções. Então temos de olhar e atuar nos setores que fornecem insumos para as construções e são setores de difícil descarbonização”, pontuou Carla da Costa Lopes Achão, superintendente de Estudos Econômicos e Energéticos da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) do Ministério das Minas e Energia (MME). De acordo com Carla, o setor da construção civil representa cerca de 1/3 das emissões globais de CO2. Para ela, a descarbonização de importantes segmentos do setor, como produção de cimento, siderurgia, química entre outros passa pela substituição do uso de combustíveis fósseis por gás natural, biometano ou energia elétrica, além do uso de geração distribuída e da implantação de processos de captura, armazenamento e uso do carbono. “Isso passa por uma discussão ampla da qual devem participar órgãos governamentais e a iniciativa privada, na definição de métricas baseadas em dados científicos confiáveis, na busca de alternativas para esses setores e também por linhas de financiamento e apoio à inovação”, complementou a superintendente de Estudos Econômicos e Energéticos da EPE. De acordo com Carla, na COP30 o Brasil, uma vez mais, se destacou por ser um dos líderes mundiais na transição energética, que para nós começou há mais de sessenta anos com a priorização da construção de hidroelétricas, uso de carvão vegetal e o programa do álcool combustível. “Como nossa matriz energética, comparada com imensa maioria dos países é limpa, há questionamentos sobre a necessidade de avançarmos mais com a descarbonização e uso de energias renováveis. Precisamos avançar porque a crise climática já é uma realidade e não podemos abrir mão da responsabilidade de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance”, disse. Fornecedores e conformidade Para Orestes Marracini Gonçalves, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), que também participou do painel, a descarbornização das edificações passa pela definição de conformidades nos processos produtivos dos insumos, que viabiliza a isonomia entre fornecedores. “Por vezes temos insumos que, na sua produção, atendem critérios de baixa emissão de carbono, mas apresentam durabilidade bem menor. Isso causa problemas de isonomia entre fornecedores. É preciso avançarmos na definição de certos critérios e conformidades desses materiais para evitarmos esse tipo de problema, principalmente na escolha dos fornecedores para o setor público”, disse. De acordo com Gonçalves, a disponibilização de dados e critérios que possibilitem a parametrização e definição de conformidades de insumos para as edificações tem sido uma das áreas de maior atuação do CBCS. “A entidade foi fundada em 2007 por um grupo de especialistas de diversas universidades, que atuam em sistemas interdisciplinares da construção desde os anos 1980. O Conselho agrega representantes com notório saber de setores como indústria, produção, governo e academia”, destacou. O presidente da CBCS disse ainda que um dos grandes desafios é fazer com que as informações sobre as alternativas para descarbonização, e para reduzir o consumo energético durante a vida útil das edificações, cheguem a todos os envolvidos no processo de construção e gestão desses equipamentos. “Temos muitas tecnologias, mas a dificuldade é mudar a cultura. Precisamos avançar num roadmap para o setor, com informações acessíveis sobre descarbonização e eficiência energética, para orientar desde quem decide pela construção, até para quem vai gerir o prédio no dia a dia”, disse Gonçalves. Sidac e 6 passos O presidente da CBCS informou também sobre a disponibilidade de sistemas de informações facilitam a atuação do setor no processo de descarbonização das construções. Entre elas, ele destacou o CBCS 6 passos, sistema que facilita a escolha de fornecedores, considerando o enfoque na responsabilidade social e ambiental, a partir de critérios como licença ambiental e conformidades fiscal, técnica e trabalhista nas construções ( cbcs6passos.org.br ). Outro serviço destacado foi o Sistema de Informação do Desempenho Ambiental da Construção (Sidac), que permite calcular indicadores de desempenho ambiental de produtos de construção, com base em dados brasileiros e nos conceitos da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). O Sidac ( sidac.org.br ) foi desenvolvido tecnicamente pelo CBCS a partir de um convênio como Ministério das Minas e Energia. O Sidac auxilia profissionais na declaração de desempenho ambiental de produtos, na seleção de fornecedores com base em indicadores ambientais, no apoio a decisões de projeto e na elaboração de estratégias para redução do carbono incorporado em edificações entre outros pontos. “Trata-se de um trabalho muito importante, constituído sobre bases científicas densas e consistentes. É um material de apoio muito relevante para avançarmos nas construções de baixo carbono”, afirmou Gonçalves. O deputado Edson Giriboni, da Coordenação da Frente Parlamentar em Prol da Transição Energética, pontuou a liderança do estado de São Paulo tanto na geração distribuída de energia solar como no uso de biomassa. Essas experiências, acredita ele, são uma referência nacional em Transição Energética. O papel das edificações Juliana Ulian, CEO da GHM Solutions e organizadora do CEFX, enfatizou que 40% das emissões são da construção civil. Segundo ela, este é um ponto importante, chegando mesmo a ser um desafio. A executiva, também responsável pelo estudo Green & Smart Buildings no Brasil: contribuições da automação predial e iluminação inteligente, lançado durante o CEFX, afirma que “A construção do futuro deixa de ser apenas um consumidor, com produção própria de energia, armazenamento e a agregação de tecnologias integradas para uma melhor eficiência energética e de operação baseada em dados. Ele passa a ser agente da transição e da matriz energética”, argumentou. O CEFX reuniu em seus diversos painéis diversas autoridades. Myrthes Marcele F. Santos, do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), por sua vez, defendeu do painel “ Políticas Públicas Para Edificações Sustentáveis e Smart Building ” que também as construtoras têm de ser ouvidas nos processos decisórios sobre temas relativos à descarbonização das edificações. Nesse debate participaram, ainda, Alexandra Maciel, coordenadora de Eficiência Energética de Edificações do Ministério de Minas e Energia; Jair Camponeze, diretor do Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) do Estado de São Paulo; e Mohana Barros, da Associação Brasileira dos Arquitetos de Iluminação (AsBai). Sobre a GHM Solutions : A GHM Solutions é uma empresa de Pesquisa e MarComm para o Setor de Energia. Também realiza o CPIIC – Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro voltado ao tema iluminação pública como ativo estratégico e porta para cidades inteligentes. Sobre o IEE-USP : O Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) é uma unidade de pesquisa e ensino dedicada ao estudo e desenvolvimento de soluções para questões relacionadas à energia e ao meio ambiente, com foco na sustentabilidade. Descarbonização de produtores de insumos para construção é fundamental para o país avançar na transição energética nas edificações
- Iluminação Pública Ganha Nova Geração de Inteligência: Ubicquia Lança Soluções com IA e Gestão Avançada de Infraestrutura
A transformação digital do setor de iluminação pública acaba de dar um salto significativo. A Ubicquia anunciou uma ampliação estratégica do seu ecossistema de tecnologias inteligentes, introduzindo novos dispositivos, aprimoramentos de plataforma e recursos de análise que reposicionam o poste de luz como um ativo urbano multifuncional. Iluminação Pública Ganha Nova Geração de Inteligência: Ubicquia Lança Soluções com IA e Gestão Avançada de Infraestrutura Entre os destaques está o UbiCell , um microcontrolador compacto de nova geração que otimiza o controle remoto da iluminação pública, ampliando a confiabilidade das redes e reduzindo custos operacionais para cidades e concessionárias. O dispositivo chega ao mercado como parte de um movimento global de modernização da infraestrutura urbana, impulsionado pela necessidade de eficiência energética e automação. Plataformas mais robustas para gestão urbana em tempo real A empresa também apresentou evoluções importantes nas plataformas UbiVu e UbiScout , que agora passam a oferecer monitoramento mais preciso, análise avançada de dados e suporte para tomadas de decisão baseadas em inteligência artificial. Com o UbiVu, gestores públicos podem visualizar a performance de toda a malha de iluminação, identificar falhas, ajustar perfis de luminosidade e acompanhar indicadores de consumo. Já o UbiScout reforça o papel da infraestrutura instalada como ponto de coleta de dados urbanos, ampliando a capacidade de mapeamento, manutenção e planejamento. Essas plataformas, integradas ao novo microcontrolador, constroem um ambiente digital unificado que promete reduzir desperdícios, melhorar a segurança e tornar as operações mais sustentáveis. Vídeo com IA eleva potencial dos postes inteligentes Outro lançamento que chamou atenção foi o novo módulo de vídeo com inteligência artificial embarcada, capaz de transformar postes de iluminação existentes em pontos de análise urbana avançada. A solução incorpora: Iluminação adaptativa , ajustando o brilho conforme fluxo de pessoas e veículos; Análise de tráfego , oferecendo dados essenciais para mobilidade urbana; Monitoramento de meio-fio , útil para planejamento de estacionamento, fiscalização e estudo de uso do espaço público. Com isso, a Ubicquia mira um mercado em ascensão: o das cidades que utilizam sua infraestrutura já instalada para implementar funcionalidades inteligentes sem necessidade de grandes reformas. Energia, eficiência e dados: o novo tripé das cidades inteligentes As novidades reforçam a convergência entre energia, segurança e informação no planejamento urbano moderno. Para prefeituras e concessionárias, soluções integradas como as da Ubicquia representam uma oportunidade de acelerar projetos de cidades inteligentes com investimento otimizado e impacto imediato no cotidiano dos cidadãos. O EnergyChannel seguirá acompanhando a evolução desses sistemas e seu potencial de transformar a iluminação pública em uma peça-chave da transição digital das cidades. Iluminação Pública Ganha Nova Geração de Inteligência: Ubicquia Lança Soluções com IA e Gestão Avançada de Infraestrutura
- Porsche aposta em sensação de condução clássica com câmbio virtual nos próximos modelos elétricos
A Porsche está prestes a adicionar um ingrediente inesperado à condução de seus veículos elétricos: uma simulação de trocas de marcha pensada para resgatar a sensação mecânica típica dos esportivos da marca. Imagem: Porsche: Porsche aposta em sensação de condução clássica com câmbio virtual nos próximos modelos elétricos A novidade, que marca uma virada na estratégia de experiência do usuário em modelos zero emissão, deve estrear primeiro na próxima geração do Taycan, prevista para chegar ao mercado no final de 2026 como linha 2027. Informações obtidas pelo EnergyChannel junto a fontes próximas à rede de concessionárias indicam que a fabricante alemã já comunicou internamente a preparação para o recurso definido como uma “transmissão virtual”. A orientação comercial é que as lojas iniciem treinamentos e ações de apresentação no segundo semestre de 2026, com agosto apontado como o provável início de pré-vendas. Um elétrico com alma de esportivo tradicional A adoção de um câmbio simulado não é inédita na indústria, mas ganha peso ao ser implementada por uma das marcas mais reconhecidas pelo prazer de dirigir. A iniciativa teria ganhado força após executivos da Porsche experimentarem o sistema semelhante presente no Hyundai Ioniq 5 N considerado um dos elétricos mais “emocionais” do mercado. Frank Moser, chefe da Divisão de Série dos modelos 718 e 911, descreveu a experiência como “reveladora” em uma conversa recente com especialistas do setor. Segundo ele, até mesmo membros da equipe tradicionalista da Porsche se surpreenderam com o impacto que a simulação de marchas pode ter na sensação de aceleração e engajamento do motorista. Apesar do entusiasmo, Moser reforçou que o recurso deverá ser opcional e totalmente desativável, permitindo que o condutor escolha entre o perfil esportivo — com respostas mais intensas e trocas virtuais ou a condução silenciosa típica dos veículos elétricos. Mais do que um efeito sonoro: interação física e comportamento dinâmico A solução da Porsche vai além de um efeito sonoro artificial. Para que o sistema seja integrado ao Taycan, o modelo receberá volante atualizado com borboletas de mudança, ausentes na versão atual. É por meio delas que o condutor acionará as marchas simuladas, da mesma forma como ocorre no Hyundai Ioniq 5 N. Apesar disso, não haverá alterações técnicas no powertrain. A simulação será totalmente digital, ajustando torque, resposta do acelerador e curvas de aceleração para criar a ilusão de progressão semelhante a uma transmissão tradicional sem comprometer eficiência e regeneração de energia. Assim como aconteceu com outros recursos de software ligados à experiência sonora, como o sound design artificial já incorporado ao Cayenne elétrico, a Porsche não deverá oferecer a novidade via atualização remota. Ou seja, somente novos veículos serão compatíveis. Por que isso importa para o mercado? A implementação de um câmbio virtual reforça um movimento crescente entre montadoras: aproximar a direção dos elétricos da sensação emocional de veículos a combustão, especialmente nos segmentos esportivos. Ao mesmo tempo, fabricantes buscam diferenciar seus produtos em um mercado onde a entrega de potência instantânea já se tornou comum. Para a Porsche, a estratégia alinha tradição e tecnologia mantendo viva a identidade esportiva da marca enquanto avança na eletrificação completa de seu portfólio. Porsche aposta em sensação de condução clássica com câmbio virtual nos próximos modelos elétricos
- ANEEL abre tomada de subsídios: o futuro da Geração Distribuída está em jogo
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) publicou no Diário Oficial da União em 4 de dezembro de 2025 a abertura da Tomada de Subsídios nº 23/2025, que trata da valoração dos custos e benefícios da micro e minigeração distribuída (MMGD). O prazo para contribuições vai até 4 de março de 2026, e os relatórios técnicos divulgados neste mês de dezembro serão a base para a definição regulatória que impactará diretamente milhares de usinas solares em operação e em construção. O que está em debate • Geração Distribuída (GD): é o modelo em que consumidores produzem sua própria energia, geralmente por meio de painéis solares, e podem compensar excedentes na rede elétrica. • Tomada de Subsídios: mecanismo de participação pública em que a ANEEL coleta contribuições técnicas e sociais para embasar decisões regulatórias. • Valoração dos custos e benefícios da GD: trata de calcular, de forma justa, o impacto da GD sobre o sistema elétrico — desde redução de perdas na rede até custos de manutenção e equilíbrio tarifário. • Recursos energéticos distribuídos (REDs): incluem geração solar, baterias, veículos elétricos e sistemas de gestão local. • Redes inteligentes e microrredes: tecnologias que permitem maior automação, integração e resiliência, conectando pequenos geradores e consumidores em sistemas locais capazes de operar de forma independente em situações de crise. O ponto de inflexão do mercado elétrico O setor elétrico brasileiro vive um momento decisivo. A Lei 14.300/2022, em seu artigo 17, determinava que a ANEEL deveria apresentar a valoração dos custos e benefícios da GD em prazo definido. Esse prazo não foi cumprido. Paradoxalmente, o atraso acabou sendo providencial: o mercado ainda estava em expansão, e investidores preferiram ignorar a insegurança jurídica. Entretanto, essa indefinição tem prazo de validade. As regras de compensação da energia excedente a partir de 2029 já deveriam ter sido divulgadas. Sem elas, a rentabilidade de projetos futuros permanece incerta. Muitos vendedores de usinas, por desconhecimento ou conveniência, não informaram compradores sobre essa lacuna regulatória. Agora, com a agenda de trabalhos da ANEEL para 2026 e os relatórios técnicos recém-publicados, o setor finalmente se aproxima de uma definição. Dois mundos dentro da GD Hoje convivem dois tipos de usinas: • As que possuem direito adquirido, com regras de compensação garantidas até 2045. • As que foram protocoladas após a promulgação da Lei 14.300/22, que aguardam a definição das regras de compensação a partir de 2029. Essa distinção cria um mercado desigual e gera apreensão entre empreendedores, especialmente aqueles que construíram usinas para arrendamento. A decisão da ANEEL sobre a valoração da GD será determinante para o futuro desses negócios. A importância da resiliência Defender a Geração Distribuída é defender a resiliência energética. Em um país sujeito a eventos climáticos extremos, depender apenas de grandes usinas centralizadas e linhas de transmissão longas é um risco. A GD permite gerar energia junto à carga, alimentar diretamente veículos elétricos e sistemas de armazenamento, e reduzir vulnerabilidades. Enquanto milhões de pequenos geradores se empoderam com novas tecnologias, o modelo tradicional mostra-se robusto, mas frágil diante de crises climáticas. A descentralização, democratização, digitalização e descarbonização são pilares da transição energética que este colunista defende. O que está em jogo para a sociedade As definições que surgirão desta tomada de subsídios não são apenas técnicas: afetarão diretamente consumidores, investidores e a sociedade brasileira. O formato do mercado elétrico será redesenhado. Se a valoração reconhecer adequadamente os benefícios da GD como redução de perdas, alívio de picos de demanda e maior segurança energética o país poderá avançar em direção a um sistema mais moderno e sustentável. Mas se prevalecer uma visão restritiva, que valorize apenas custos imediatos, corre-se o risco de frear um movimento que já mobiliza milhões de brasileiros. Conclusão A abertura da Tomada de Subsídios pela ANEEL marca o início de uma disputa regulatória que definirá o futuro da energia no Brasil. O atraso na aplicação da Lei 14.300/22 trouxe insegurança, mas também tempo para amadurecimento do mercado. Agora, não há mais espaço para postergações. O Brasil está diante de um ponto de inflexão histórico: ou consolida a Geração Distribuída como bandeira da transição energética descentralizada, democratizada, digitalizada e descarbonizada, ou reforça um modelo centralizado que já demonstra fragilidade. O setor elétrico precisa de coragem política e clareza regulatória. A sociedade precisa estar atenta: o futuro da energia e da própria resiliência nacional será decidido em breve. Por Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética ANEEL abre tomada de subsídios: o futuro da Geração Distribuída está em jogo
- COP30 em Belém: polêmicas, vozes e um futuro em disputa
Belém recebeu a COP30 com intensidade rara. No coração da Amazônia, a conferência foi marcada por embates e encontros que revelaram tanto avanços quanto contradições. Povos indígenas tiveram protagonismo inédito, lembrando ao mundo que a floresta é território vivo e não apenas estoque de carbono. COP30 em Belém: polêmicas, vozes e um futuro em disputa Movimentos sociais como o MST trouxeram à mesa a justiça climática, enquanto o agronegócio buscou reafirmar sua narrativa de sustentabilidade. ONGs e sociedade civil, em sua pluralidade, mostraram que o debate climático não pode ser reduzido a tecnicalidades: é sobre vidas e futuros possíveis. Entre os sucessos, destacam-se compromissos financeiros para adaptação e mitigação, ainda que insuficientes, e a maior integração entre ciência e política. A visibilidade dada às comunidades tradicionais foi outro ponto alto. Mas os fracassos também pesaram: metas de redução de emissões continuam aquém do necessário e a resistência de países dependentes de combustíveis fósseis travou negociações cruciais. No entanto, é justamente nesse cenário de tensões que reside a essência de uma COP: o multilateralismo. A ONU, com todas as suas limitações, cumpre a função de mediadora, tentando conciliar interesses divergentes e construir compromissos coletivos. Belém mostrou que as COPs não serão mais as mesmas. A presença vibrante da sociedade civil e a força dos povos indígenas mudaram o tom da conferência. Como colunista, participei intensamente de todos os dias e atividades da COP30. Ainda estou “decantando” tudo o que vivi e aprendi. Foi uma experiência transformadora, que me deixou imensamente grato e satisfeito. Continuarei escrevendo: combater as mudanças climáticas passa por todas as mentes e corações do planeta, e eu não poderia ficar fora dessa missão. A COP30 foi polêmica e, em muitos aspectos, frustrante. Mas também foi um marco de renovação. Se conseguimos reunir tantas vozes na Amazônia, é possível acreditar que o mundo ainda pode se unir para preservar a vida. Por Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
- Sustentabilidade entra em rota de colisão com tarifas e guerras comerciais
Em meio a mudanças rápidas nas políticas tarifárias e a uma escalada de tensões comerciais, cresce a percepção entre executivos norte-americanos de que a sustentabilidade corporativa pode deixar de ser prioridade. Sustentabilidade entra em rota de colisão com tarifas e guerras comerciais Uma nova análise de mercado mostra que 56% dos líderes empresariais nos EUA acreditam que terão de reduzir metas ou projetos ESG diante do aumento de custos e incertezas em suas cadeias de suprimentos. Dentro desse grupo, um quinto prevê impactos severos , capazes de modificar planejamentos estratégicos inteiros. Essa mudança de postura acende um alerta sobre a capacidade das empresas manterem compromissos climáticos em um cenário onde pressões econômicas se sobrepõem às agendas ambientais. Tensões externas redesenham a cadeia de suprimentos O levantamento indica que 72% dos executivos consideram tarifas e disputas comerciais o maior risco externo para suas operações , ultrapassando preocupações antes dominantes, como clima extremo ou desafios trabalhistas. Na prática, isso significa: Revisão urgente de contratos e fornecedores Aumento dos custos logísticos Maior dificuldade para cumprir metas de descarbonização Risco de interrupções prolongadas na cadeia global Para analistas, esses fatores combinados podem comprometer não apenas metas climáticas individuais, mas a competitividade das empresas que dependem de cadeias complexas e globalizadas. Compromisso ESG perde força e apenas minoria mantém postura firme Mesmo com a importância crescente da sustentabilidade no mercado global, apenas 23% das empresas afirmam que manterão suas políticas ESG independentemente das pressões econômicas . A tendência indica um afastamento momentâneo ou talvez estrutural do discurso de responsabilidade ambiental que dominou o ambiente corporativo na última década. Riscos ambientais permanecem no topo do radar Apesar das concessões planejadas, a alta liderança continua enxergando o clima como um fator de risco central: 41% apontam eventos climáticos extremos como ameaça direta ao desempenho financeiro. 40% citam conflitos geopolíticos como risco crítico de médio e longo prazo. Ou seja, mesmo enquanto parte das empresas reduz o foco em sustentabilidade, há consciência crescente de que o impacto climático pode ser tão prejudicial quanto uma guerra comercial . O que isso significa para o futuro das estratégias ESG A pressão econômica atual expõe um dilema central: como avançar em sustentabilidade quando o ambiente competitivo se torna imprevisível? Especialistas apontam que as empresas que conseguirem alinhar gestão de risco, inovação em cadeias de suprimento e estratégias ESG serão as mais preparadas para enfrentar ciclos prolongados de instabilidade. Para setores como energia, infraestrutura e tecnologia altamente dependentes de fornecedores globais o desafio é ainda maior. Conclusão O cenário descrito revela um ponto de inflexão na política corporativa dos EUA . A sustentabilidade, antes vista como pilar estratégico, começa a ser pressionada pela realidade das disputas comerciais e por novos custos operacionais. Para o EnergyChannel, esse movimento reforça a importância de acompanhar de perto como grandes empresas estão equilibrando competitividade, segurança de suprimentos e compromissos climáticos especialmente em um mercado global cada vez mais interdependente. Sustentabilidade entra em rota de colisão com tarifas e guerras comerciais
- Netflix surpreende o mercado e avança para adquirir a Warner Bros. em operação bilionária
Acordo de US$ 72 bilhões promete redefinir a disputa global por streaming e conteúdo premium Netflix surpreende o mercado e avança para adquirir a Warner Bros. em operação bilionária O mercado de mídia e entretenimento foi sacudido por uma das movimentações mais ambiciosas da história recente: a Netflix iniciou o processo para adquirir a Warner Bros. por aproximadamente US$ 72 bilhões , em um negócio que promete reconfigurar profundamente o equilíbrio de forças no streaming global. Segundo apuração do EnergyChannel , a operação marca um novo capítulo no esforço das grandes plataformas de ampliar seus catálogos, fortalecer suas bibliotecas de conteúdo próprio e enfrentar a crescente saturação do setor. O movimento acontece em um momento em que conglomerados tradicionais de mídia revisam suas estratégias e buscam reorganizações internas para lidar com mudanças aceleradas no comportamento de consumo. Reestruturação interna abre caminho para o negócio Para viabilizar a negociação, a Warner Bros. está reorganizando seus ativos, separando suas operações de estúdios de cinema e TV incluindo produções icônicas de Hollywood do braço de streaming ligado ao HBO Max, hoje um dos pilares da empresa no ambiente digital. A divisão também envolve o redesenho do portfólio de redes de televisão, que historicamente sustentaram o grupo, mas que enfrentam queda contínua de audiência e receita publicitária. Esse redesenho corporativo facilita a absorção ágil das unidades mais estratégicas pela gigante do streaming, preservando sinergias de conteúdo e permitindo que a Netflix incorpore peças-chave sem herdar estruturas consideradas menos competitivas no cenário atual. Concorrência acirrada marca a disputa A corrida para adquirir a Warner não foi exclusiva. A operação atraiu o interesse de outros pesos-pesados do setor, como Paramount e Comcast , que também apresentaram propostas. A forte concorrência evidencia o valor estratégico do portfólio da Warner Bros., que reúne franquias mundialmente reconhecidas, propriedades intelectuais consolidadas e uma das máquinas de produção mais tradicionais do entretenimento. No entanto, fontes de mercado indicam que a Netflix avançou com maior velocidade e disposição para fechar um acordo robusto, enxergando na aquisição uma oportunidade de consolidar uma posição dominante no streaming e ampliar sua presença no segmento premium especialmente em séries, filmes de grande orçamento e conteúdos já consagrados pelo público global. O que muda para o mercado de streaming Se concretizado, o negócio terá impacto direto sobre a dinâmica competitiva entre plataformas. Analistas apontam possíveis efeitos imediatos: Fortalecimento do catálogo da Netflix , que passaria a controlar franquias de enorme apelo comercial; Pressão sobre concorrentes , que teriam de acelerar investimentos em conteúdo próprio para compensar a perda de títulos disputados; Aumento da fragmentação regulatória , já que o acordo deve enfrentar escrutínio de autoridades em diversos países; Redefinição do modelo de produção , com a Netflix consolidando estúdios próprios e ampliando sua capacidade de entregar grandes lançamentos de forma contínua. Um marco para a indústria A eventual união entre Netflix e Warner Bros. seria mais do que uma transação de alto valor representaria um ponto de virada para a indústria global de entretenimento, que vive uma fase de consolidação acelerada. Quanto maior o acervo e a capacidade de produção, maior a vantagem competitiva no ecossistema atual, marcado por disputas intensas por assinantes, fidelização e relevância cultural. Enquanto os detalhes finais ainda estão em negociação, o mercado observa atentamente os próximos passos. A concretização do acordo pode inaugurar um novo ciclo de concentração e redefinir, mais uma vez, o que significa ser líder no universo do streaming. Netflix surpreende o mercado e avança para adquirir a Warner Bros. em operação bilionária
- Demanda nacional de eletricidade recua em outubro com clima mais ameno, mostra análise da CCEE
O consumo de energia no Brasil registrou uma queda relevante em outubro de 2025, reflexo direto das temperaturas mais brandas que reduziram o uso de refrigeração e sistemas de climatização em todo o país. Demanda nacional de eletricidade recua em outubro com clima mais ameno, mostra análise da CCEE Dados consolidados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) revelam que o recuo foi de 1,7% na comparação com o mesmo período de 2024 , interrompendo uma trajetória de crescimento observada ao longo do ano. Segundo especialistas consultados pelo EnergyChannel , o comportamento climático teve papel decisivo na demanda das distribuidoras e consumidores livres especialmente em regiões que passaram por semanas consecutivas de temperaturas abaixo da média histórica. “Quando o calor diminui, o impacto é imediato nas cargas residenciais e comerciais, que deixam de acionar ar-condicionado e ventilação artificial”, explica a CCEE no relatório mensal. Impacto setorial e comportamento dos consumidores O mercado cativo composto por residências e pequenos negócios foi o segmento que mais sentiu a mudança. Já no mercado livre, que reúne grandes empresas e indústrias, o consumo apresentou estabilidade, influenciado pela retomada gradual de alguns setores produtivos ao longo do segundo semestre. A análise da CCEE também indica que o cenário climático ajudou a suavizar a pressão sobre o sistema elétrico em um momento em que o país acompanha atentamente os níveis de reservatórios e a expansão das fontes renováveis. Com geração solar e eólica em alta, o despacho térmico permaneceu controlado durante boa parte do mês. Perspectivas para o fim de 2025 A projeção para os últimos meses do ano dependerá da oscilação das temperaturas e do comportamento da economia. Se confirmados os prognósticos de um verão mais úmido e menos intenso, a tendência é de que o consumo siga em ritmo moderado, mantendo o equilíbrio entre oferta e demanda no Sistema Interligado Nacional. Para o setor elétrico, o movimento reforça a importância de ampliar ferramentas de gestão e previsão de carga, cada vez mais influenciadas por variáveis climáticas. A CCEE deve divulgar um balanço atualizado no início de 2026, trazendo as primeiras leituras consolidadas sobre o comportamento do consumo pós-primavera. Demanda nacional de eletricidade recua em outubro com clima mais ameno, mostra análise da CCEE
- Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN
De acordo com Yuri Schmitke, presidente da ABREN, o país utiliza atualmente apenas 1,5% do potencial nacional do biometano e 5,6% do potencial do biogás, muito aquém do que poderia usar; Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN O executivo participou nesta quinta-feira (04) do Fórum de Infraestrutura Brasil–Suíça 2025, em São Paulo, e apresentou um panorama da energia de resíduos no Brasil São Paulo (SP), 05 de dezembro de 2025 – O Brasil utiliza atualmente apenas 1,5% e 5,6% de seu potencial com relação à utilização do biometano e do biogás, respectivamente. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (04/12) pelo presidente da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN), Yuri Schmitke, durante participação no Fórum de Infraestrutura Brasil–Suíça 2025, realizado em São Paulo. O executivo integrou o painel “ Waste-to-Energy e biogás: escalando a gestão sustentável de resíduos no Brasil ”. Além do representante da ABREN, participaram do debate Danilo Perecin , diretor de Energia da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de SP (Semil), Alexandre Anderáos , superintendente adjunto de Regulação de Saneamento Básico da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Diego Nicoletti , representante da Solví, e Gustavo Dorota de Mello , diretor de Engenharia e Remediação da EBP Brasil, empresa associada da ABREN. Segundo Schmitke, no caso do biometano, o potencial nacional de produção desse combustível é estimado em 44,1 bilhões Nm3/ano. Porém, em 2024, foram produzidos apenas 0,67 bilhões Nm3/ano em 53 usinas, ou seja, o equivalente a apenas 1,5% do potencial nacional. Os setores que têm maior capacidade de produção são os segmentos sucroenergético e agroindustrial, que, juntos, somam 95% do potencial total. Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN Com relação ao biogás, o potencial brasileiro de produção é de 84,6 bilhões de Nm3/ano, muito acima dos 4,7 bilhões de Nm3/ano produzidos em 2024. Esse montante, gerado por 1.587 usinas, equivale a apenas 5,6% do potencial nacional. Neste caso, assim como no biometano, os segmentos com maior capacidade de produção do biogás são os setores sucroenergético e agroindustrial, que, juntos, respondem a 92% do total. Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN De acordo com Schmitke, o biogás e o biometano são fundamentais no contexto da transição energética no Brasil. “ Essas duas rotas tecnológicas são complementares a outras formas de geração de energia limpa e renovável e vivem atualmente um momento de desafios para que possam expandir. O biogás, por exemplo, enfrenta ainda a questão da competitividade em relação às demais fontes renováveis, pois carece de um preço de referência que viabilize contratos de longo prazo ”. “O biometano, por sua vez, desponta como o combustível do futuro, com papel estratégico na descarbonização dos transportes e na substituição do diesel e do gás natural fóssil. A partir de 2026, entram em vigor o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), e em 2027 o sistema de créditos de carbono regulados (SBCE), que garantirão rastreabilidade, monetização das emissões evitadas e reconhecimento”, complementou o especialista. O representante da ABREN destacou, ainda, que mesmo após duas décadas de tramitação no congresso e 15 anos de vigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a quantidade de resíduos sólidos urbanos destinada a lixões e aterros controlados, que deveriam ter sido extintos em 2014, praticamente não se alterou em termos percentuais. Atualmente, mais de 40% dos resíduos urbanos são descartados em locais inadequados. Por outro lado, o mundo já desponta com 3.000 usinas de recuperação energética, destacando-se Europa (500), China (1.138), Japão (1.000) e USA (80), e o Brasil tem um potencial de instalar 130 usinas de 20MW, totalizando 3.3 GW de potência instalada, com investimentos aproximados de R$ 180 bilhões nos próximos anos. “Mesmo com esse potencial gigantesco, o Brasil ainda se encontra parado no tempo e dependente de lixões e aterros sanitários. Ainda dá tempo de o país acabar com os entraves que inviabilizam o desenvolvimento do biogás, do biometano e da recuperação energética para, assim, aproveitarmos todo o potencial desses dois combustíveis a nível nacional. Mas, para isso, é preciso agir com eficácia e efetividade, além de vontade política”, concluiu Schmitke. Sobre a ABREN: A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) é uma entidade nacional, sem fins lucrativos, que tem como missão promover a interlocução entre a iniciativa privada e as instituições públicas, nas esferas nacional e internacional, e em todos os níveis governamentais. A ABREN representa empresas, consultores e fabricantes de equipamentos de recuperação energética, reciclagem e logística reversa de resíduos sólidos, com o objetivo de promover estudos, pesquisas, eventos e buscar por soluções legais e regulatórias para o desenvolvimento de uma indústria sustentável e integrada de tratamento de resíduos sólidos no Brasil. A ABREN integra o Global Waste to Energy Research and Technology Council (Global WtERT), instituição de tecnologia e pesquisa proeminente que atua em diversos países, com sede na cidade de Nova York, Estados Unidos, tendo por objetivo promover as melhores práticas de gestão de resíduos por meio da recuperação energética e da reciclagem. O Presidente Executivo da ABREN, Yuri Schmitke, é o atual Vice-Presidente LATAM do Global WtERT e Presidente do WtERT – Brasil. Conheça mais detalhes sobre a ABREN acessando o site , Linkedin , Facebook , Instagram e YouTube da associação. Brasil tem potencial para aumentar uso do biogás e do biometano em até 98%, defende ABREN
- Ônibus elétricos ganham tração e viram destaque nas importações de pesados no Brasil
As importações de veículos pesados no Brasil iniciaram 2025 com movimentos opostos dentro do mesmo setor. Ônibus elétricos ganham tração e viram destaque nas importações de pesados no Brasil Enquanto o mercado como um todo recuou, acompanhando um cenário global de ajustes logísticos e retração de demanda, o segmento de ônibus elétricos seguiu o caminho inverso e acelerou com força, tornando-se o protagonista da eletrificação pesada no país. Levantamento exclusivo realizado pelo EnergyChannel mostra que, embora o valor total importado de pesados somando caminhões, ônibus, reboques e semirreboques tenha caído aproximadamente 8% na comparação anual, chegando a US$ 193,7 milhões, o transporte de passageiros impulsionou a curva positiva da eletrificação. As compras internacionais de ônibus elétricos mais do que dobraram: avançaram de US$ 5,1 milhões em 2024 para US$ 12,7 milhões em 2025, crescimento de 149% . Esse salto contrasta fortemente com o desempenho dos demais nichos. O setor de caminhões elétricos, por exemplo, apresentou retração significativa de 38% , encerrando o período com US$ 34,5 milhões em importações. Já os ônibus a diesel ainda amplamente majoritários na logística nacional permaneceram estáveis, mas com leve variação negativa de 3%, totalizando US$ 146,5 milhões. Espírito Santo concentra a maior fatia das importações Outro ponto que chamou atenção foi a concentração geográfica. O Espírito Santo, porta de entrada estratégica para a indústria automotiva, respondeu por 83% de todo o valor importado relacionado a veículos pesados no período. O dado reforça o papel logístico do estado como hub da mobilidade sustentável, especialmente no segmento de coletivos e veículos de grande porte. Eletrificação avança por nichos e nem todos seguem o mesmo ritmo O comportamento desigual entre categorias também aparece no mercado de veículos leves eletrificados, sugerindo que a transição energética no Brasil ocorre em velocidades distintas. No caso dos pesados, a tendência é clara: onde há pressão por renovação de frota, metas ambientais e demanda crescente por eficiência operacional como no transporte urbano de passageiros a eletrificação avança de forma mais visível. Já no setor de carga, desafios como custo inicial elevado, infraestrutura de recarga limitada e modelos ainda em maturação tecnológica ajudam a explicar o ritmo mais lento de adoção. Um sinal do que vem pela frente O desempenho robusto dos ônibus elétricos no início de 2025 indica que o transporte coletivo pode se tornar o principal vetor da descarbonização pesada no Brasil. Com grandes cidades estruturando políticas de renovação de frota e pressão crescente por redução de emissões, o mercado abre espaço para novos player's, parcerias e cadeias de fornecimento mais integradas. Para a indústria, o cenário revela oportunidades claras: se o país mantiver a expansão desse segmento, a próxima fase pode incluir desde fábricas locais até programas de eletrificação regional mais robustos impulsionando empregos, inovação e sustentabilidade. Ônibus elétricos ganham tração e viram destaque nas importações de pesados no Brasil
- Tório volta ao centro das atenções: a corrida global pelos reatores de sal fundido e o papel estratégico do Brasil
Por décadas, a energia nuclear foi sinônimo de grandes obras, altos custos e riscos que marcaram a história. Mas uma nova onda tecnológica está reacendendo o debate dessa vez com uma promessa que parecia ter sido esquecida nos arquivos da ciência dos anos 1960: os reatores de sal fundido alimentados por tório. Tório volta ao centro das atenções: a corrida global pelos reatores de sal fundido e o papel estratégico do Brasil A tecnologia, que havia sido engavetada por pressões políticas e prioridades militares da Guerra Fria, volta agora ao centro do palco graças a uma empresa dinamarquesa que quer redefinir o setor: a Copenhagen Atomics. E nessa corrida global silenciosa, o Brasil ocupa um lugar privilegiado — ainda que subaproveitado. O país detém uma das maiores reservas conhecidas de tório no mundo, um elemento que pode se tornar o combustível-chave dessa nova geração de energia nuclear. Por que o tório voltou a ser estratégico? O tório, por si só, não é um combustível nuclear ativo. Ele precisa ser convertido em urânio-233 um isótopo capaz de sustentar uma reação nuclear contínua e altamente eficiente. A reação funciona assim: O tório-232 absorve nêutrons provenientes de pequenas quantidades de urânio-235 ou plutônio-239. Converte-se em tório-233. Que, por decaimento natural, transforma-se em urânio-233, o verdadeiro combustível. Esse mecanismo, conhecido por pesquisadores desde a década de 50, gera mais nêutrons do que consome, criando um ciclo sustentado e extremamente eficiente algo que os defensores da tecnologia chamam de “a chama que se autoalimenta”. Mas não é apenas a eficiência que chama atenção. É a segurança . Reatores que não explodem e se desligam sozinhos O modelo proposto pela Copenhagen Atomics abandona totalmente as tradicionais barras sólidas de combustível usadas em Angra ou nos reatores dos EUA e Europa. No lugar delas, o novo sistema dissolve o combustível em uma mistura líquida de sais um fluido que opera próximo de 700°C , mas sem pressão. Esse desenho elimina vários dos riscos associados aos reatores convencionais: Não há pressão interna , portanto não há risco de explosões de vapor. O sal é quimicamente estável : em caso de vazamento, ele endurece e aprisiona a radiação. O sistema conta com um “plug” de sal congelado , que derrete automaticamente se houver qualquer aumento inesperado de temperatura. Assim, o combustível escorre por gravidade para tanques de segurança, encerrando a reação instantaneamente. É o conceito que a indústria apelidou de walk-away safe : até se todos forem embora, o reator se protege sozinho. Blindagem extrema e operação remota Apesar da segurança térmica e química, existe um desafio inescapável: a radiação gama produzida durante a geração do urânio-233. Ela é tão intensa que impede completamente qualquer acesso humano durante a operação. Por isso, a Copenhagen Atomics desenvolveu um formato de reator que mais se assemelha a um “cofre nuclear”: Cada unidade é lacrada dentro de um contêiner de aço especial com até 20 cm de espessura . O módulo completo pode pesar mais de mil toneladas . A manutenção é inexistente: ao final do ciclo de cinco anos, o reator inteiro é substituído, não reparado. Toda a operação é remota, automatizada e monitorada por sensores internos. Reunidos em série, 25 desses contêineres formam uma “bateria nuclear modular”, capaz de abastecer indústrias e pequenos parques industriais com energia firme e contínua. Queima de resíduos nucleares: do passivo ao ativo energético Um dos pontos mais controversos da energia nuclear sempre foi o lixo radioativo — mas o reator de sal fundido promete virar esse jogo. Em vez de gerar resíduos que precisam ser isolados por milhares de anos, a tecnologia: produz rejeitos que se estabilizam em algumas centenas de anos; pode consumir parte dos resíduos antigos como combustível de partida. Isso é particularmente relevante para países como o Brasil, que acumulam rejeitos das usinas de Angra há décadas. Um novo modelo de negócio nuclear Diferentemente das usinas tradicionais, que exigem megainvestimentos e anos de obras, a Copenhagen Atomics opera quase como uma fornecedora de máquinas industriais: O cliente aluga o reator por cinco anos. A empresa entrega, instala, opera e monitora. Ao fim do contrato, retira ou substitui o módulo. Cada unidade entrega de 8 a 10 MW térmicos (cerca de 2 a 3 MW elétricos ), energia suficiente para alimentar até 3 mil residências ou uma fábrica de médio porte. O objetivo da empresa é produzir um reator por dia em linha de montagem — algo jamais visto na indústria nuclear. Custo da energia: uma revolução possível A Copenhagen Atomics estima que, em escala industrial, o custo da energia desses reatores pode cair para US$ 20 a US$ 40 por MWh patamar inferior ao gás natural e altamente competitivo frente à energia solar e eólica, com a vantagem de ser contínua . Para comparação, o custo médio da energia nuclear tradicional supera US$ 100 por MWh . China assume a dianteira e prova que funciona A China foi a primeira a colocar um reator de sal fundido moderno em operação: Funcionamento estável por 10 dias em 2024. Em 2025, conseguiu reabastecer o reator sem desligá-lo , um marco inédito. Enquanto isso, a Copenhagen Atomics prepara seus testes oficiais na Suíça para 2026 — um processo que deve durar quatro anos até atingir plena operação. Os desafios que ainda travam a nova era nuclear Apesar do entusiasmo global, a tecnologia enfrenta barreiras consideráveis: Materiais resistentes a 700°C, corrosão química e radiação intensa . Equipamentos que precisam funcionar cinco anos sem falhar — nenhuma solda, bomba ou sensor pode apresentar defeito. Processos de licenciamento extremamente rigorosos , que podem levar uma década. Mas o avanço de China, Dinamarca e outros atores indica que o setor nuclear pode estar às portas de sua maior transformação desde os anos 1950. E o Brasil? O gigante do tório ainda adormecido Detentor de uma das maiores reservas de tório do planeta particularmente nas areias monazíticas do litoral o Brasil tem potencial para se tornar fornecedor estratégico dessa nova cadeia global. Ao mesmo tempo, acumula centenas de toneladas de resíduos que poderiam, no futuro, ser convertidas em combustível para reatores avançados. A pergunta que se impõe é inevitável: o país vai liderar ou apenas assistir à virada tecnológica que pode redesenhar o mapa da energia mundial? Tório volta ao centro das atenções: a corrida global pelos reatores de sal fundido e o papel estratégico do Brasil











