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- O Salto Regulatório da Distribuição de Energia
Por Frederico Boschin O Salto Regulatório da Distribuição de Energia A expansão da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) que em 2026 superou a expressiva marca de 50GW de potência em mais de 4,38 milhões de conexões transformou profundamente a operação das redes de distribuição brasileiras. O modelo histórico projetado para fluxos unidirecionais e cargas passivas foi confrontado com fluxos de potência bidirecionais e reversos em larga escala. Em períodos de carga leve simultâneos à máxima geração solar, a injeção concentrada de energia passou a gerar desafios de estabilidade operativa no SIN. Diante de problemas no controle de tensão, variações bruscas de frequência e do aumento de desligamentos forçados e desordenados (curtailment em bloco por alimentador), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) demandou providências à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) solicitando a revisão das normas vigentes e a abertura de frentes conjuntas para aproximar a operação da transmissão e da distribuição. Esse diagnóstico culminou na Nota Técnica nº 107/2026-STD/ANEEL que consolidou estudos para a modernização do Módulo 3 do PRODIST visando estabelecer novos requisitos de observabilidade, operabilidade e controlabilidade da MMGD (ou RED – Recurso Energético Distribuído). A análise apontou que o PRODIST deve estabelecer com clareza "o que" as instalações precisam cumprir em relação à rede (capacidades, limites, tempos de resposta e dados fornecidos), cabendo ao mercado e às normas das distribuidoras definirem "como" viabilizar essas soluções, prevenindo a obsolescência da norma e resguardando a neutralidade tecnológica. É considerado RED todo sistema que opere em paralelo à rede elétrica com capacidade de injetar potência ou absorver potência de modo controlável. São enquadrados centrais geradoras conectadas à distribuição, MMGD, sistemas de armazenamento (BESS), eletrolisadores e instalações com cargas moduláveis. Em contrapartida, a ANEEL excluiu explicitamente as cargas convencionais, os sistemas de nobreak de uso puramente local e os carregadores individuais de veículos elétricos de uso privativo que não possuam gestão inteligente de energia, afastando custos regulatórios desproporcionais para o consumidor residencial. Os ativos foram categorizados em três grupos. O Grupo I reúne os recursos que operam exclusivamente com injeção de potência na rede, como centrais geradoras convencionais e usinas solares puras. O Grupo II engloba os sistemas bidirecionais que alternam injeção e absorção, a exemplo de sistemas de baterias e infraestruturas veiculares com tecnologia V2G (Vehicle-to-Grid). O Grupo III compreende instalações que exclusivamente absorvem potência, mas que dispõem de sistema de gestão energética e flexibilidade para modular seu consumo frente a comandos externos ou parâmetros da rede, diferenciando datacenters e eletrolisadores industriais de uma carga passiva comum. Neste sentido, a neutralidade tecnológica e o uso de códigos abertos seria a regra geral ao exigir protocolos não proprietários, padronizados e interoperáveis, permitindo a adoção contínua de novas tecnologias pelo setor, delimitando que cabe à Agência dispor sobre as condições elétricas de acesso, remetendo a certificação e homologação de equipamentos de telecomunicações à ANATEL, os requisitos metrológicos ao INMETRO e os padrões construtivos à ABNT. Na medida em que a implantação de medidores inteligentes de faturamento venha a aferir grandezas operacionais (como tensão, frequência, potência ativa e reativa), essas informações poderão atender simultaneamente às obrigações de monitoramento operacional sem necessidade de novos investimentos em hardware de comunicação. Essa convergência normativa afastaria o caráter puramente emergencial e criaria a base legal necessária para que as concessionárias atuem progressivamente como operadoras ativas do sistema, no modelo DSO (Distribution System Operator), na medida em que todo RED deve ser preparado para receber comandos remotos de limitação da exportação de potência ativa em base percentual, comandos para regulação da potência reativa e alteração do status operacional (ligar/desligar); e estabelece a base para que a distribuição de energia no Brasil deixe de ser um observador passivo dos fluxos de carga e se consolide como articuladora ativa da transição energética do país. O Salto Regulatório da Distribuição de Energia
- Energia em excesso coloca RN na disputa por data centers e novos investimentos
RENOVÁVEIS E TECNOLOGIA Presidente da FIERN destaca que Estado gera até dez vezes mais energia do que consome; Crea-RN aponta armazenamento como caminho para aproveitar produção hoje limitada pela rede A capacidade do Rio Grande do Norte de produzir até dez vezes mais energia do que consome coloca o Estado em posição estratégica para atrair data centers, indústrias de maior intensidade tecnológica e novos investimentos ligados à transição energética. O tema estará no centro de dois eventos promovidos pelo Grupo FRG Mídias & Eventos em Natal. Nos dias 21 e 22 de outubro, a FIERN recebe a sétima edição do Energy Storage Brasil, voltada às tecnologias de armazenamento de energia. No dia 23, será realizado o Data Center Conference 2026, que conecta a disponibilidade energética do Estado às oportunidades abertas pela expansão da infraestrutura digital. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, o desafio agora é transformar a abundância de energia renovável em demanda, com segurança jurídica e um ambiente favorável à instalação de novos empreendimentos. A elevada capacidade de geração já representa uma vantagem competitiva concreta do Rio Grande do Norte. A próxima etapa é criar condições para que grandes consumidores se instalem no Estado, absorvam parte dessa energia e movimentem novas cadeias econômicas. “Essa disponibilidade de energia, com capacidade de geração dez vezes maior do que o consumo, não é uma perspectiva a ser transformada em vantagem energética: ela já é uma vantagem. Agora nós entramos na fase de captar os consumidores de energia, dando mais segurança a eles nesse fator, gerando uma firme segurança jurídica”, afirma o presidente da FIERN. Entre esses potenciais consumidores estão os data centers. Serquiz avalia que o Estado reúne dois fatores relevantes para disputar esses investimentos: abundância de energia e infraestrutura de comunicação com baixa latência. Na avaliação dele, ainda é necessário avançar em regulamentação e deixar claro ao mercado o interesse do Rio Grande do Norte em receber os empreendimentos. “Certamente o Rio Grande do Norte é um dos melhores pontos para se instalar data center no Brasil. Temos abundância na geração do seu principal insumo, que é a energia, e estamos muito próximos da entrada das estruturas de comunicação que chegam pelo Nordeste”, afirma Serquiz. O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN), engenheiro eletricista Roberto Wagner, chama atenção para outro lado dessa equação. Apesar da forte geração renovável, parte da energia produzida no Estado sofre restrições de escoamento, fenômeno conhecido como curtailment. Sistemas de armazenamento em baterias, os BESS, podem guardar energia nos períodos de excesso e devolvê-la à rede quando houver maior demanda. “Hoje nós temos muita energia, o Rio Grande do Norte sofre curtailment, que é o corte da geração por falta de cargas conectadas à geração. Há um descasamento entre a geração e as cargas”, explica Wagner. Segundo ele, a chegada de data centers, que representam grandes cargas, pode aproximar a demanda da capacidade de geração, mas exigirá planejamento da transmissão, subtransmissão, subestações e pontos de conexão. O avanço desse mercado também abre uma nova frente para a engenharia potiguar. Baterias de grande porte exigem integração de sistemas elétricos, automação, controle, proteção, gerenciamento térmico, prevenção de incêndios e cuidados ambientais. Wagner destaca ainda a necessidade de ampliar a especialização de engenheiros e técnicos para que parte dos empregos qualificados e do valor econômico gerados pelos novos investimentos permaneça no Estado. “Não é só simplesmente aumentar o número de profissionais, será necessário ampliar e enaltecer a especialização. São nichos específicos que a gente precisa desenvolver. Neste mundo de transição energética, a gente tem muitas oportunidades do ponto de vista de BESS, eletromobilidade, geração distribuída e geração de renováveis”, afirma. Para o diretor do Grupo FRG Mídias & Eventos, Tiago Fraga, levar os dois eventos para Natal busca justamente aproximar setores que até pouco tempo eram discutidos separadamente. “Não basta o Rio Grande do Norte ser uma potência na geração renovável se parte dessa energia encontra limitações para chegar ao consumo. Armazenamento, expansão da rede e atração de grandes consumidores precisam avançar juntos. Ao reunir em Natal o Energy Storage Brasil e o Data Center Conference, queremos aproximar quem produz energia, quem desenvolve tecnologia, quem investe e quem pode transformar essa disponibilidade energética em novos negócios para o Estado”, afirma Fraga. O Energy Storage Brasil reunirá empresas, investidores, fabricantes, desenvolvedores de projetos, especialistas e representantes do poder público para discutir tecnologias, regulação e modelos de negócios ligados ao armazenamento. A programação abordará desde baterias de íon-lítio até alternativas como sódio, fluxo, estado sólido e ferro-ar, além de hidrogênio, armazenamento térmico e outras tecnologias. Já o Data Center Conference terá foco em data centers, conectividade e inteligência artificial, reunindo operadores, provedores de tecnologia, grandes usuários corporativos e especialistas. A expectativa é receber entre 650 e 1.000 participantes qualificados, consolidando Natal como ponto de encontro entre a expansão das energias renováveis e a demanda crescente por infraestrutura digital. Energia em excesso coloca RN na disputa por data centers e novos investimentos
- Victron Energy conecta o Brasil com energia independente: motorhomes no Sul, eletropostos no Nordeste e off-grid na Amazônia
No Sul, baterias e geração solar embarcada dão autonomia aos motorhomes; no Nordeste, sistemas de armazenamento apoiam a nova geração de eletropostos; e, na Amazônia, soluções off-grid levam energia confiável a operações longe da rede. Brasil, 6 de outubro de 2026 - A transição energética brasileira começa a criar um mercado que vai além da geração solar conectada à rede. Em diferentes regiões do país, consumidores e empresas passaram a buscar autonomia, armazenamento e segurança no fornecimento de energia, abrindo espaço para sistemas capazes de operar de forma independente ou híbrida. É nesse movimento que a Victron Energy, fabricante global de sistemas de armazenamento, conversão e gerenciamento de energia, vem ampliando sua atuação no Brasil. Com tecnologia desenvolvida para aplicações off-grid e híbridas, a empresa está avançando de Norte a Sul do país com projetos e soluções em segmentos tão distintos quanto agronegócio, mobilidade elétrica, aplicações náuticas, motorhomes, telecomunicações e infraestrutura crítica. O avanço ocorre por meio de uma rede crescente de distribuidores, integradores e parceiros especializados, que aproxima a tecnologia da Victron de mercados com necessidades específicas de confiabilidade energética. Armazenamento como infraestrutura Esse movimento acompanha uma mudança importante no mercado brasileiro. Durante muitos anos, baterias foram associadas principalmente a sistemas de emergência. Agora, começam a assumir uma função mais estratégica: armazenar energia quando ela está disponível e utilizá-la quando o consumidor realmente precisa. “O armazenamento deixou de ser visto apenas como um sistema de backup. Hoje ele passou a ocupar um papel estratégico na gestão inteligente da energia”, afirma Edimar Prumucena, gerente da Victron Energy Brasil. Segundo o executivo, a procura por soluções mais resilientes e independentes da rede vem crescendo em diferentes segmentos. A Victron Energy registrou crescimento de 26% nas vendas no Brasil no primeiro semestre de 2026, resultado que reforça a expansão da companhia em um mercado ainda em formação. Do Amazonas ao Rio Grande do Sul No Amazonas, a empresa acaba de ampliar sua presença com a Expertise Energia Solar, de Manaus, que passou a atuar como distribuidora e integradora das soluções Victron Energy na Região Amazônica. A parceria tem foco em projetos de energia solar, sistemas híbridos com baterias de lítio e aplicações náuticas. É um mercado particularmente relevante para tecnologias de autonomia energética devido às características geográficas da região e à presença de comunidades, propriedades e operações que nem sempre contam com infraestrutura convencional de energia. No Centro-Oeste, a expansão ocorre por meio do Grupo Enersolar, novo distribuidor autorizado para Goiás e outros mercados da região. O agronegócio aparece como uma das principais frentes de oportunidade. Fazendas, sistemas de bombeamento, equipamentos de comunicação, estruturas remotas e instalações que precisam funcionar independentemente da rede elétrica criam demanda por arquiteturas capazes de combinar geração solar, baterias, inversores e gerenciamento inteligente da energia. No Rio Grande do Sul, a Victron também encontrou um mercado específico para suas tecnologias: o caravanismo. A parceria com empresas como a Santo Inácio Motorhomes, de Gramado, e a Partner Custom, da cidade de Portão, leva baterias de lítio, geração solar embarcada e monitoramento remoto para veículos recreativos. A aplicação mostra como o armazenamento está deixando de ser uma tecnologia restrita a instalações fixas. Em um motorhome, por exemplo, a bateria passa a funcionar como uma espécie de infraestrutura energética móvel, permitindo alimentar equipamentos, iluminação, climatização e outros sistemas mesmo longe da rede elétrica. Energia também sobre rodas e na água A mesma lógica aparece no setor náutico. Em embarcações e marinas, a combinação de painéis solares, baterias, inversores e sistemas de gerenciamento permite reduzir a dependência de geradores e da conexão à rede. A possibilidade de monitoramento remoto também agrega uma camada de controle importante para operações em que manutenção e disponibilidade energética têm impacto direto na experiência do usuário. A mobilidade elétrica representa outra frente de crescimento. No E-Lounge da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), em Recife, por exemplo, a arquitetura energética combina geração solar, armazenamento e equipamentos de recarga. O sistema utiliza tecnologia Victron em inversão e controle de carga, enquanto o armazenamento é realizado por baterias. A infraestrutura conta ainda com dois carregadores, incluindo uma unidade rápida de 30 kW e outra de 22 kW. O projeto mostra uma tendência que deve ganhar relevância: o eletroposto deixa de ser apenas um equipamento conectado à rede e passa a funcionar como uma pequena infraestrutura energética integrada, capaz de combinar geração, armazenamento e recarga. Parceria com a WEG amplia mercado off-grid Outro movimento importante para a Victron no Brasil é a parceria com a WEG para disponibilização de uma solução destinada a sistemas isolados. A proposta combina módulo solar, inversor, controlador de carga MPPT e bateria Victron em uma solução integrada para aplicações off-grid. A associação entre duas marcas reconhecidas no setor elétrico amplia as possibilidades de utilização da tecnologia de armazenamento em locais onde a conexão convencional à rede é inexistente, cara ou pouco confiável. Mais do que fornecer uma bateria, a proposta envolve uma arquitetura completa de gerenciamento energético. Microrredes ganham espaço Uma das tecnologias que acompanha esse movimento são as arquiteturas modulares de armazenamento. A lógica é simples: em vez de concentrar toda a capacidade em um único equipamento, o sistema pode ser formado por diferentes módulos. Se uma unidade precisar ser retirada para manutenção, as demais continuam operando. A arquitetura também permite aumentar gradualmente a capacidade conforme a demanda cresce. Esse conceito ganha importância em aplicações críticas, como agronegócio, mineração, telecomunicações, hospitais, canteiros de obras, eventos, comunidades isoladas e infraestrutura crítica. “Uma das principais vantagens é combinar escalabilidade, simplicidade operacional e disponibilidade”, explica Prumucena. Bateria deixa de ser coadjuvante A expansão da geração solar distribuída também ajuda a criar esse novo mercado. Quanto maior a quantidade de energia solar instalada, maior passa a ser o interesse em armazenar parte da geração para utilização posterior. Em vez de simplesmente produzir energia durante o período de maior insolação, o consumidor passa a ter maior controle sobre quando utilizar essa energia. Nesse cenário, as baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) ganham espaço pela combinação de segurança, vida útil, eficiência e quantidade de ciclos. Para consumidores residenciais, empresas e produtores rurais, a discussão começa a migrar do preço de aquisição para o custo total da solução ao longo de sua vida útil. Um mercado que vai muito além da energia solar A estratégia da Victron no Brasil revela uma característica particular do mercado de armazenamento: não existe uma única aplicação dominante. A mesma tecnologia pode estar em uma fazenda no Centro-Oeste, em um barco no Amazonas, em um motorhome na Serra Gaúcha ou integrada a um eletroposto em Pernambuco. Essa diversidade é justamente uma das características do mercado off-grid. Com atuação internacional desde 1975 e presença em dezenas de países, a Victron construiu seu posicionamento em torno de sistemas para aplicações que exigem autonomia, confiabilidade e gerenciamento de energia. No Brasil, a empresa aposta na expansão de uma rede de parceiros para levar essa tecnologia a novos mercados. O resultado é uma mudança gradual na forma como a energia é pensada: não apenas como algo que chega pela rede, mas como um recurso que pode ser gerado, armazenado, administrado e utilizado de maneira independente. E essa transformação abre um mercado que ainda está apenas começando a ser explorado no país. Victron Energy conecta o Brasil com energia independente: motorhomes no Sul, eletropostos no Nordeste e off-grid na Amazônia
- ERCAP: MME PROPÕE NOVO CRITÉRIO DE RATEIO COM BASE NOS HORÁRIOS CRÍTICOS DO SIN
O Ministério de Minas e Energia abriu a Consulta Pública nº 229/2026 para discutir mudanças na contratação e no rateio da reserva de capacidade. A principal proposta é alterar a metodologia do Encargo de Reserva de Capacidade ERCAP. Pelo modelo atual, o rateio considera o pico máximo individual de consumo do agente ao longo do mês. O MME pretende substituir esse critério por outro relacionado ao consumo observado no período de maior demanda líquida do Sistema Interligado Nacional, dentro de uma janela crítica de até quatro horas consecutivas em dias úteis. A lógica técnica é compreensível: se a reserva de capacidade existe para garantir potência nos momentos em que o SIN mais precisa, faz sentido aproximar o rateio desses períodos. O problema está em tratar essa mudança como se ela representasse, por si só, um ganho para o consumidor. Para uma parcela relevante dos consumidores, o efeito pode ser exatamente o contrário: aumento de custo. O MME sustenta que o novo critério pode levar consumidores a deslocar carga para fora da janela crítica. Essa possibilidade existe, mas está longe de ser universal. Grande parte das atividades industriais, comerciais e de infraestrutura não consegue simplesmente transferir consumo de um horário para outro. Processos contínuos, refrigeração, saneamento, hospitais, logística, produção industrial e várias outras atividades têm pouca flexibilidade operacional. Para esses consumidores, reduzir a exposição ao ERCAP pode exigir perda de produção, alteração de processos ou novos investimentos em automação e armazenamento. Nesses casos, o chamado “sinal econômico” deixa de funcionar como incentivo e passa a funcionar, na prática, como aumento de despesa. Quem puder deslocar carga poderá reduzir sua participação relativa no encargo. Quem não puder continuará consumindo no período crítico e poderá pagar mais. No curto prazo, portanto, a mudança não reduz o custo da reserva de capacidade; redistribui a conta. Esse ponto é fundamental porque os contratos de reserva já celebrados continuarão existindo. Reduzir consumo durante algumas horas não elimina automaticamente esses custos. Uma eventual redução estrutural do ERCAP dependerá de mudanças persistentes no perfil da demanda e de menor necessidade futura de contratação de potência. Esse resultado é possível, mas não pode ser tratado como consequência automática da nova metodologia. A discussão se torna ainda mais sensível quando alcança os geradores. A Lei nº 15.269/2025 alterou o art. 3º-A da Lei nº 10.848/2004 e passou a admitir a participação da geração no rateio nos casos previstos na legislação. Isso não significa que todo gerador deva pagar ERCAP simplesmente porque produz menos em determinado horário. Qualquer cobrança desse tipo precisa demonstrar relação objetiva entre a atuação do agente e a necessidade adicional de contratação de capacidade. Uma usina solar, por exemplo, reduz naturalmente sua produção no final da tarde. Isso é uma característica conhecida da fonte, considerada pelo planejamento do sistema. A necessidade de reserva decorre de vários fatores ao mesmo tempo: demanda, disponibilidade das usinas, hidrologia, transmissão, indisponibilidades, expansão das renováveis e critérios de confiabilidade. Transformar toda essa complexidade em uma cobrança genérica sobre a geração seria simplificar demais o problema e poderia criar uma nova distorção regulatória. No caso da autoprodução, a cautela deve ser ainda maior. A Lei nº 10.848/2004 determina que o autoprodutor participe do rateio apenas na parcela da energia elétrica decorrente da interligação ao SIN. A regulamentação da ANEEL prevê que, no cálculo do ERCAP, seja considerada apenas a parcela do consumo que excede o atendimento realizado por geração própria. Isso não significa que o autoprodutor simplesmente deixe de pagar quando sua usina está gerando e passe a pagar quando ela para. A CCEE aplica critérios próprios de contabilização da geração destinada às unidades consumidoras correlatas. Mas a lógica legal é clara: a geração própria deve ser reconhecida no cálculo do encargo. Essa questão é especialmente importante na autoprodução remota. A usina e a carga podem estar em pontos diferentes do SIN, e o atendimento é reconhecido por medição e contabilização na CCEE. O novo critério não pode ignorar essa particularidade nem transformar a própria geração do autoprodutor em nova base genérica de cobrança. A dimensão financeira também exige atenção. O ERCAP apurado pela CCEE alcançou aproximadamente R$ 177,9 milhões em junho de 2026, R$ 200,9 milhões em julho e R$ 543,1 milhões em agosto. Com valores dessa magnitude, qualquer mudança no rateio pode produzir transferências relevantes entre os agentes. Por isso, a discussão não deveria ser reduzida à ideia de que basta mudar o horário de consumo para pagar menos. Para muitos consumidores, essa alternativa não existe ou custa caro demais. Se o novo critério concentrar maior parcela do encargo justamente sobre quem não consegue modificar seu perfil de carga, o resultado será aumento de despesa sem resposta operacional viável. A revisão do ERCAP pode ser necessária, mas precisa ser feita com mais rigor do que a simples substituição de uma metodologia por outra. É preciso demonstrar quem efetivamente causa a necessidade adicional de potência, quem realmente consegue responder ao novo sinal econômico e quem apenas será chamado a pagar mais. No caso dos consumidores, o risco é transformar um suposto incentivo à eficiência em aumento de custo. No caso dos geradores, o risco é criar uma cobrança sem causalidade suficientemente demonstrada. E, no caso dos autoprodutores, o risco é enfraquecer um tratamento legal que reconhece justamente a geração própria destinada ao atendimento da carga. O ERCAP não deveria servir apenas para redistribuir uma conta crescente. O critério de rateio precisa demonstrar relação clara entre causa, uso do sistema e pagamento. Sem isso, a mudança pode apenas transferir custos de um grupo para outro sem resolver o problema estrutural que levou à contratação da reserva de capacidade. FONTES: MME — Consulta Pública nº 229/2026. Lei nº 10.848/2004 — art. 3º-A. Lei nº 15.269/2025. ANEEL — Resolução Normativa nº 1.009/2022. ANEEL — Resolução Normativa nº 1.103/2024. CCEE — Regras de Comercialização 2026. CCEE — Apurações da Reserva de Capacidade de junho, julho e agosto de 2026. ERCAP: MME PROPÕE NOVO CRITÉRIO DE RATEIO COM BASE NOS HORÁRIOS CRÍTICOS DO SIN
- SAF a partir de resíduos: o Brasil pode transformar um passivo ambiental em combustível e investimento?
Resíduos urbanos e biomassas podem integrar uma nova cadeia de produção de combustível sustentável de aviação. Mas, antes de investir centenas de milhões de reais, é preciso responder a uma pergunta fundamental: o projeto é tecnicamente possível — mas é economicamente viável e seu risco é aceitável? Por Eng. Sebastião Carlos Martins — DBEST PLAN – Engenharia e Tecnologia da Informação A discussão sobre o futuro do Combustível Sustentável de Aviação — SAF — vem ganhando espaço no Brasil e no mundo. Grande parte das atenções está concentrada em rotas baseadas em óleos e gorduras, etanol, biogás, biometano e combustíveis sintéticos. Todas são relevantes. Entretanto, existe outra possibilidade que merece atenção especial no Brasil: a utilização de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), resíduos agrícolas, florestais e outras biomassas residuais como matérias-primas para a produção de SAF. A importância dessa alternativa vai além do combustível produzido. Ela cria a possibilidade de enfrentar simultaneamente dois desafios: produzir combustível sustentável para a aviação e encontrar destinação produtiva para materiais que atualmente representam passivos ambientais, logísticos e econômicos. Pode aquilo que hoje representa custo de coleta, transporte, tratamento ou destinação transformar-se em matéria-prima para uma cadeia de produtos de maior valor agregado? A resposta não depende apenas da tecnologia. Depende, sobretudo, de sua viabilidade econômica. Quando o resíduo deixa de ser apenas um problema Todos os dias, municípios brasileiros precisam coletar, transportar, tratar e dar destinação ambientalmente adequada a grandes quantidades de resíduos. Paralelamente, regiões agrícolas, florestais e agroindustriais geram volumes expressivos de biomassa residual. Em determinadas condições, frações adequadas desses materiais podem deixar de ser consideradas exclusivamente um passivo destinado à disposição final e passar a integrar cadeias produtivas de energia e combustíveis. No caso dos resíduos urbanos, já existe uma necessidade permanente de coleta e destinação. Quando técnica, ambiental e economicamente possível, integrar parte desse fluxo a uma cadeia de recuperação de recursos pode criar um modelo com duas funções: tratar adequadamente determinados resíduos e, simultaneamente, produzir energia e combustíveis de maior valor agregado. Com resíduos agrícolas, florestais e agroindustriais, o raciocínio é semelhante. Materiais com características adequadas podem tornar-se insumos para novas cadeias energéticas, contribuindo para conceitos mais amplos de economia circular. É nesse contexto que a produção de SAF a partir de resíduos e biomassa merece ser estudada. Da gaseificação ao combustível sustentável Entre as rotas analisadas pela DBEST PLAN encontra-se a conversão termoquímica. Por meio da gaseificação, determinados resíduos ou biomassas podem ser convertidos em gás de síntese — o chamado syngas — constituído principalmente por monóxido de carbono e hidrogênio. Depois de adequadamente tratado, esse gás pode alimentar processos de síntese de combustíveis, entre eles a rota Fischer-Tropsch. Isso não significa afirmar que gaseificação e Fischer-Tropsch sejam necessariamente superiores a alternativas como HEFA, ATJ, biogás, biometano ou outras tecnologias. A conclusão é justamente outra: o futuro do SAF deverá envolver diferentes matérias-primas e diferentes rotas tecnológicas. Qual tecnologia e qual matéria-prima oferecem, em determinada região, a melhor combinação entre produtividade, CAPEX, OPEX, logística, intensidade de carbono, rentabilidade, maturidade tecnológica e risco? Essa mudança de pergunta é fundamental para quem pretende investir. A logística pode decidir se o projeto é viável Resíduos possuem uma característica que não pode ser ignorada: sua localização. RSU são gerados continuamente nos centros urbanos. Biomassas agrícolas e florestais concentram-se em regiões produtivas específicas. Isso abre espaço para estudar estruturas de produção menos concentradas, com instalações posicionadas de acordo com a disponibilidade regional de matéria-prima e a proximidade dos centros consumidores. Há, entretanto, um princípio econômico elementar: transportar resíduos por grandes distâncias para posteriormente transportar o combustível produzido de volta aos centros consumidores pode eliminar parte da vantagem econômica e ambiental do empreendimento. Por isso, projetos dessa natureza precisam ser analisados regionalmente. A localização de uma planta deve considerar conjuntamente disponibilidade e composição da matéria-prima, distância de coleta, capacidade da instalação, produtividade de SAF, CAPEX, OPEX, custos logísticos, infraestrutura disponível, financiamento, tributação e distância até os centros consumidores. Em determinada região, RSU pode apresentar características favoráveis. Em outra, biomassa agrícola ou florestal pode ser mais adequada. Em outras circunstâncias, etanol, biogás, biometano ou óleos residuais podem apresentar melhores resultados. A análise deve preceder a escolha da tecnologia — e não ser utilizada posteriormente apenas para justificá-la. Tecnologia disponível não significa investimento viável Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para investidores, financiadores e empresários. Uma planta pode funcionar perfeitamente do ponto de vista técnico e, ainda assim, não proporcionar retorno adequado ao capital investido. Projetos de produção de SAF são intensivos em capital. Alterações em CAPEX, OPEX, produtividade, preço do SAF, custo ou remuneração associada à matéria-prima, financiamento, tributação e receitas provenientes de coprodutos podem modificar profundamente sua rentabilidade. Por isso, calcular apenas uma Taxa Interna de Retorno — TIR —, um Valor Presente Líquido — VPL — ou um período de payback não é suficiente para compreender integralmente o risco do investimento. Um resultado determinístico pode transmitir uma falsa sensação de precisão. Qual é a probabilidade de o retorno esperado efetivamente ocorrer? Antes de investir, é preciso medir o risco É nesse ponto que a metodologia utilizada nos estudos da DBEST PLAN procura avançar além da análise financeira determinística tradicional. Além de TIR, VPL e payback, são utilizadas Análise de Sensibilidade e Simulação de Monte Carlo. Em vez de considerar que todas as premissas permanecerão exatamente iguais durante a vida do projeto, a análise probabilística permite trabalhar com variações possíveis das principais grandezas econômicas e operacionais. Com isso, torna-se possível identificar quais variáveis representam os maiores riscos ao capital investido e avaliar a probabilidade de diferentes resultados econômicos. O objetivo de um estudo de pré-viabilidade não deveria ser demonstrar antecipadamente que determinado projeto dará certo. Deveria responder, com a maior objetividade possível: em quais condições o projeto pode ser viável; quais variáveis podem fazê-lo fracassar; qual é a probabilidade de atingir o retorno esperado; e quais medidas podem reduzir esses riscos antes que centenas de milhões de reais sejam comprometidos? O Brasil não precisa escolher uma única rota para o SAF O Brasil possui dimensões continentais, diferentes estruturas econômicas regionais e grande diversidade de recursos. Por isso, resíduos urbanos, biomassa agrícola, resíduos florestais, etanol, biogás, biometano, óleos e gorduras e outras matérias-primas não precisam ser encarados necessariamente como concorrentes absolutos. A solução mais adequada para uma região agrícola pode ser diferente daquela encontrada em uma grande região metropolitana ou em um polo florestal. A decisão deve resultar da comparação entre alternativas. E essa comparação precisa incorporar não apenas eficiência tecnológica, mas também produtividade, investimento necessário, custos operacionais, logística, financiamento, rentabilidade e risco. Esse é o verdadeiro papel de um estudo de pré-viabilidade. Do estudo ao livro Foi a partir dessas questões que desenvolvi, no âmbito da DBEST PLAN – Engenharia e Tecnologia da Informação, a publicação GREEN ECONOMY — PRODUCTION OF SAF FROM URBAN AND RURAL WASTE. A obra, com aproximadamente 210 páginas, foi estruturada para analisar a produção de SAF a partir de resíduos urbanos, rurais e biomassas sob diferentes perspectivas. O livro aborda rotas tecnológicas, viabilidade econômica e financeira, TIR, VPL, payback, análise de sensibilidade, Simulação de Monte Carlo, riscos, bancabilidade, gestão de projetos e segurança jurídica prospectiva. Seu propósito não é convencer o leitor de que determinada tecnologia necessariamente será vencedora. É fornecer elementos para que investidores, financiadores, empresários, engenheiros, gestores e demais profissionais possam formular uma pergunta anterior à decisão de investimento: “Este projeto é tecnicamente possível. Mas é economicamente viável, financiável e seu nível de risco é aceitável?” Para quem deseja ter um primeiro contato com os conceitos, metodologia e principais questões discutidas na publicação, a DBEST PLAN disponibiliza gratuitamente o Resumo SAF. O resumo funciona como porta de entrada; a publicação integral reúne o aprofundamento das premissas, análises e instrumentos de avaliação do investimento. Transformar resíduos em valor exige mais do que tecnologia O desafio brasileiro não é apenas produzir SAF. É descobrir como transformar a necessidade mundial de descarbonização da aviação em oportunidades de investimento, saneamento, economia circular, desenvolvimento regional, geração de empregos e aproveitamento inteligente dos recursos que o país já possui. RSU e biomassa merecem ocupar seu espaço ao lado das demais alternativas tecnológicas. Mas a decisão de investir deve ocorrer somente depois que tecnologia, economia e risco forem analisados conjuntamente. Resíduo pode deixar de representar apenas destino de despesa. Quando tecnologia, mercado e viabilidade econômica convergem, pode transformar-se em combustível, desenvolvimento e lucro verde. SAF a partir de resíduos: o Brasil pode transformar um passivo ambiental em combustível e investimento?
- Trael leva atuação internacional à ExpoCruz 2026, na Bolívia
EXPANSÃO INTERNACIONAL Empresa mato-grossense participa da principal feira multissetorial boliviana, que reúne mais de 2,2 mil marcas e delegações de mais de 30 países A Trael participa da ExpoCruz 2026, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, reforçando a presença da indústria mato-grossense no mercado internacional. Considerada a principal feira multissetorial do país e uma das mais relevantes da América Latina, em setembro. Materiais da Trael integram o estande do Governo de Mato Grosso, instalado na entrada do Pavilhão do Brasil. A participação ocorre em uma edição que marca os 50 anos internacionais da ExpoCruz e reúne mais de 2,2 mil marcas expositoras e delegações de mais de 30 países. Responsável pelas áreas de Marketing e Comercial da Trael, Dimas Yamanaka acompanhou a abertura e destacou que a feira funciona como uma importante vitrine para empresas interessadas em ampliar negócios e acompanhar o cenário econômico boliviano e latino-americano. “A ExpoCruz é uma referência para a América Latina e um verdadeiro termômetro da economia da Bolívia. Estar presente também nos permite acompanhar esse mercado de perto, fortalecer relacionamentos e mostrar a capacidade da indústria de Mato Grosso fora do Brasil”, afirmou. A presença na feira também dá continuidade à atuação internacional da empresa, que conta com uma equipe na Bolívia. Segundo Dimas, essa estrutura permite à Trael manter uma presença constante no país e estreitar a relação com clientes e parceiros locais. A ExpoCruz ocorre em uma área de 16 hectares, que teve cerca de 40% de sua estrutura renovada para a edição deste ano. A expectativa dos organizadores é ultrapassar a marca de 500 mil visitantes. Os resultados dos últimos anos reforçam o peso econômico do evento. Em 2023, a feira recebeu 464 mil pessoas e contabilizou US$ 209 milhões em intenções de negócios. Em 2024, diante de bloqueios e de um cenário de instabilidade no país, o público caiu para 421 mil visitantes, com US$ 203 milhões em intenções de negócios. Já em 2025, a ExpoCruz alcançou 515 mil visitantes, reuniu 2.487 marcas, sendo 795 internacionais, e recebeu 34 delegações estrangeiras. As intenções de negócios chegaram a 1,63 bilhão de bolivianos. Para Dimas, o ambiente de maior previsibilidade econômica amplia as expectativas em torno da edição de 2026 e das possibilidades de aproximação comercial com o mercado boliviano. Ele também ressaltou a parceria do Governo de Mato Grosso na abertura de espaços para a indústria estadual no exterior. Ele agradeceu ao ex-secretário de Desenvolvimento Econômico César Miranda, à atual secretária da pasta, Mayran Beckman, à superintendente de Crédito e Dados da Sedec, Miríam Haddad, e à gerente de Promoção Comercial da Invest MT, Júlia Carloni, pelo apoio à participação empresarial em agendas internacionais. “É importante reconhecer esse trabalho de incentivo à indústria mato-grossense e de abertura de espaços para que nossas empresas estejam presentes fora do país. Essa parceria contribui para aproximar Mato Grosso de novos mercados e criar oportunidades comerciais”, disse. Dimas ainda destacou o trabalho da equipe da Trael na Bolívia, da família Villegas e dos profissionais que atuam na matriz da empresa, estrutura que, segundo ele, sustenta a presença frequente da companhia em agendas Trael leva atuação internacional à ExpoCruz 2026, na Bolívia
- Victron Energy transforma caminhão-reboque em clínica móvel de mamografia com autonomia energética
Caminhão-reboque equipado com sistema da Victron Energy percorre cidades e comunidades na França, garantindo energia estável para equipamentos médicos sensíveis mesmo em locais sem rede elétrica confiável; Tecnologia transforma um veículo em uma unidade de diagnóstico itinerante, e 61% das mamografias realizadas a bordo foram o primeiro exame feito por aquelas mulheres; Como inversores, baterias, carregadores e sistemas de gerenciamento da Victron Energy podem transformar um trailer em uma unidade médica capaz de operar de forma autônoma, tanto na França quanto no Brasil; Energia confiável, temperatura estável e silêncio: os desafios para transformar um trailer em uma unidade médica móvel, confortável e autônoma. Brasil, 25 de setembro de 2026 - Em uma praça no centro de uma cidade francesa ou em uma pequena comunidade distante dos grandes centros urbanos, um caminhão-reboque pode se transformar, por alguns minutos, em uma unidade médica móvel completa de atendimento. Em vez de esperar que as pacientes cheguem a uma clínica, é a clínica que vai até elas. É esse o conceito por trás de um projeto de mamografia móvel que percorre diferentes regiões da França levando exames de prevenção ao câncer de mama para mulheres que, por distância, acesso ou falta de hábito, dificilmente procurariam uma unidade de saúde por conta própria. Por trás dessa mobilidade existe um desafio que pouco aparece nas imagens do atendimento: como garantir energia elétrica confiável para equipamentos médicos de alta sensibilidade em um veículo que passa boa parte do tempo longe da infraestrutura convencional? Mais do que simplesmente alimentar os equipamentos, é preciso manter uma temperatura ambiente estável, com ar-condicionado funcionando de forma contínua, além de assegurar um ambiente silencioso e confortável para pacientes e profissionais de saúde. Nesse cenário, a geração convencional por meio de geradores a combustível pode representar um desafio adicional, devido ao ruído e às vibrações produzidos durante a operação, características pouco compatíveis com um espaço onde as pessoas precisam permanecer tranquilas, concentradas e seguras durante o atendimento. A resposta adotada pelo projeto envolve soluções de energia da Victron Energy, fabricante especializada em sistemas de energia autônoma e armazenamento. A arquitetura permite que a unidade móvel de atendimento opere de forma independente da rede elétrica, fornecendo energia estável para os equipamentos e para toda a infraestrutura necessária ao atendimento. Esse desafio ganha uma dimensão adicional quando a unidade médica está instalada dentro de um caminhão-reboque que percorre diferentes regiões da França. É nesse ponto que entra a engenharia de energia da Victron Energy. Em vez de depender exclusivamente da rede elétrica disponível em cada parada, a unidade móvel utiliza uma arquitetura baseada em armazenamento de energia, inversão de corrente, carregamento e gerenciamento inteligente, criando uma espécie de microrrede elétrica sobre rodas. A proposta é transformar energia armazenada em baterias em uma fonte de alimentação estável para a operação do veículo, permitindo que os equipamentos médicos e sistemas auxiliares continuem funcionando mesmo quando a infraestrutura elétrica externa é insuficiente. Energia como habilitadora da medicina móvel O impacto do projeto aparece nos resultados do atendimento: 61% das mamografias realizadas a bordo foram as primeiras que aquelas mulheres fizeram, segundo os dados apresentados para a iniciativa. A tecnologia energética, portanto, não é o serviço final. Ela é a infraestrutura que torna o serviço possível. Ao combinar armazenamento, conversão e gerenciamento, a Victron Energy ajuda a criar uma plataforma energética capaz de acompanhar a mobilidade da unidade médica. A lógica pode ser replicada em outras aplicações: clínicas móveis, laboratórios itinerantes, unidades de vacinação, atendimento odontológico, telemedicina, centros de emergência e estruturas temporárias em regiões remotas. O conceito é particularmente relevante em um mundo no qual a eletrificação está deixando de ser exclusivamente uma questão de geração e consumo e passa a envolver resiliência, mobilidade e disponibilidade de energia. No caso francês, a engenharia cabe dentro de um caminhão-reboque, mas o conceito é maior: criar uma infraestrutura elétrica autônoma capaz de levar equipamentos críticos até onde a infraestrutura convencional não consegue chegar. No Brasil, a clínica móvel pode ir aonde a rede elétrica não chega No Brasil, o conceito poderia ganhar escala em programas públicos e privados de saúde itinerante. Prefeituras, governos estaduais, hospitais, clínicas particulares e empresas de medicina ocupacional poderiam utilizar unidades de atendimento móveis equipadas com sistemas de energia Victron para levar consultas, exames e serviços preventivos a comunidades rurais, periferias urbanas e regiões com infraestrutura elétrica limitada. A mesma arquitetura poderia alimentar diferentes configurações de atendimento, incluindo mamografia, ultrassonografia, eletrocardiograma, oftalmologia, odontologia, vacinação, coleta e análise laboratorial, consultas médicas e telemedicina. Com painéis solares, baterias, inversores/carregadores e sistemas de monitoramento, a unidade pode ser dimensionada de acordo com a carga de cada equipamento e operar com maior independência da rede elétrica. Em projetos mais sofisticados, o ecossistema GX permite integrar sensores, climatização, alarmes e monitoramento remoto, possibilitando que gestores acompanhem à distância parâmetros críticos da operação. Há inclusive precedentes na América Latina de aplicação da tecnologia em saúde. Na Argentina, um centro médico especializado em tratamento de câncer adotou um sistema Victron com múltiplos inversores Quattro e armazenamento em baterias de lítio para lidar com picos de demanda e limitações da rede elétrica. Os inversores/carregadores Quattro da Victron Energy são equipamentos que combinam inversor e carregador de bateria em uma única solução. Eles podem trabalhar com duas fontes de corrente alternada, como rede elétrica e gerador, e alternar entre elas de forma automática. O caso demonstra que a tecnologia pode ser aplicada não apenas em unidades móveis, mas também como infraestrutura de suporte para instalações médicas com cargas elevadas e necessidade de continuidade operacional. A tecnologia que mantém a clínica móvel funcionando Para transformar um reboque em uma unidade médica autônoma, a Victron Energy combina diferentes equipamentos em uma arquitetura integrada de geração, armazenamento, conversão e gerenciamento de energia. No centro da solução estão os inversores/carregadores MultiPlus-II ou Quattro, que fazem a ponte entre as fontes externas de energia, as baterias e os equipamentos instalados no veículo. Eles podem receber energia da rede ou de um gerador, carregar as baterias e, quando necessário, utilizar a energia armazenada para manter as cargas funcionando. As baterias, incluindo soluções de lítio, funcionam como uma reserva de energia para a unidade. Isso permite que o sistema continue alimentando equipamentos médicos, refrigeração, iluminação, climatização e outros sistemas essenciais mesmo quando a rede elétrica disponível no local apresenta limitações ou deixa de estar disponível. O dimensionamento do banco de baterias é feito de acordo com o consumo e o tempo de autonomia necessários para cada aplicação. Outro componente importante é o Cerbo GX, que atua como uma espécie de central de controle do sistema. Integrado à plataforma GX, ele permite acompanhar informações como consumo de energia, nível de carga das baterias, tensão, potência e funcionamento dos equipamentos. Com conectividade, esses dados também podem ser acompanhados remotamente, facilitando a gestão e a identificação de eventuais alterações no sistema. A arquitetura ainda pode integrar diferentes fontes de energia, incluindo rede elétrica, geradores e energia solar, dependendo da configuração do projeto. Dessa forma, a unidade deixa de depender exclusivamente da infraestrutura elétrica existente em cada local e passa a contar com uma microrrede móvel, capaz de administrar diferentes fontes e priorizar o uso da energia armazenada. Para uma aplicação médica, essa combinação é especialmente relevante porque oferece uma camada adicional de continuidade e estabilidade para cargas sensíveis. Mais do que fornecer energia, a solução permite armazenar, converter, monitorar e gerenciar eletricidade dentro do próprio veículo, criando a infraestrutura necessária para levar serviços de saúde a locais onde a rede elétrica não oferece a mesma disponibilidade encontrada nos grandes centros. Victron Energy transforma caminhão-reboque em clínica móvel de mamografia com autonomia energética
- Com rede WiFi Mesh, a comunicação dos microinversores fica mais estável
Chega de problemas de desconexão. Com rede WiFi Mesh, a comunicação dos microinversores fica mais estável Nos últimos anos, as instalações fotovoltaicas residenciais, em telhados e varandas, se espalharam rapidamente. Pela segurança, pelo tamanho compacto e pela facilidade de instalação, os microinversores se tornaram a escolha preferida para sistemas fotovoltaicos residenciais distribuídos. Seja você usuário final ou instalador, provavelmente já passou pelo mesmo problema recorrente: microinversores desconectando com frequência, dados transmitidos de forma intermitente, falhas ocasionais na proteção anti retorno e no controle remoto. Para o usuário, isso significa abrir o aplicativo e não ver os dados de geração em tempo real. Mesmo com sol forte, o sistema aparece como "offline", e fica a dúvida: o equipamento está funcionando ou não? Para o instalador, isso significa ligações repetidas de clientes reclamando que "o equipamento quebrou", mesmo sabendo que ele está funcionando. Ainda assim, é preciso ir até o local, diagnosticar, reiniciar e explicar. O custo do pós-venda sobe, e a margem cai. Na maioria dos casos, o equipamento não está quebrado. As soluções de comunicação tradicionais não dão conta da complexidade dos telhados e varandas modernas. É por isso que o WiFi Mesh está virando padrão na indústria de microinversores: ele resolve a instabilidade de conexão dos equipamentos fotovoltaicos. O valor de uma comunicação estável vai muito além de "ver os dados de geração". Ela é a base para o funcionamento correto de recursos essenciais, como proteção anti retorno, proteção de conexão à rede e despacho remoto. Por que a comunicação tradicional dos microinversores desconecta tanto? Antes do WiFi Mesh se popularizar, os microinversores dependiam principalmente de dois tipos de comunicação, cada um com limitações relevantes para a experiência do usuário. 1. Redes de rádio (Zigbee / Sub1G) A principal limitação é a necessidade de um gateway dedicado (ECU/DTU) para agregar os dados e conectar à internet, arquitetura ainda muito usada em microinversores baseados em rádio. Diferenças técnicas relevantes: o Zigbee tem suporte nativo a rede Mesh com auto recuperação; alguns sistemas Sub1G usam topologia estrela tradicional, sem auto recuperação nativa, e a retransmissão depende do fabricante. Custo alto de hardware e instalação: uma DTU tem um relevante, exige cabeamento extra e configuração individual de cada equipamento, o que aumenta bastante o tempo de instalação. Risco de ponto único de falha: se uma ECU/DTU falhar, todo o sistema para de transmitir dados e de responder a comandos. 2. Conexão WiFi direta tradicional Sem DTU adicional, mas com arquitetura em topologia estrela e limitações importantes: cada microinversor precisa se conectar diretamente ao roteador da casa, sem retransmissão entre equipamentos. O congestionamento na faixa de 2,4 GHz, os limites de conexão e os conflitos de rede causam desconexões frequentes. Telhados compridos, casas com vários andares, varandas altas: o sinal é bloqueado. Equipamentos distantes: sinal fraco, desconexões repetidas, reclamação de cliente. Muitos equipamentos no mesmo roteador: congestionamento e latência. Incapacidade de atender requisitos de conexão à rede e gestão de VPP*. *VPP (Virtual Power Plant, ou usina virtual): plataforma em nuvem que coordena milhares de sistemas fotovoltaicos. Comunicação instável reduz a qualidade de resposta e pode impedir a participação do usuário, com perda de receita. II. A rede WiFi Mesh da TSUNESS: cada microinversor vira um "repetidor de sinal" A lógica por trás do WiFi Mesh da TSUNESS é simples: eliminar a exigência de que todos os equipamentos se conectem diretamente ao roteador, como acontece no WiFi tradicional. Cada microinversor e medidor inteligente retransmite o sinal, formando uma rede Mesh local com autorrecuperação, adequada para instalações complexas. Não é preciso trocar o roteador. Vantagens exclusivas da TSUNESS: Primeira do mundo a integrar WiFi Mesh em produção em massa. O módulo Mesh vem embutido no próprio equipamento, sem acessórios externos. Suporta até 10 unidades em conexão contínua, otimizado para não sobrecarregar roteadores domésticos (que costumam suportar de 10 a 15 dispositivos de alta carga). 1. Fim das zonas sem sinal Basta um microinversor se conectar ao roteador; todos os outros entram na rede automaticamente. Resultado: dados em tempo real no aplicativo e menos chamados de assistência técnica. 2. Rede com auto recuperação Sem ponto único de falha. Se um equipamento cai, a rede se reorganiza em milissegundos. 3. Comunicação local sem DTU Microinversores e medidores se comunicam localmente pelo roteador, mesmo sem internet. Isso gera economia, agiliza a instalação e deixa as funções essenciais mais confiáveis. 4. Internet fora do ar, funções essenciais continuam ativas Proteção antirretorno, proteção de conexão à rede e controle de potência seguem ativos pela rede local. III. Tendência do setor: WiFi Mesh vira padrão em microinversores O WiFi Mesh já está em produção em massa e deixando de ser um diferencial premium para se tornar configuração padrão. Com custos em queda e a tecnologia mais madura, os fabricantes estão adotando essa solução em escala. A TSUNESS, pioneira na industrialização da integração Mesh, segue na frente dessa inovação. A disputa no mercado fotovoltaico residencial está deixando de girar só em torno de eficiência. Estabilidade de comunicação, custo de manutenção mais baixo e inteligência do sistema também viraram critérios decisivos. A adoção em escala do WiFi Mesh da TSUNESS reduz de forma significativa os problemas de desconexão, a complexidade da rede e a manutenção pesada. Para o usuário: uma experiência mais tranquila.Para o instalador: menos chamados, mais satisfação do cliente.
- Quando inovação, energia e sustentabilidade se encontram
A semana terminou, mas algumas experiências continuam reverberando. Entre 21 e 25 de setembro, Porto Alegre recebeu a quinta edição da Semana Caldeira, um dos grandes encontros de inovação e empreendedorismo do País. Foram centenas de atividades, mais de 400 palestrantes confirmados, mais de 100 horas de conteúdo e milhares de participantes circulando pelo Instituto Caldeira. O tema escolhido para esta edição foi “Inovar é Saber Ver”. E talvez essa frase sintetize melhor do que qualquer outra o que acontece naquele espaço. Uma comunidade que aprende em movimento O Instituto Caldeira nasceu com uma proposta especialmente importante para o momento que estamos vivendo: aproximar pessoas, empresas, startups, universidades, investidores e diferentes atores do ecossistema de inovação. Instalado em um antigo complexo industrial de Porto Alegre, o Caldeira transformou um espaço físico em uma comunidade de inovação. A Semana Caldeira é, de certa maneira, a manifestação mais visível dessa comunidade. O que chama a atenção não é apenas a quantidade de palestras. É a dinâmica. Pessoas que talvez jamais se encontrassem em seus ambientes profissionais passam a compartilhar os mesmos corredores, cafés, salas e auditórios. Empreendedores encontram investidores. Executivos encontram pesquisadores. Jovens conversam com profissionais experientes. Ideias são apresentadas, questionadas, aprimoradas e, algumas vezes, transformadas em negócios. É nesse ambiente que a inovação deixa de ser uma palavra abstrata e passa a ser uma experiência social. Desde que conheci o Caldeira, percebi que esse era o espírito daquele espaço: formar uma comunidade. Talvez por isso seja tão interessante poder enxergar as salas, circular pelos ambientes e perceber as pessoas se encontrando. Há uma exposição positiva, quase uma horizontalidade, em que todos podem aprender, ensinar, apresentar uma ideia ou simplesmente iniciar uma conversa que poderá produzir consequências muito maiores no futuro. Quando um problema vira uma solução global Entre os nomes que passaram pelo Caldeira estava Uri Levine, cofundador do Waze, aplicativo de navegação e mobilidade que ajudou a transformar a maneira como milhões de pessoas se deslocam pelas cidades. Levine também esteve no evento autografando seu livro Apaixone-se pelo Problema, Não pela Solução. Sua trajetória é um bom exemplo de como uma necessidade cotidiana pode se transformar em uma solução tecnológica de alcance global. O trânsito era um problema. A tecnologia foi utilizada para criar uma nova maneira de lidar com ele. A Semana Caldeira reuniu nomes como ele ao lado de empreendedores, cientistas, executivos e especialistas de diferentes áreas. E essa diversidade talvez seja um dos maiores ativos do evento: colocar conhecimentos diferentes no mesmo ambiente e permitir que novas conexões aconteçam. A tecnologia já não cabe em uma única caixa Aproveitei também a atmosfera da semana para conhecer melhor a Brivia, que integra o ecossistema do Caldeira. Em conversa com Márcio Coelho, fundador e CEO da Brivia e CEO do Brivia Group, pude compreender melhor uma empresa cuja atuação ultrapassa o conceito tradicional de uma companhia de tecnologia. A Brivia se posiciona como uma Creative Smartech, combinando tecnologia, dados, criatividade, estratégia, experiência do usuário e inteligência artificial para apoiar processos de transformação digital. Essa combinação revela uma mudança importante no mundo dos negócios. Tecnologia, comunicação, criatividade, dados e inteligência artificial já não podem ser tratados como universos separados. Eles estão se misturando para criar novas formas de relacionamento entre empresas e sociedade. E essa transformação interessa diretamente ao setor de energia. Estamos entrando em uma era em que os sistemas energéticos também estão se tornando mais digitais, distribuídos e inteligentes. Geração distribuída, armazenamento, veículos elétricos, medidores inteligentes, inteligência artificial, redes inteligentes e novos modelos de gestão da demanda estão mudando a própria arquitetura do setor elétrico. Do ecossistema de inovação ao futuro do planeta Mas foi no último dia da Semana Caldeira, durante o ESG Day, que encontrei a conexão que mais me interessou. Assisti à participação de Felipe Villela, diretor para a América Latina do The Earthshot Prize. Porto-alegrense, Felipe representa na região uma iniciativa criada pelo então Príncipe William em 2020 com uma missão ambiciosa: encontrar, reconhecer e ajudar a ampliar soluções capazes de enfrentar os grandes desafios ambientais do planeta. O Earthshot trabalha com cinco objetivos para 2030: proteger e restaurar a natureza, limpar o ar, recuperar os oceanos, construir um mundo sem desperdício e enfrentar a crise climática. Existe algo particularmente interessante nessa estratégia. O Earthshot combina ciência, inovação, negócios, comunicação e cultura. Ao lado das soluções ambientais, existe um grande esforço de comunicação global. Celebridades, artistas e personalidades de diferentes áreas ajudam a levar o tema para públicos que talvez não acompanhassem uma conferência tradicional sobre clima. É uma espécie de grande palco mundial da sustentabilidade quase um “Oscar da sustentabilidade” capaz de transformar soluções ambientais em histórias que despertam atenção e mobilizam pessoas. A estratégia parte de uma constatação importante: não basta desenvolver soluções. É preciso fazer com que elas sejam conhecidas, compreendidas, valorizadas e adotadas. Uma lembrança que atravessou gerações Felipe Villela dividiu a conversa com a jornalista Fernanda Zaffari, fundadora da fzUKConnect, e em determinado momento surgiu uma lembrança especial: 2026 marca o centenário de nascimento de José Lutzenberger. Lara Lutzenberger estava na plateia. A lembrança provocou um daqueles momentos em que o presente parece conversar diretamente com o passado. Lara agradeceu a referência e falou sobre a importância de seu pai e sobre como sua voz continua ecoando décadas depois de sua atuação no movimento ambientalista brasileiro. Como voluntário da Fundação Gaia, acompanho o esforço para manter vivo esse legado. Lutzenberger não falava apenas de preservação ambiental. Falava de uma mudança de consciência. Questionava um modelo de desenvolvimento que separava artificialmente economia, sociedade e natureza. E existe uma conexão histórica particularmente simbólica nessa história. No início dos anos 1990, Lutzenberger esteve com o então Príncipe Charles, hoje Rei Charles III, em um encontro a bordo do Royal Yacht Britannia, durante a passagem do príncipe pela Amazônia. Décadas depois, o nome de Lutzenberger reaparece em uma conversa sobre inovação e sustentabilidade justamente no contexto do Earthshot, iniciativa criada por seu filho, o atual Príncipe William. Não se trata de dizer que uma história determina a outra. Trata-se de perceber como algumas ideias sobrevivem aos seus autores. A energia como infraestrutura da nova civilização Talvez seja aqui que inovação, sustentabilidade e energia se encontrem. Estamos entrando em uma época em que inteligência artificial, eletrificação, armazenamento de energia, redes inteligentes, veículos elétricos, novas formas de produção e tecnologias de baixo carbono estão transformando a economia. Mas nenhuma dessas tecnologias existe sem energia. Mais do que isso: a qualidade, o custo, a disponibilidade e a forma como produzimos e distribuímos energia determinarão boa parte das possibilidades dessa nova economia. Precisamos produzir energia limpa, mas também precisamos democratizar seu acesso, modernizar as redes, permitir que consumidores participem mais ativamente do sistema, ampliar a geração distribuída, incorporar armazenamento e criar condições para que os novos recursos energéticos sejam efetivamente utilizados pela sociedade. A transição energética é, portanto, também uma transição tecnológica e social. E há uma questão ainda maior: para que queremos essa energia? Não se trata simplesmente de produzir mais eletricidade. Trata-se de criar condições para uma sociedade mais eficiente, conectada, inclusiva e sustentável. Uma sociedade em que a energia possa alimentar novas tecnologias sem ampliar desigualdades ou comprometer os sistemas naturais que sustentam a própria vida. Saber ver o futuro É exatamente por isso que espaços como o Caldeira são importantes. O futuro não será construído por uma única tecnologia, uma única empresa ou uma única instituição. Ele será resultado das conexões entre diferentes conhecimentos, pessoas e visões. Saí da Semana Caldeira com essa impressão: inovar é, de fato, saber ver. Ver aquilo que ainda não existe. Ver possibilidades onde outros enxergam apenas problemas. Ver a tecnologia como instrumento, e não como finalidade. E, principalmente, enxergar que sustentabilidade não é um departamento dentro das empresas ou um capítulo separado da inovação. É uma questão de futuro. Talvez a maior inovação de que precisamos seja justamente aprender a construir esse futuro juntos com tecnologia, energia limpa, conhecimento, consciência e, sobretudo, uma visão de humanidade capaz de compreender que o planeta não é apenas o lugar onde vivemos. É a nossa casa. Quando inovação, energia e sustentabilidade se encontram
- FX Recharge anuncia 25% de desconto para motoristas de aplicativo e taxistas
Programa FX DRIVER oferece condições especiais de recarga em todos os postos da rede; para participar, motoristas devem se cadastrar no aplicativo FX Recharge A FX Recharge anunciou o FX DRIVER, programa de benefícios voltado a motoristas de aplicativo e taxistas que utilizam veículos elétricos. A iniciativa oferece 25% de desconto nas recargas em todos os postos da rede, mediante cadastro no aplicativo da empresa. O programa contempla profissionais que atuam em plataformas como Uber, 99 e outros aplicativos, além de taxistas. O benefício é oferecido pela própria FX Recharge e direcionado aos motoristas, sem representar anúncio de parceria com essas plataformas. A proposta é aproximar a infraestrutura de recarga da rotina de quem utiliza o carro como ferramenta de trabalho. Para esse público, o valor pago pela energia é um dos componentes do custo de operação, e uma tarifa reduzida pode contribuir para diminuir as despesas ao longo do mês. Economia que acompanha a rotina do motorista Em uma tarifa de referência de R$ 2,50 por kWh, o desconto de 25% corresponde a um valor de R$ 1,875 por kWh — aproximadamente R$ 1,88. Nesse exemplo, uma sessão de 40 kWh, que custaria R$ 100, passa a custar R$ 75, representando uma economia de R$ 25. Em um consumo mensal hipotético de 800 kWh, a despesa cairia de R$ 2.000 para R$ 1.500, uma diferença de R$ 500. Os valores são ilustrativos: a economia efetiva depende da tarifa vigente e da quantidade de energia utilizada nas recargas. Diferentemente de uma oferta restrita à primeira utilização, o FX DRIVER foi apresentado como um benefício para acompanhar as recargas dos profissionais cadastrados. Uma rede mais próxima de quem trabalha ao volante Com o programa, a FX Recharge busca ampliar seu relacionamento com motoristas profissionais e tornar seus postos parte da rotina desse público. A iniciativa combina o acesso à infraestrutura com uma condição comercial específica para quem depende do veículo no dia a dia. O aplicativo funciona como ponto de entrada para o cadastro e o acesso ao benefício. O movimento também reforça o posicionamento da FX Recharge de desenvolver uma rede que associe recarga, identidade própria e programas voltados a diferentes perfis de usuários. Como participar Para ter acesso ao FX DRIVER, o motorista de aplicativo ou taxista deve baixar o aplicativo FX Recharge e realizar seu cadastro. A oferta anunciada prevê 25% de desconto nas recargas em todos os postos da rede. As informações sobre o acesso ao benefício e as condições de utilização devem ser consultadas nos canais oficiais da FX Recharge. FX Recharge anuncia 25% de desconto para motoristas de aplicativo e taxistas
- PRECISAMOS FALAR SOBRE O OPEN ENERGY
Frederico Boschin PRECISAMOS FALAR SOBRE O OPEN ENERGY Open Energy é a abertura dos dados de consumo de energia elétrica, permitindo que os consumidores tenham mais controle sobre seu uso e possibilitando a criação de soluções inovadoras e produtos personalizados. O Open Energy é bastante similar ao conceito de Open Banking (ou Open Finance) e Open Insurance, mas aplicado ao setor de energia elétrica. Todos estes formatos envolvem a abertura de dados para promover transparência, inovação e benefícios para os consumidores. Enquanto o Open Banking/Finance se concentra nas finanças, investimentos e serviços bancários, e Open Insurance para seguros; o Open Energy visa transformar a maneira como consumimos e gerenciamos a energia elétrica. O movimento de dados abertos, em particular, teve início dos anos 2000, impulsionado por iniciativas governamentais e organizações internacionais que visavam promover a transparência, a inovação e a participação pública. Neste sentido, o conceito de Open Energy surgiu como uma extensão do movimento de dados abertos (open data) e das iniciativas de energia sustentável que ganharam força nas últimas décadas. Vários países implementaram políticas de dados abertos que incluíam o setor de energia, como por exemplo, (i) Estados Unidos com a Open Energy Data Initiative (OEDI) e o Data.gov, que inclui uma seção dedicada a dados de energia a EIA (U.S. Energy Information Administration) disponibiliza uma vasta gama de dados sobre produção, consumo, preços e infraestrutura de energia nos Estados Unidos; (ii) Reino Unido: o National Grid e outras entidades começaram a publicar dados energéticos detalhados e acessíveis; e (iii) União Europeia: a Comissão Europeia promove várias iniciativas para a abertura de dados energéticos através do programa Horizon 2020, entre elas a ENTSO-E Transparency Platform que é a plataforma de transparência da European Network of Transmission System Operators for Electricity (ENTSO-E) e oferece dados sobre o sistema elétrico europeu; Existem outros exemplos de aplicações e fontes de dados abertos em energia: (i) OpenEI (Open Energy Information) que oferece uma plataforma colaborativa com dados sobre recursos energéticos, tecnologias e políticas; e a (ii) RESDAT (Renewable Energy Sources Database) que é a base de dados com informações sobre projetos de energia renovável em vários países. Com o Open Energy, mediante a autorização do consumidor, existe o compartilhamento de dados energéticos para outras empresas e organizações. O acesso a informações detalhadas sobre consumo de energia de um usuário poderiam, portanto, serem acessadas por diferentes entidades, sejam públicas ou privadas, e utilizados por diversos stakeholders, incluindo governos, empresas, pesquisadores e consumidores, para promover a transparência, a eficiência e a sustentabilidade no setor energético. Como funciona? Tradicionalmente, as distribuidoras de energia compilam e mantêm os dados de consumo em sigilo. De forma geral, o Open Energy envolve a disponibilização de uma ampla gama de informações sobre o setor energético. Essas informações são variadas e podem ser utilizadas para diferentes propósitos, desde a pesquisa e desenvolvimento até a tomada de decisões informadas por consumidores e empresas: 1. Dados de Produção de Energia - Quantidade de Energia Gerada: Dados sobre a quantidade de energia gerada por diferentes tipos de usinas (eólica, solar, hidroelétrica, nuclear, térmica etc.). Capacidade Instalada: Informações sobre a capacidade instalada de geração de energia em diferentes regiões e tipos de fontes. Desempenho das Usinas: Eficiência, fatores de capacidade e disponibilidade das usinas de geração. 2. Dados de Consumo de Energia - Consumo por Setor: Dados sobre o consumo de energia em setores residenciais, comerciais, industriais e de transporte. Padrões de Consumo: Informações sobre o consumo de energia ao longo do tempo (diário, semanal, sazonal) e em diferentes regiões. Consumo por Tipo de Energia: Detalhamento do consumo de eletricidade, gás natural, petróleo etc. 3. Dados de Preços e Tarifas - Preços de Energia: Informações sobre os preços da eletricidade, gás natural e outros combustíveis, incluindo tarifas por hora e por tipo de consumidor. Estrutura Tarifária: Detalhes sobre a estrutura tarifária aplicada a diferentes tipos de consumidores e horários. 4. Dados de Infraestrutura Energética - Localização e Capacidade das Infraestruturas: Informações sobre a localização de usinas, subestações, redes de transmissão e distribuição. Interconexões e Fluxos de Energia: Dados sobre os fluxos de energia entre diferentes regiões e através de fronteiras internacionais. 5. Dados Ambientais e de Sustentabilidade - Emissões de Gases de Efeito Estufa: Informações sobre as emissões associadas à geração e consumo de energia. Impactos Ambientais: Dados sobre o uso de recursos naturais, impactos ambientais de projetos de energia, e medidas de mitigação implementadas. Energia Renovável: Informações sobre a geração e o uso de energias renováveis, incluindo incentivos e subsídios. 6. Dados de Mercado e Financeiros - Mercado de Energia: Dados sobre operações de mercado, preços de mercado spot, futuros de energia, e contratos de compra de energia (PPAs). Investimentos e Financiamentos: Informações sobre investimentos em infraestrutura energética e financiamento de projetos de energia. 7. Dados de Políticas e Regulamentações - Legislação e Normas: Informações sobre políticas energéticas, regulamentações, e metas de eficiência energética e redução de emissões. Incentivos e Subsídios: Detalhes sobre incentivos governamentais para energias renováveis e eficiência energética. Desta forma, a prática de abrir dados no setor energético tem o potencial de transformar o setor de várias maneiras, promovendo a eficiência, a sustentabilidade e a inovação. Portanto, à medida que mais países e organizações adotam práticas de Open Energy, espera-se que novas tecnologias e soluções sejam desenvolvidas, contribuindo para a transição global para um sistema energético mais limpo e eficiente, com vantagens amplas: Transparência e Empoderamento do Consumidor: O Open Energy permite que os consumidores acessem dados detalhados sobre seu consumo de energia. Isso possibilita uma compreensão mais clara dos padrões de uso e ajuda a tomar decisões informadas. Inovação e Desenvolvimento de Soluções Personalizadas: Com dados abertos, empresas e desenvolvedores podem criar aplicativos e serviços inovadores. Por exemplo, aplicativos que recomendam horários mais econômicos para usar energia ou que otimizam o uso de painéis solares. Eficiência Energética: Com informações detalhadas, é possível identificar áreas de desperdício e implementar medidas para reduzir o consumo. Isso beneficia tanto os consumidores quanto o meio ambiente. Integração com Outros Setores: O Open Energy pode se integrar ao Open Banking, permitindo que os consumidores gerenciem suas finanças e consumo de energia em uma única plataforma. Diversificação de Fontes de Energia: Com acesso a dados, é possível explorar fontes alternativas de energia, como solar, eólica ou geotérmica. Em resumo, o Open Energy promove maior conscientização, eficiência e inovação no setor elétrico. Todavia, muito embora o Open Energy e os dados abertos no setor elétrico ofereçam muitas vantagens, também existem alguns pontos de atenção a serem consideradas: Privacidade e Segurança: Com dados abertos, há preocupações com a privacidade dos consumidores. Informações detalhadas sobre o consumo de energia podem ser sensíveis e precisam ser protegidas adequadamente. Complexidade Técnica: Implementar e manter sistemas de dados abertos requer infraestrutura e recursos técnicos. Isso pode ser desafiador para algumas empresas ou organizações. Acesso Desigual: Nem todos os consumidores têm igual acesso ou capacidade de aproveitar os dados abertos. Isso pode criar disparidades entre aqueles que podem se beneficiar e aqueles que não podem. Sobrecarga de Informações: Muitos dados podem ser esmagadores para os consumidores. Interpretar e usar essas informações requer conhecimento e habilidades específicas. De forma geral, porém, a abertura de dados é um componente crucial para o avanço do setor energético, promovendo a eficiência, a inovação e a sustentabilidade. Referências: https://www.entsoe.eu/ https://www.data.gov.uk/ https://data.openei.org/ https://dados.ons.org.br/ https://epbr.com.br/abraceel-sai-em-defesa-do-open-energy-e-quer-dados-abertos-na-conta-de-luz/ https://dadosabertos.aneel.gov.br/ https://forbes.com.br/principal/2019/07/quais-sao-os-pros-e-contras-do-modelo-energetico-do-brasil/ https://www.energysage.com/energy-policy/open-energy/ https://www.utilitydive.com/news/open-energy-what-it-is-and-why-its-important/600145/ https://openei.org/wiki/Main_Page PRECISAMOS FALAR SOBRE O OPEN ENERGY
- FX Recharge oferece 15% de desconto na primeira recarga e prepara novos benefícios para motoristas
Aplicativo aproxima usuários da rede e faz parte da estratégia da empresa de integrar infraestrutura, conveniência e vantagens na mobilidade elétrica. A FX Recharge anunciou um benefício para quem vai realizar a primeira recarga pelo aplicativo da marca: 15% de desconto no primeiro abastecimento elétrico na rede. A iniciativa marca uma nova etapa no relacionamento da empresa com os motoristas e abre caminho para um programa de benefícios e parcerias que deverá ganhar novas ações nos próximos meses. A proposta é fazer do aplicativo um ponto de conexão entre o motorista e sua experiência de recarga. Além do desconto inicial, a FX Recharge pretende reunir vantagens que acompanhem o uso cotidiano do veículo elétrico, aproximando os usuários das estações e dos estabelecimentos parceiros. O aplicativo já está disponível gratuitamente para iPhone na App Store. Entre os recursos apresentados estão a localização de estações, a consulta de informações dos carregadores, o início e o acompanhamento das sessões e o acesso ao histórico de recargas, consumo e valores. Segundo a empresa, a publicação na Google Play, para dispositivos Android, está prevista para os próximos dias. Uma experiência de recarga mais inteligente Para a FX Recharge, tornar a recarga mais inteligente significa ajudar o motorista a organizar sua rotina: encontrar uma estação, consultar as informações do ponto, acompanhar o abastecimento e aproveitar os benefícios disponíveis. Essa visão orienta a estratégia da empresa de combinar a expansão da infraestrutura com um relacionamento mais próximo dos usuários. O aplicativo passa a ser também um canal para apresentar novidades e facilitar o acesso às vantagens da rede. Com essa abordagem, a FX Recharge busca se consolidar como uma referência em experiência de recarga e contribuir para o desenvolvimento da eletromobilidade no Brasil. A ambição vai além da instalação de carregadores: envolve construir uma relação contínua com quem já utiliza um veículo elétrico e com quem começa a conhecer essa forma de mobilidade. O primeiro desconto abre caminho para novas vantagens De acordo com a FX Recharge, o benefício de boas-vindas é o primeiro passo de um programa que prevê novas ofertas e ações com parceiros. Os detalhes serão divulgados gradualmente nos canais da empresa. A estratégia é aproximar a recarga dos hábitos dos motoristas e dos locais que fazem parte de sua rotina. Ao acompanhar a expansão da rede, o usuário poderá consultar os pontos disponíveis em sua cidade ou ao longo de seus trajetos e conhecer as oportunidades oferecidas em cada etapa. Como baixar o aplicativo e utilizar os 15% de desconto Baixe o aplicativo FX Recharge. Para iPhone, acesse a página oficial na App Store. A versão para Android tem lançamento previsto para os próximos dias, segundo a empresa. Faça seu cadastro. Preencha os dados solicitados e configure a forma de pagamento, seguindo as orientações do aplicativo para cartão ou Pix. Escolha a estação. Localize o ponto da rede FX Recharge em que deseja carregar e selecione o carregador que será utilizado. Resgate o benefício antes de iniciar. Na etapa de início da recarga, acesse a opção de cupom, selecione o benefício de primeira recarga e confirme o resgate. Confira a aplicação dos 15% de desconto antes de prosseguir. Inicie e acompanhe a recarga. Siga as instruções do aplicativo e do equipamento para conectar o veículo e começar a sessão. O motorista já pode baixar o aplicativo, realizar seu cadastro e consultar as estações disponíveis. As próximas novidades do programa de benefícios e parceiros serão anunciadas pela FX Recharge, que prepara novas formas de unir economia, conveniência e proximidade com os usuários. FX Recharge oferece 15% de desconto na primeira recarga e prepara novos benefícios para motoristas











