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  • O Futuro da Mobilidade: Elétricos, Híbridos e o Impacto das Marcas Chinesas na Indústria Automobilística

    Por Ricardo Honório – EnergyChannel O Futuro da Mobilidade: Elétricos, Híbridos e o Impacto das Marcas Chinesas na Indústria Automobilística A indústria automobilística global passa por uma transformação acelerada. Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel, os especialistas Eustáquio Sirolli, MSc., consultor em H2 & Fuel Cell , e Eduardo Pincigher, consultor e jornalista automotivo , analisam o panorama atual do setor e as tendências que irão definir os próximos anos. O domínio crescente das marcas chinesas Para Eustáquio Sirolli, a principal mudança que desafia as montadoras tradicionais é a rápida ascensão das marcas chinesas. “Todas as empresas centenárias, europeias, norte-americanas e até japonesas, estão percebendo o avanço das chinesas no segmento de veículos eletrificados. O que elas conquistaram em uma década, nós ainda estamos alcançando”, explica. O Futuro da Mobilidade: Elétricos, Híbridos e o Impacto das Marcas Chinesas na Indústria Automobilística Segundo Sirolli e Eduardo Pincigher, a vantagem chinesa é simples: começaram antes. “Elas investiram cedo em tecnologia, baterias e eletrificação. Hoje, marcas como BYD e GWM já aparecem com força e ganham espaço em mercados globais”. Elétricos não dominarão tão cedo Apesar do crescimento do setor elétrico, ambos os especialistas concordam que o carro totalmente elétrico ainda não será predominante em escala mundial. Eduardo Pincigher destaca que existem fatores regionais e políticos que impactam diretamente essa adoção. “Na Europa, há países que não produzem automóveis e, por isso, aceleram a eletrificação para atender agendas ambientais e políticas. Outros, como Alemanha, França e Itália, que possuem forte produção industrial, seguem priorizando modelos híbridos ou a combustão devido ao impacto social e econômico” , afirma. O Futuro da Mobilidade: Elétricos, Híbridos e o Impacto das Marcas Chinesas na Indústria Automobilística O especialista reforça que, fora da Europa, o cenário também é diverso. “Nos Estados Unidos, fora de estados como Califórnia e Flórida, o consumo ainda é dominado por picapes V8. No Brasil, o etanol ainda é uma realidade forte, o que mantém os motores a combustão relevantes por muitos anos”. Híbridos e o papel do consumidor Para Sirolli, o futuro imediato da mobilidade será híbrido. “Os veículos híbridos permitem que a indústria continue avançando sem sacrificar produção, empregos e viabilidade econômica. O avanço dos elétricos será gradual, dependendo da tecnologia, infraestrutura e aceitação do consumidor”. Eduardo Pincigher complementa: “O consumidor é a peça-chave. Com tecnologias mais acessíveis, baterias de maior autonomia e recarga rápida, o elétrico terá espaço, mas não substituirá a combustão da noite para o dia. Pequenos deslocamentos urbanos já são adequados para elétricos, mas viagens longas ainda exigem soluções híbridas”. Um setor em constante adaptação A conversa evidencia que o setor automotivo mundial vive um momento de choque de paradigmas: de um lado, a inovação tecnológica das marcas chinesas; do outro, a experiência e tradição das montadoras centenárias. Entre pressões políticas, expectativas do consumidor e desafios tecnológicos, a transição energética no transporte será gradual, híbrida e regionalmente diversa. Como conclui Sirolli, “o elétrico é o futuro, mas o caminho até ele é complexo. Híbridos, combustão e novas tecnologias de armazenamento de energia vão coexistir por muitos anos”. O Futuro da Mobilidade: Elétricos, Híbridos e o Impacto das Marcas Chinesas na Indústria Automobilística

  • Arquitetura Solar e BIPV: A Revolução Energética nas Cidades Brasileiras

    São Paulo, 12 de setembro de 2025  – A integração entre arquitetura e energia solar ganha cada vez mais força no Brasil, especialmente com a aplicação de BIPV (Building-Integrated Photovoltaics) . Essa tendência foi o destaque do 4º Congresso Mulheres da Energia , evento que reuniu especialistas, arquitetos e profissionais do setor de energia renovável para discutir inovação e sustentabilidade no ambiente urbano. O jornalista Ricardo Honório , do EnergyChannel, conversou com Clarissa Zomer , arquiteta e Dra. em Engenharia Civil , Diretora de Projetos Arquitetônicos da Garantia Solar BIPV , empresa especializada em desenvolver e executar projetos de BIPV que integram a energia solar à arquitetura de forma harmoniosa e eficiente. “O BIPV permite que módulos solares deixem de ser apenas geradores de energia e passem a compor funções da arquitetura: fachadas, coberturas, vidros… tudo pode ser integrado de forma funcional e estética”, explicou Clarissa. Segundo a especialista, um dos principais desafios ainda é o conhecimento técnico dos arquitetos , que muitas vezes não incorporam soluções solares desde a concepção do projeto, elevando custos em caso de retrofit. “Se o arquiteto não pensa nisso no projeto inicial, transformar uma fachada convencional em um sistema fotovoltaico depois sai muito mais caro. A grande beleza da arquitetura solar é unir estética e retorno financeiro”, destacou. Clarissa também ressaltou o potencial de lucratividade das fachadas : “Hoje, uma edificação pode gerar recursos para seus ocupantes. O BIPV transforma revestimentos em ativos energéticos, aproveitando áreas que antes eram subutilizadas, como fachadas de prédios altos em centros urbanos”, explicou. Crescimento da Arquitetura Solar no Brasil O interesse pelo BIPV vem aumentando no país, especialmente entre clientes finais que buscam projetos personalizados e eficientes . Clarissa atua também como Diretora de BIPV da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída) , reforçando a importância de disseminar conhecimento técnico e estratégico sobre arquitetura solar. “Ainda estamos começando no Brasil. Comparado a outros países, a procura é baixa, mas quem se capacita nesse segmento ganha uma grande vantagem competitiva”, afirmou. Ela destacou que a Garantia Solar BIPV  conta com uma equipe multidisciplinar e fornecedores especializados para garantir a qualidade dos projetos, desde pergolados solares residenciais  até grandes fachadas comerciais, sempre buscando estética, eficiência energética e aproveitamento inteligente do espaço . BIPV como Estratégia de Transformação Urbana A aplicação de BIPV é especialmente relevante em cidades como São Paulo, onde a área de fachadas pode ser até cinco vezes maior que a cobertura , representando um enorme potencial energético. “Mesmo que a geração seja menor que na cobertura, ainda assim é significativa. Cada unidade consumidora poderia receber uma fração dessa energia, gerando conforto e economia para famílias”, destacou Clarissa. A profissional reforça que o futuro da arquitetura urbana  passa pela integração entre design e energia renovável, aproveitando espaços já existentes sem a necessidade de novas áreas de solo, e tornando a cidade mais eficiente e sustentável. Congresso Mulheres da Energia Clarissa participou de todas as edições do congresso e comentou sobre a evolução do evento : “Cada ano é melhor. A programação é cuidadosamente planejada, e a abertura foi maravilhosa. É inspirador ver como a energia solar e a arquitetura caminham juntas, e como mais mulheres estão liderando essa transformação”. Ela encerrou destacando a importância de levar conhecimento ao público e convidou arquitetos e construtores a conhecerem seu estúdio em São Paulo, para debater novas soluções em arquitetura solar e BIPV . Arquitetura Solar e BIPV: A Revolução Energética nas Cidades Brasileiras

  • Infraestrutura de Recarga Rápida (DC) cresce 59% em seis meses no Brasil

    Estações públicas e semi públicas sobem 14% desde fevereiro e chegam a 16.880 Infraestrutura de Recarga Rápida (DC) cresce 59% em seis meses no Brasil O Brasil tem 16.880 pontos públicos e semi públicos de carregamento de veículos elétricos, segundo a última atualização concluída em agosto pela Tupi Mobilidade, em parceria com a ABVE. O destaque são os carregadores rápidos (DC), que cresceram 59% em seis meses. Na comparação com o levantamento anterior, de fevereiro (14.827), houve um crescimento de 14% na rede total de infraestrutura de recarga pública e semipública do país. Considerando que a frota de veículos elétricos plug-in no Brasil (BEV e PHEV) totalizou 302.225 unidades (de 2022 a agosto de 2025, segundo a ABVE Data), chega-se a uma relação de 18 veículos por eletropostos.  Infraestrutura de Recarga Rápida (DC) cresce 59% em seis meses no Brasil Desse total: 44,5% (134.592 veículos) são 100% elétricos (BEV) e dependem totalmente dos carregadores. 55,5% (167.633) são híbridos plug-in (PHEV )  e têm dependência parcial da infraestrutura de recarga, pois também operam com motor a combustão. INVESTIMENTOS  Dos 16.880 eletropostos existentes até agosto, 77% (13.025) oferecem carga lenta (AC), enquanto 23% (3.855) são carregadores rápidos (DC). Os números dos últimos seis meses indicam que o crescimento dos carregadores rápidos superou o dos carregadores lentos. “Esse avanço confirma uma tendência esperada: a queda de custos dos equipamentos e a crescente demanda dos usuários por recargas de longa distância levaram os operadores a priorizarem investimentos em DC”, disse Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE e fundador da Tupi Mobilidade. “Em poucos anos, o que era considerado um gargalo passou a ser o vetor de maior expansão”. Expansão dos Carregadores Rápidos (DC): Fevereiro de 2025:  2.430 Agosto de 2025:  3.855 Crescimento:  59 % Expansão dos Carregadores Lentos (AC): Fevereiro de 2025:  12.397 Agosto de 2025:  13.025 Crescimento:  5% GEOGRAFIA  Atualmente, 1.499 municípios brasileiros contam com eletropostos públicos e semi-públicos. Na comparação com fevereiro de 2025 (1.363), houve um crescimento de 10% na disponibilidade de infraestrutura. Evolução do número de municípios com pontos de recarga em cada região:  Região Fev/25 Ago/25 Evolução Norte 47 62 31,9% Nordeste 326 395 21,2% Sudeste 506 542 7,1% Sul 363 375 3,3% Centro-Oeste 121 124 2,5% Total 1.363 1.499 9,9% Panorama regional da rede pública e semipública O crescimento da infraestrutura se distribuiu de maneira desigual pelo território nacional, revelando diferentes estágios de maturidade: Norte: +62,2% (de 254 em fevereiro para 412 pontos em, agosto), mostrando forte aceleração em regiões antes pouco atendidas. Nordeste: +25,8% (615 novos pontos), reforçando a presença em polos turísticos e logísticos. Centro-Oeste: +24,4%, puxado por Goiás e Distrito Federal, estratégicos no eixo Brasília–Goiânia. Sudeste: maior rede instalada, com 8.035 pontos (+606), sustentando a liderança nacional. Sul: +10,2% (352 novos pontos), crescimento mais moderado, porém consistente. Os números evidenciam uma dinâmica de crescimento que combina expansão territorial e fortalecimento da rede existente. Segundo Davi Bertoncello, “o crescimento de 59% nos carregadores rápidos em seis meses mostra que o mercado já escolheu acelerar. Hoje, um operador de rede faz dez vezes mais com o mesmo investimento de cinco anos atrás”. “O desafio agora está nos carregadores lentos (AC), travados pela instabilidade regulatória e pela longa espera da nova norma da Ligabom (Conselho Nacional dos Comandantes de Bombeiros) sobre segurança nas operações de recarga em edifícios residenciais e comerciais” , concluiu. A ABVE disponibiliza em seu site, por meio de seu BI  ( Business Inteligence ) , os números relativos ao mercado de vendas de veículos eletrificados. As informações são divididas em: Geral, Frotas, Geografia da Eletromobilidade e Eletropostos. As informações são atualizadas mensalmente, em  https://abve.org.br/bi-geral/ Infraestrutura de Recarga Rápida (DC) cresce 59% em seis meses no Brasil

  • Australianos Instalam 1.000 Baterias Residenciais por Dia

    Por Daniel Lima – ECOnomista Australianos Instalam 1.000 Baterias Residenciais por Dia A Austrália está mostrando como se faz. Todos os dias, cerca de 1.000 baterias residenciais são instaladas em casas australianas — um ritmo impressionante que está redefinindo o futuro da energia solar no país. O motor dessa transformação? O novo Programa de Baterias Domésticas Mais Baratas, um investimento federal de US$ 2,3 bilhões que superou todas as expectativas. E não é só a quantidade que surpreende, o tamanho das baterias também está crescendo. Em julho, a média era de 16 kWh. Agora, já ultrapassa os 20 kWh, e tudo indica que esse número continuará subindo. Graças à estrutura inteligente do Programa, adicionar mais capacidade custa pouco, o que incentiva famílias a optarem por sistemas maiores e mais eficientes. Uma casa típica com painéis solares consome em média 50% da energia gerada. O restante é exportado para a rede, geralmente no período de 11 h às 15 h. A modelagem da Green Energy Markets (gráfico abaixo) mostra que um sistema solar de 10 kW combinado com uma bateria de 25 kWh transforma completamente esse cenário: - No verão, quase toda a energia solar é usada para carregar a bateria. - À noite, a bateria alimenta a casa e ainda pode exportar energia para a rede no horário de pico. - Resultado: menos desperdício, mais economia e maior estabilidade para o sistema elétrico. Resultado, as baterias domésticas não beneficiam apenas quem as instala. Ao absorver o excesso de energia solar durante o dia e redistribuí-la à noite, elas ajudam a reduzir os cortes de energia, achatar a curva do pato, evitar apagões, reduzir o pico de demanda e baixar os preços no atacado um ganho coletivo. Australianos Instalam 1.000 Baterias Residenciais por Dia A Austrália mostra que baterias não são um luxo tecnológico são infraestrutura estratégica. O Brasil tem sol de sobra, capacidade instalada crescente e uma cadeia produtiva vibrante. Com políticas públicas bem desenhadas, o país pode transformar esse potencial em crescimento econômico, gerando milhares de empregos diretos e indiretos em instalação, manutenção, fabricação e logística. Australianos Instalam 1.000 Baterias Residenciais por Dia Australianos Instalam 1.000 Baterias Residenciais por Dia

  • Mulheres na Energia 2025: Milena Rosa destaca projetos na Amazônia e oportunidades para mulheres no setor

    Por EnergyChannel Mulheres na Energia 2025: Milena Rosa destaca projetos na Amazônia e oportunidades para mulheres no setor Durante a quarta edição do Mulheres da Energia , realizada em São Paulo, o EnergyChannel  conversou com Milena Rosa , ESG Global Leader e Gerente de Sustentabilidade da Schneider Electric , sobre o papel das mulheres na transição energética e os programas da companhia voltados para comunidades remotas na Amazônia. Mulheres na Energia 2025: Milena Rosa destaca projetos na Amazônia e oportunidades para mulheres no setor Segundo Milena, o painel deste ano abordou a importância dos projetos que promovem acesso à energia limpa, empoderamento social e desenvolvimento econômico em regiões isoladas . “É um privilégio participar pelo segundo ano consecutivo. Discutimos como projetos de energia impactam positivamente comunidades remotas, gerando inclusão social e novas oportunidades”, destacou. Acesso à energia limpa para comunidades isoladas Um dos programas apresentados pela Schneider Electric tem como foco levar energia solar limpa e segura  para regiões da Amazônia sem eletrificação ou em processo de transição energética. O portfólio inclui equipamentos projetados especificamente para uso em localidades remotas e em situações de emergência pós-catástrofe. “Nosso objetivo é conectar clientes e parceiros para acelerar a chegada de soluções de energia sustentável, transformando realidades locais e fomentando o desenvolvimento econômico”, explicou Milena. Formação técnica e protagonismo feminino Além do acesso à energia, a Schneider investe em programas de capacitação técnica , preparando jovens para atuar no setor energético. Milena destaca que um dos pilares da companhia é promover uma transição energética justa , garantindo que as comunidades atendidas tenham mão de obra qualificada para manutenção dos sistemas implantados. “Temos iniciativas voltadas para mulheres, oferecendo treinamentos em eletricidade básica, energias renováveis e programas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Queremos incentivar meninas e jovens a seguirem carreiras técnicas e desenvolverem as chamadas green skills , essenciais para o futuro do setor”, afirmou. Oportunidades crescentes para mulheres no setor de energia Questionada sobre os desafios e perspectivas para mulheres que desejam ingressar na área de energia, Milena é categórica: “O lugar da mulher é onde ela quiser. Existem inúmeras oportunidades, e muitas empresas estão buscando ativamente aumentar a participação feminina em suas equipes técnicas. É hora de aproveitar esse movimento e se posicionar para essas vagas.” Um evento inspirador para a transição energética Milena elogiou a organização do Mulheres da Energia 2025 , ressaltando o impacto positivo da presença cada vez maior de profissionais renomadas compartilhando experiências. “É emocionante ver como o evento cresce a cada ano. É um espaço que inspira, conecta e impulsiona a presença feminina no setor energético”, concluiu. Mulheres na Energia 2025: Milena Rosa destaca projetos na Amazônia e oportunidades para mulheres no setor Nota Este material faz parte da cobertura exclusiva do Congresso Brasileiro das Mulheres da Energia, realizada em parceria com a EnergyChannel. Todas as entrevistas e reportagens foram especialmente produzidas para o nosso evento e fazem parte do legado que estamos construindo juntas. 💜⚡

  • Hyundai Apresenta o IONIQ Concept THREE: O Próximo Capítulo dos Elétricos Compactos na Europa

    Por EnergyChannel – Especial para o setor de mobilidade elétrica MUNIQUE – A Hyundai Motor Company apresentou oficialmente o IONIQ Concept THREE , seu primeiro conceito de veículo elétrico compacto sob a submarca IONIQ, durante a IAA Mobility 2025, principal evento de mobilidade da Europa. Conceito TRÊS da Hyundai. Crédito: Hyundai A novidade marca uma expansão estratégica da família IONIQ, que até agora se concentrava em modelos de médio e grande porte, e sinaliza o compromisso da fabricante com a eletrificação total de sua linha até 2027. Design Urbano com DNA Sustentável Com 4,28 metros de comprimento, 1,94 metro de largura e entre-eixos de 2,72 metros , o Concept THREE foi projetado para atender à crescente demanda por veículos elétricos práticos para os centros urbanos europeus. A linguagem de design “ Art of Steel ” dá ao modelo uma identidade futurista, transformando rigidez estrutural em estética refinada com superfícies fluidas e linhas precisas. Direita: Xavier Martinet, Presidente e CEO da Hyundai Motor Europe, com o Hyundai Concept THREE. Crédito: Hyundai O modelo traz ainda o perfil Aero Hatch , que melhora a aerodinâmica e contribui para a eficiência energética, além da icônica iluminação Parametric Pixel  na dianteira e traseira – marca registrada da linha IONIQ. “O Concept THREE simboliza nosso próximo passo na jornada de eletrificação”, afirma Xavier Martinet , presidente e CEO da Hyundai Motor Europe. “Ele combina dimensões compactas, design sofisticado e apelo emocional, reforçando nossa visão de tornar a mobilidade elétrica acessível e atraente.” Interior com Materiais Reciclados e Experiência Imersiva A Hyundai utiliza arquiteturas de 800 V em seus modelos IONIQ, permitindo tempos de carregamento mais rápidos e fornecimento de energia eficiente. Crédito: Hyundai O interior do Concept THREE é um manifesto de sustentabilidade. Tecidos feitos de resíduos oceânicos, plásticos reciclados e espuma de alumínio leve são integrados ao habitáculo, reduzindo o impacto ambiental sem abrir mão do conforto. A cabine adota uma paleta de cores que combina tons de cinza com detalhes em amarelo Moonbeam  e vidro em tom limão, criando um ambiente acolhedor e moderno. Além disso, os widgets modulares BYOL – “Bring Your Own Lifestyle”  permitem personalização total da experiência de bordo, enquanto o simpático personagem interativo Mr. Pix  adiciona um toque emocional ao design. Vista traseira do Hyundai Concept THREE. Crédito: Hyundai Europa no Centro da Estratégia de Eletrificação O Concept THREE é peça-chave no plano da Hyundai de eletrificar todos os modelos de sua linha europeia até 2027 . Atualmente, quase 80% dos veículos vendidos na Europa são produzidos no continente, o que facilita a adaptação às normas de emissões cada vez mais rígidas e às necessidades de mobilidade urbana. A marca pretende lançar 21 veículos elétricos globais até 2030 , além de continuar investindo em tecnologias de célula a combustível de hidrogênio e em produção com energia 100% renovável em suas fábricas europeias. Presença de Destaque na IAA Mobility 2025 O retorno da Hyundai à IAA Mobility, após quatro anos, não passou despercebido. O estande de 58 metros de largura , inspirado na estética Parametric Pixel, recebeu visitantes para exibições de design, demonstrações de acessórios modulares e experiências imersivas. Além do Concept THREE, o público pôde ver de perto os modelos eletrificados KONA Electric, IONIQ 5, IONIQ 6 N e IONIQ 9 , além de participar de test drives de nove veículos. Com o Concept THREE, a Hyundai reforça sua posição como uma das líderes globais da transição energética no setor automotivo, entregando design inovador, conectividade e sustentabilidade de forma acessível. Hyundai Apresenta o IONIQ Concept THREE: O Próximo Capítulo dos Elétricos Compactos na Europa

  • Inteligência Artificial e Criatividade: Como o Instituto Eldorado Prepara Profissionais para o Futuro

    Por Ricardo Honório | Especial para o EnergyChannel* Durante o evento Mulheres na Energia 2025, o *EnergyChannel* conversou com *Karina Ribeiro, Head da Universidade Corporativa do **Instituto Eldorado, maior ICT (Instituto de Ciência e Tecnologia) do Brasil. Em entrevista conduzida pelo jornalista **Ricardo Honório*, especialista em energia renovável, Karina destacou como a instituição tem estruturado estratégias de capacitação voltadas para o uso da Inteligência Artificial (IA) e para o desenvolvimento de competências que serão essenciais em um futuro muito próximo. Preparando profissionais para o amanhã Segundo Karina, a missão do Instituto Eldorado é *formar talentos capazes de atuar em projetos inovadores antes mesmo de a demanda chegar ao mercado*. Para isso, a equipe acompanha tendências internacionais e desenvolve programas de capacitação alinhados às principais transformações tecnológicas. Inteligência Artificial e Criatividade: Como o Instituto Eldorado Prepara Profissionais para o Futuro ⁠“O que nos trouxe até aqui não será suficiente para o que está por vir. Nossa prioridade é preparar as pessoas para competências que hoje ainda não são exigidas, mas que em breve serão indispensáveis” , explicou Karina. Trilha de IA sob medida para cada área Uma das novidades implementadas pelo Instituto é a criação de *trilhas personalizadas de Inteligência Artificial Generativa*. Diferente do modelo genérico adotado por muitas empresas, a abordagem do Eldorado é segmentar o aprendizado de acordo com o papel do profissional: designers, engenheiros de software, profissionais de qualidade e outras funções específicas. Essa estratégia tem gerado resultados expressivos em produtividade e eficiência, especialmente ao liberar líderes de tarefas operacionais, permitindo que se dediquem mais ao desenvolvimento de suas equipes. O papel humano continua essencial Apesar dos avanços da IA, Karina ressalta que *o fator humano seguirá central no processo de inovação*. Questões como ética, curadoria de dados e criatividade não podem ser totalmente automatizadas. ⁠“A IA é uma aliada, mas não substitui a análise crítica nem a criatividade humana. O futuro será de times híbridos, formados por agentes de inteligência artificial e profissionais capacitados”, afirmou. Novas profissões e aprendizado contínuo Karina também destacou que muitas profissões do futuro ainda nem têm nome. Por isso, a *educação contínua e a capacidade de adaptação* serão diferenciais indispensáveis. O Instituto Eldorado já conduz programas de criatividade, justamente para explorar aquilo que diferencia os seres humanos das máquinas: a capacidade de imaginar, questionar e propor soluções inéditas. Diversidade e colaboração no setor energético Ao comentar sobre o evento, Karina ressaltou a importância da diversidade e da integração entre homens e mulheres na construção de um setor energético mais inovador. ⁠“Não se trata de levantar bandeiras isoladas, mas de mostrar que competências são complementares. Trabalhando juntos, podemos levar as organizações a um novo patamar” , concluiu. Inteligência Artificial e Criatividade: Como o Instituto Eldorado Prepara Profissionais para o Futuro Nota Este material faz parte da cobertura exclusiva do Congresso Brasileiro das Mulheres da Energia, realizada em parceria com a EnergyChannel. Todas as entrevistas e reportagens foram especialmente produzidas para o nosso evento e fazem parte do legado que estamos construindo juntas. 💜⚡

  • México recebe primeiro lote de 600 ônibus a gás natural da Yuchai e avança na modernização do transporte público

    Por EnergyChannel México recebe primeiro lote de 600 ônibus a gás natural da Yuchai e avança na modernização do transporte público O estado de Nuevo León, no México, acaba de receber o primeiro lote de ônibus movidos a gás natural da Yuchai , marcando um passo importante na transição para um transporte público mais limpo e eficiente. A entrega faz parte de um pedido de 600 veículos , firmado em 2024, que será implementado gradualmente ao longo dos próximos meses. Com essa remessa, a região já contabiliza 1.400 ônibus em operação com motores Yuchai a gás natural , número que deve ultrapassar 2.500 unidades até o fim de 2025 . O movimento posiciona Nuevo León como uma das referências latino-americanas em mobilidade sustentável. Expansão sólida no mercado mexicano Desde sua chegada ao México, a Yuchai conseguiu transformar sua presença de nicho em liderança no fornecimento de motores a gás natural para frotas de ônibus . O diferencial da empresa tem sido a combinação entre desempenho confiável, tecnologia de baixo impacto ambiental e rede robusta de pós-venda , que garante suporte contínuo às operadoras de transporte. “Temos orgulho de contribuir para a modernização do transporte público no México, oferecendo soluções sustentáveis e confiáveis. Nosso compromisso é garantir desempenho superior aliado a um suporte técnico de excelência”, destacou Weng Ming Hoh , presidente da China Yuchai International. Sustentabilidade como prioridade O projeto de Nuevo León está alinhado a metas globais de redução de emissões no setor de mobilidade. Os motores a gás natural da Yuchai permitem menor emissão de poluentes , ao mesmo tempo em que oferecem eficiência energética e redução de custos operacionais  para as frotas. A expansão também demonstra como fabricantes chineses estão consolidando presença em mercados estratégicos da América Latina, reforçando a tendência de cooperação internacional para a transição energética no transporte coletivo . Sobre a Yuchai Fundada em 1951, a Yuchai  é uma das maiores fabricantes globais de soluções de trem de força, com um portfólio que inclui motores a diesel, gás natural e tecnologias de novas energias , como sistemas elétricos, híbridos e células de combustível. Em 2024, a empresa comercializou mais de 356 mil motores  em diferentes segmentos, consolidando sua liderança no setor. México recebe primeiro lote de 600 ônibus a gás natural da Yuchai e avança na modernização do transporte público

  • Mingyang e Octopus firmam parceria estratégica para acelerar projetos de energia renovável no Reino Unido

    Por EnergyChannel O setor de energia renovável no Reino Unido acaba de ganhar um novo impulso. A fabricante chinesa Mingyang Smart Energy , referência global em turbinas eólicas, anunciou uma parceria estratégica com a britânica Octopus Energy Group  para expandir a geração limpa no país. O presidente da Mingyang, Zhang Chuanwei, encontrou-se com Greg Jackson, CEO da Octopus Energy, em Londres no mês passado para explorar oportunidades de colaboração. Foto: Mingyang O acordo, formalizado por meio de um Memorando de Entendimento (MoU) , prevê inicialmente a implantação de projetos de energia eólica terrestre . No entanto, as duas empresas já sinalizam a possibilidade de ampliar a cooperação para energia solar  e armazenamento em baterias , reforçando a diversificação da matriz renovável britânica. Segundo a Mingyang, a colaboração permitirá que o software de gerenciamento inteligente da Octopus seja integrado ao hardware de ponta desenvolvido pela empresa chinesa. Essa combinação promete maior eficiência operacional e ganhos de escala na produção de energia. De acordo com a Octopus Energy Generation – braço de investimentos em renováveis do grupo britânico –, a parceria está alinhada à plataforma “Winder” , que já mapeou aproximadamente 6 GW em projetos de energia limpa  prontos para serem desenvolvidos. “O objetivo é acelerar a implantação de soluções energéticas inovadoras, capazes de atender à crescente demanda por eletricidade sustentável no Reino Unido”, destacou a Mingyang em comunicado. Impacto para o setor de energia no Reino Unido A parceria entre Mingyang e Octopus reforça o papel estratégico do Reino Unido na transição energética global, atraindo investimentos internacionais e fomentando novas tecnologias. Além disso, a iniciativa contribui diretamente para as metas britânicas de descarbonização e segurança energética. Mingyang e Octopus firmam parceria estratégica para acelerar projetos de energia renovável no Reino Unido

  • Financiamento Sustentável para o Setor Energético Brasileiro: Entre a Necessidade de Investimento e a Responsabilidade Fiscal

    Por Prof. Fernando Caneppele (USP) Financiamento Sustentável para o Setor Energético Brasileiro: Entre a Necessidade de Investimento e a Responsabilidade Fiscal Em setembro de 2025, o setor energético brasileiro se encontra em uma encruzilhada monumental. De um lado, a urgência da transição energética e a necessidade de garantir a segurança de um sistema em expansão demandam um volume de investimentos que se mede na casa dos trilhões de reais ao longo da próxima década. Projetos de geração eólica e solar, o nascente e capital-intensivo programa de hidrogênio verde, e a modernização de trilhões de quilômetros de redes de transmissão são apenas alguns dos itens de uma fatura colossal. Do outro lado, o país opera sob um novo arcabouço fiscal, com a sociedade corretamente exigindo disciplina nos gastos públicos e a estabilização da dívida. A questão que se impõe é, portanto, inevitável e complexa: como financiar o futuro energético do Brasil? Como atrair o capital massivo, nacional e internacional, necessário para impulsionar essa transformação, sem comprometer a estabilidade macroeconômica? A resposta não está em uma única fonte ou instrumento, mas na orquestração inteligente de diferentes atores e mecanismos financeiros, onde o Estado redefine seu papel de provedor para catalisador. O Legado e o Novo Papel do BNDES Historicamente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi o grande esteio do financiamento de infraestrutura no Brasil. Contudo, o modelo de empréstimos diretos com juros subsidiados, crucial no passado, mostra-se inadequado para a escala do desafio atual e incompatível com as restrições fiscais. O BNDES de 2025 assume um papel mais sofisticado e, arguably, mais poderoso: o de um banco estruturado e garantidor. Em vez de simplesmente emprestar, o banco tem se focado em modelar projetos complexos, torná-los "bancáveis" e atraentes para o capital privado. Sua principal função passa a ser a mitigação de riscos. Ao oferecer garantias, o BNDES absorve parte das incertezas iniciais de um projeto, o que reduz o custo de capital para o investidor privado e viabiliza empreendimentos que, de outra forma, não sairiam do papel. A utilização de mecanismos de blended finance , mesclando recursos públicos e privados em fundos de investimento, é outra frente de atuação estratégica, permitindo alavancar cada real público com múltiplos reais do setor privado. A Mobilização do Capital Privado e seus Instrumentos Com a retração relativa do Estado como financiador direto, o capital privado, tanto de bancos comerciais quanto do mercado de capitais, tornou-se o protagonista. O grande catalisador para esse movimento tem sido as debêntures de infraestrutura, títulos de dívida emitidos por empresas para financiar projetos, que oferecem isenção de imposto de renda para pessoas físicas. Este instrumento se provou um sucesso absoluto, canalizando centenas de bilhões de reais da poupança doméstica para a construção de parques eólicos, usinas solares e, especialmente, linhas de transmissão. Grandes bancos privados, por sua vez, pressionados por seus acionistas e pela regulação global, estruturaram robustas carteiras de projetos ESG (Ambiental, Social e de Governança). O financiamento de projetos de energia renovável tornou-se uma das principais vitrines de suas agendas de sustentabilidade, com equipes especializadas e linhas de crédito cada vez mais competitivas. A sofisticação do mercado se aprofunda com a crescente participação de Fundos de Investimento em Participações em Infraestrutura (FIP-IE), que permitem que fundos de pensão e outros investidores institucionais se tornem sócios diretos dos empreendimentos. A Conquista do Investidor Internacional e os Títulos Verdes Apesar da força do nosso mercado doméstico, a escala do investimento necessário torna o capital internacional indispensável. Para atrair esse investidor, o Brasil compete com projetos no mundo inteiro e precisa oferecer não apenas retorno, mas segurança e propósito. É aqui que os títulos verdes ( green bonds ) se tornam uma ferramenta fundamental. O Brasil possui uma vantagem natural neste mercado: nossa matriz energética já é uma das mais limpas do mundo, o que torna uma vasta gama de nossos projetos energeticamente "verdes" por definição. A emissão de um título verde por uma empresa de energia brasileira sinaliza ao investidor estrangeiro um compromisso com a sustentabilidade e alinha o projeto a mandatos de fundos globais focados em ESG. O desafio, contudo, é garantir a credibilidade dessas emissões. A prevenção do "greenwashing" (a "maquiagem verde") exige a adesão a padrões internacionais de certificação e transparência, assegurando que os recursos captados sejam, de fato, direcionados para projetos com impacto ambiental positivo comprovado. Desafios Estruturais à Atratividade do Investimento Apesar do potencial e da sofisticação de nossos instrumentos financeiros, o Brasil ainda enfrenta obstáculos estruturais que encarecem o capital e afugentam investidores. O chamado "Custo Brasil" no setor de energia se manifesta em três riscos principais. Primeiro, o risco regulatório , que é a percepção de que as regras do jogo, definidas pela ANEEL e pelo governo, podem ser alteradas de forma retroativa, impactando a rentabilidade de contratos de longo prazo. Segundo, o risco cambial , pois a volatilidade do Real frente ao Dólar exige custosos mecanismos de hedge para o investidor estrangeiro. Por fim, paira sobre tudo o risco fiscal e político . A incerteza sobre a trajetória da dívida pública e a instabilidade política criam um ambiente que exige prêmios de risco mais altos, tornando o financiamento mais caro para todos. A atração de capital para a transição energética está, portanto, intrinsecamente ligada à capacidade do país de manter um ambiente macroeconômico estável e previsível. Em conclusão, o financiamento da modernização e transição energética do Brasil é menos uma questão de falta de capital disponível no mundo e mais uma competição acirrada por esse capital. Temos os projetos, o potencial natural e um mercado financeiro cada vez mais maduro e diversificado. O papel do Estado está em transição, de financiador para facilitador e garantidor inteligente. Para sermos bem-sucedidos, nosso dever de casa é claro: garantir a estabilidade regulatória, a previsibilidade das políticas e a disciplina fiscal. Somente com uma base sólida de confiança conseguiremos atrair os investimentos massivos que transformarão nosso potencial energético em desenvolvimento sustentável e prosperidade para o país. Financiamento Sustentável para o Setor Energético Brasileiro: Entre a Necessidade de Investimento e a Responsabilidade Fiscal

  • MP's no lugar da lei, improviso no lugar da análise

    Por Fernanda M Caputo A ausência da Avaliação de Impacto Legislativo transforma urgência em pretexto e deixa o setor elétrico refém da política de ocasião. MP's no lugar da lei, improviso no lugar da análise No Brasil, as agências reguladoras vivem sob o peso da técnica. Salvo raras exceções, a ANEEL, por exemplo, não pode editar uma resolução sem antes submeter sua proposta a uma Análise de Impacto Regulatório (AIR). É um processo trabalhoso: coleta de dados, estudos de cenários, consulta pública, análise de custos e benefícios. Nada passa sem justificativa. Já o Poder Legislativo não tem amarras semelhantes. Não existe Avaliação de Impacto Legislativo (AIL) obrigatória. Deputados e senadores podem aprovar leis que alteram encargos e subsídios bilionários sem apresentar uma planilha de cálculo. O mesmo vale para o Executivo, que encontrou nas Medidas Provisórias um atalho: quando não consegue aprovar suas pautas pelo rito normal, recorre às MPs para avançar agendas emperradas. Essa assimetria é o coração do problema. A AIR foi institucionalizada em 2020, mas a AIL segue embrionária. O Congresso até ensaia alguns estudos ex post, feitos por consultorias internas ou tribunais de contas. Mas nada é vinculante, nada é sistemático. O resultado é um processo legislativo que privilegia a celeridade sobre a qualidade. No setor elétrico, essa fragilidade se manifesta com força. O Projeto de Lei 414/2021, atualização do PLS 232/2016, deveria ter sido o espaço para discutir modernização: abertura do mercado livre, racionalização de encargos, revisão de subsídios. Ficou parado. Em seu lugar, o Executivo fatiou a agenda em MPs. O que deveria ser uma reforma estruturada virou um mosaico de medidas improvisadas. As MPs funcionam como ônibus legislativos. Chegam ao Congresso com um tema específico, supostamente urgente - e saem abarrotadas de jabutis. O rito acelerado dispensa qualquer avaliação prévia de impacto. Uma AIL obrigatória, se existisse, obrigaria o Parlamento a medir custos, analisar cenários, calcular efeitos tarifários. Mas sem esse filtro, o improviso domina. As consequências são conhecidas. Tarifas sobem de forma inesperada. Investidores perdem confiança em um mercado que deveria oferecer estabilidade. Contradições entre resoluções da ANEEL — construídas com rigor técnico — e leis improvisadas pelo Congresso geram judicialização. O setor, que exige previsibilidade para investimentos de décadas, passa a operar em ambiente de incerteza. Não se trata de defender um Parlamento refém de técnicos. Mas de reconhecer que política sem técnica produz distorções caras. A ausência da AIL explica boa parte do caos normativo do setor elétrico. Se cada MP ou projeto de lei tivesse de passar por avaliação séria de impacto, dificilmente veríamos tantos jabutis escondidos em pacotes de urgência fabricada. A pergunta que fica é direta: por que aceitamos que exista AIR obrigatória para reguladores, mas não AIL obrigatória para o Legislativo? Até quando vamos permitir que bilhões em encargos e subsídios sejam definidos sem estudo prévio, sem cálculo de impacto, sem transparência? MP's no lugar da lei, improviso no lugar da análise Enquanto a Avaliação de Impacto Legislativo continuar ausente, o setor elétrico seguirá refém da política de ocasião. Vamos continuar no escuro. Não por falta de energia, mas por excesso de improviso MP's no lugar da lei, improviso no lugar da análise

  • Parceria em minerais críticos e estratégicos entre Brasil e Alemanha

    Oportunidades, Desafios e Caminhos para a Criação Conjunta de Valor Resiliente Por  M.Sc .   Janayna Bhering, Especialista em Inovação e membro do Comitê Brasileiro do  World Energy Council   e Dr.  Marc Bovenschulte   Bovenschulte,  Institute for Innovation and Technology (iit)   Parceria em minerais críticos e estratégicos entre Brasil e Alemanha A transição global para uma economia neutra em carbono exige não apenas inovação tecnológica, mas também acesso seguro a matérias-primas estrategicamente críticas. Os elementos de terras raras (ERRs, um grupo de 17 elementos metálicos) são centrais para essa transformação. Eles são a base de inúmeras tecnologias-chave, desde ímãs permanentes em turbinas eólicas e motores elétricos até baterias de alto desempenho, semicondutores e óptica de precisão. A demanda por ERRs tende a crescer exponencialmente com o avanço da descarbonização. O Brasil possui cerca de 20 milhões de toneladas em reservas estimadas de terras raras, principalmente nos estados de Minas Gerais, Goiás e Amazonas. Apesar do potencial, menos de 2% da produção mundial de terras raras ocorre no Brasil. Há iniciativas pontuais de extração (como em Araxá-MG) e pesquisas lideradas por instituições como o CETEM, USP e UFMG, mas a lacuna está no refino e na aplicação industrial. As terras raras são críticas para a expansão da indústria de mobilidade elétrica, energia eólica, armazenamento de energia e tecnologias da Indústria 4.0, todas alinhadas à Neoindustrialização defendida pelo Governo Federal brasileiro e ao Plano Nova Indústria Brasil. A criação de cadeias produtivas locais também está alinhada à política de conteúdo local, à Política Nacional de Mineração e aos programas do BNDES e Finep para semicondutores e materiais críticos. Nesse contexto, o Brasil, como país rico em recursos e com depósitos geológicos substanciais, passa a receber maior atenção da política industrial e comercial europeia. A Alemanha e a União Europeia continuam altamente dependentes da importação desses recursos críticos — atualmente, mais de 90% das terras raras refinadas vêm da China, que também detém uma posição quase monopolista nas etapas posteriores do processamento. Esse domínio vai além da mineração, incluindo capacidades de refino e produção de bens intermediários. Aqui reside um dos principais desafios: embora o Brasil possua reservas extraíveis, atualmente carece de infraestrutura de refino suficiente. Assim, desenvolver capacidade local de processamento, junto à transferência de conhecimento tecnológico e regulatório, é prioridade para viabilizar uma parceria sustentável. Uma parceria Brasil – Alemanha em matérias-primas focada em terras raras tem grande potencial desde que vá além da segurança de fornecimento no curto prazo e abrace a criação conjunta de valor, padrões de sustentabilidade e apoio à inovação. Essa estratégia exige o desenvolvimento de cadeias de suprimento integradas: desde a exploração geológica e extração ambientalmente responsável até a aplicação industrial. Ao mesmo tempo, é fundamental que as salvaguardas sociais e ambientais sejam transparentes e vinculantes, para mitigar resistências locais e riscos geopolíticos. Essa proposta dialoga com o   Critical Raw Materials Act   da UE, o   Global Gateway , e iniciativas do G7 para segurança mineral. Pode ser uma alternativa concreta à dependência da China, dentro do contexto do   reshoring / friendshoring   de cadeias estratégicas. Elementos-chave para uma Parceria Estratégica incluem: 1.    Estabelecimento de centros binacionais de excelência em tecnologias de exploração e extração, incluindo monitoramento ambiental e modelagem digital de depósitos. 2.    Apoio ao desenvolvimento de capacidade de refino no Brasil por meio de parcerias de investimento direcionadas, transferência de tecnologia e cooperação regulatória. 3.    Facilitação de contratos de fornecimento de longo prazo entre atores industriais dos dois países para garantir cadeias estáveis e reduzir a volatilidade. 4.    Introdução de padrões conjuntos de sustentabilidade (por exemplo, baseados nos critérios da UE para materiais críticos e estratégicos), fomentando cadeias transparentes e compatíveis com ESG. 5.    Reforço da pesquisa bilateral e dos esforços de inovação em substituição de materiais, reciclagem e tecnologias de processamento avançadas por meio de programas dedicados. 6.    Institucionalização de um diálogo estratégico sobre matérias-primas em nível governamental, apoiado por uma rede de empresas, instituições acadêmicas e representantes da sociedade civil. Construir uma parceria resiliente em matérias-primas entre Alemanha (e a União Europeia) e Brasil requer mais do que intenção política e interesse comercial. Exige uma estratégia de inovação integrada. O desafio não está apenas no acesso aos recursos geológicos, mas na concepção de cadeias de valor robustas, sustentáveis e tecnologicamente soberanas. Isso só será possível por meio de um compromisso conjunto com o   co desenvolvimento , e não com uma abordagem limitada à exportação e importação. Uma   estrutura binacional de aconselhamento   focada em governança da inovação, transferência de tecnologia e estratégia industrial sustentável pode funcionar como base operacional e estratégica conectando a disponibilidade de recursos à transformação industrial. Esta estrutura atuaria como plataforma integrada para   coordenação de políticas, cooperação tecnológica e criação de valor sustentável   no setor de terras raras. No nível estratégico, serviria como fórum para   planejamento conjunto de cenários e alinhamento de políticas públicas . Exercícios regulares de prospectiva e definição de roteiros tecnológicos ajudariam ambos os lados a antecipar tendências de mercado, mudanças geopolíticas e inovações emergentes. Essa inteligência estratégica compartilhada garantiria que políticas nacionais — como a agenda de desenvolvimento mineral do Brasil e a Estratégia Alemã de Matérias-Primas Críticas — evoluam de forma complementar e reforçada mutuamente. Um segundo eixo central seria a   facilitação da cooperação tecnológica e em inovação . As terras raras fazem parte de cadeias de valor altamente complexas e intensivas em tecnologia. O órgão consultivo apoiaria programas bilaterais de P&D, projetos-piloto e iniciativas de transferência tecnológica, com foco em métodos sustentáveis de extração, tecnologias avançadas de separação e refino, além de novas abordagens de reciclagem e substituição. Atuaria como ponto de articulação entre institutos de pesquisa aplicada, inovadores do setor privado e startups, promovendo ecossistemas de inovação com relevância nacional e competitividade internacional. O desenvolvimento de   capital humano   seria outra prioridade essencial. A transição da extração mineral para o processamento e a manufatura de maior valor agregado exige competências especializadas nos campos geológico, metalúrgico e regulatório. A plataforma consultiva promoveria treinamentos técnicos, intercâmbios profissionais e programas educacionais conjuntos para fortalecer as capacidades da força de trabalho em ambos os países. Isso incluiria capacitação em conformidade ESG, digitalização de processos e princípios de economia circular, apoiando o desenvolvimento industrial de longo prazo no Brasil e reduzindo a dependência de importações na Alemanha. Fortemente associado a isso está a necessidade de   cooperação regulatória e harmonização de normas . A estrutura consultiva criaria um espaço de diálogo bilateral sobre regulamentações ambientais, trabalhistas e de sustentabilidade, visando garantir compatibilidade com os requisitos do mercado europeu em especial os estabelecidos no   EU Critical Raw Materials Act   e seus mecanismos associados de diligência devida. Com isso, ajudaria os produtores brasileiros a acessar mercados globais e a ter papel ativo na definição de padrões regulatórios internacionais. A   facilitação de investimentos e estruturação de projetos   formaria outro pilar do mandato da estrutura consultiva. O setor de terras raras é intensivo em capital e de ciclo longo, exigindo não apenas certeza geológica, mas também estabilidade regulatória e governança confiável. O órgão consultivo poderia desempenhar papel crítico na identificação de empreendimentos promissores, realização de avaliações técnicas independentes e apoio à estruturação de contratos de fornecimento de longo prazo entre produtores e usuários industriais. Isso proporcionaria maior segurança aos investidores e fomentaria cadeias de valor integradas e transnacionais. Por fim, a estrutura deveria priorizar a   participação inclusiva dos stakeholders . A extração e o processamento de recursos inevitavelmente têm impactos sociais e ambientais, especialmente sobre comunidades locais e indígenas. A plataforma consultiva deve, portanto, incluir representantes da sociedade civil, organizações trabalhistas e grupos ambientais, garantindo transparência, equidade e processos decisórios participativos. Somente com base em amplo apoio social a parceria poderá alcançar a legitimidade e a durabilidade necessárias. Em resumo , uma estrutura binacional de inovação e aconselhamento não apenas reagiria às dinâmicas de mercado, mas   atuaria ativamente na construção das condições necessárias para uma cadeia de valor em terras raras sustentável e soberana . Ao integrar visão de futuro, apoio à inovação, diálogo regulatório e coordenação multinível, essa estrutura ofereceria a inteligência estratégica e a capacidade operacional necessárias para transformar interesses compartilhados em uma parceria resiliente e orientada para o futuro. Em um cenário de disputa geopolítica por insumos críticos, o verdadeiro diferencial estratégico não está apenas no acesso às reservas, mas na capacidade de inovar juntos, com valor agregado, sustentabilidade e soberania tecnológica. Uma aliança Brasil-Alemanha baseada em codesenvolvimento pode se tornar um modelo global de cooperação estratégica. Parceria em minerais críticos e estratégicos entre Brasil e Alemanha

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