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- Delta Air Lines e Maeve Aerospace se unem para impulsionar nova geração de aviões híbrido-elétricos regionais
Parceria integra o programa SkyLab da Delta e marca avanço no plano global de descarbonização da aviação Delta Air Lines e Maeve Aerospace se unem para impulsionar nova geração de aviões híbrido-elétricos regionais A Delta Air Lines deu mais um passo em direção a um futuro de voos com menor impacto ambiental. A companhia aérea anunciou uma parceria estratégica com a fabricante holandesa Maeve Aerospace para apoiar o desenvolvimento do M80 , um avião regional híbrido-elétrico que promete combinar eficiência energética e desempenho de jato. Pelo acordo, a Delta fornecerá suporte técnico e operacional para acelerar a entrada do M80 no mercado. A fabricante passa a integrar o Laboratório de Céus Sustentáveis (SkyLab) da Delta uma plataforma voltada a testar e escalar tecnologias que reduzam emissões e custos operacionais no setor aéreo. A colaboração se alinha ao Roteiro de Sustentabilidade 2023 da empresa, que busca neutralizar emissões líquidas e transformar a aviação comercial em um modelo mais limpo e eficiente. M80: uma nova geração de aeronaves regionais Apresentado pela Maeve em novembro de 2023, o M80 é uma aeronave híbrida projetada para 80 passageiros e alcance de até 1.482 quilômetros . O modelo adota uma arquitetura de motor híbrido-elétrico , que fornece assistência de potência em baixas altitudes e promete reduzir o consumo de energia em até 40% em comparação aos jatos regionais convencionais. Além da eficiência operacional, o M80 foi desenhado para atender a aeroportos menores e rotas de curta distância , um segmento que enfrenta crescente pressão para reduzir custos e emissões. Segundo a Maeve, o projeto busca “equilibrar desempenho, sustentabilidade e viabilidade comercial”, mantendo a agilidade de um jato com a economia de um turboélice . Inovação elétrica e visão de longo prazo Fundada em 2020, a Maeve Aerospace vem se consolidando como uma das startups mais promissoras da aviação limpa. A empresa também trabalha no Maeve 01 , planejado para 2031, que deve ser a primeira aeronave regional totalmente elétrica do mundo , com capacidade para 44 passageiros. A fabricante desenvolve ainda infraestruturas de carregamento rápido e sistemas inteligentes de energia para integrar suas futuras frotas elétricas à operação de aeroportos regionais um passo essencial para o avanço da mobilidade aérea descarbonizada . Transição sustentável nos céus Para a Delta, a parceria reflete uma estratégia ampla de investimento em inovação e descarbonização , que inclui biocombustíveis, novos materiais e eficiência operacional. “O futuro da aviação depende de colaborações como essa, que unem tecnologia, experiência e compromisso ambiental”, afirmou um porta-voz da companhia. Com o M80 e o envolvimento direto da Delta em seu desenvolvimento, a indústria dá mais um passo concreto rumo a voos regionais com menor pegada de carbono , reforçando a corrida global por soluções sustentáveis que mantenham o setor aéreo competitivo e ambientalmente responsável. Delta Air Lines e Maeve Aerospace se unem para impulsionar nova geração de aviões híbrido-elétricos regionais
- Corrida global dos semicondutores: investimentos em megafábricas de 300 mm devem ultrapassar US$ 370 bilhões até 2028
A expansão de centros de produção na China, Coreia do Sul, Taiwan e Estados Unidos reflete a disputa tecnológica por chips avançados que sustentam a revolução da inteligência artificial e da economia digital. Corrida global dos semicondutores: investimentos em megafábricas de 300 mm devem ultrapassar US$ 370 bilhões até 2028 Matéria para publicação no portal internacional EnergyChannel: A indústria global de semicondutores está prestes a entrar em uma nova era de expansão maciça. De acordo com dados da associação internacional SEMI, os investimentos em equipamentos para fábricas de wafers de 300 milímetros devem alcançar US$ 374 bilhões entre 2026 e 2028 , impulsionados pela corrida mundial para atender à explosão de demanda em inteligência artificial, data centers e dispositivos inteligentes . Durante a feira Semicon West , realizada em Phoenix (EUA), o CEO da SEMI, Ajit Manocha , destacou que o setor vive um ponto de inflexão histórico. “A força combinada da IA generativa e das políticas de reindustrialização está remodelando completamente a cadeia global de semicondutores”, afirmou. IA e chips de nova geração alimentam o crescimento A previsão da SEMI indica que os gastos com equipamentos de produção de wafers de 300 mm devem crescer progressivamente de US$ 107 bilhões em 2025 para US$ 138 bilhões em 2028 . A maior parte desse avanço virá da fabricação de chips lógicos e microprocessadores de 2 nanômetros ou menos , que exigem tecnologias cada vez mais sofisticadas, como gate-all-around (GAA) e fornecimento de energia traseira . A produção de chips de 1,4 nanômetro , considerada o próximo salto na miniaturização, deve começar entre 2028 e 2029 , marcando uma nova etapa na eficiência energética e na capacidade de processamento. Memória de alta largura de banda em ascensão Os segmentos de memória também seguirão em forte expansão. Segundo o relatório, os gastos com equipamentos voltados à produção de memórias DRAM e NAND 3D devem somar US$ 136 bilhões nos próximos três anos, refletindo a crescente demanda por memórias de alta largura de banda (HBM) essenciais para o treinamento de modelos de IA e aplicações de computação em nuvem. China lidera a disputa por capacidade fabril A China deve consolidar sua posição como principal investidora global no período, destinando cerca de US$ 94 bilhões à expansão e modernização de suas fábricas. Na sequência aparecem a Coreia do Sul (US$ 86 bilhões) , Taiwan (US$ 75 bilhões) e os Estados Unidos (US$ 60 bilhões) todos competindo para fortalecer cadeias locais e reduzir dependências externas. Essa geografia dos investimentos reforça a tendência de regionalização estratégica da produção de semicondutores, um movimento que combina incentivos governamentais, segurança tecnológica e competição entre blocos econômicos. Energia, sustentabilidade e infraestrutura Por trás desse crescimento exponencial, está também um desafio energético sem precedentes. As novas megafábricas de semicondutores são instalações intensivas em consumo elétrico e hídrico o que cria oportunidades para soluções em eficiência energética, energia renovável e gestão inteligente de recursos . Empresas e governos estão cada vez mais conscientes de que o futuro dos chips passa pela sustentabilidade industrial , um tema que conecta diretamente o setor de semicondutores à transição energética e à inovação em infraestrutura. Corrida global dos semicondutores: investimentos em megafábricas de 300 mm devem ultrapassar US$ 370 bilhões até 2028
- Líderes globais ajustam o compasso: menos otimismo econômico, mais aposta em IA e talentos humanos
Novo levantamento da KPMG mostra que CEOs estão reorientando suas estratégias para navegar a incerteza econômica com foco em inovação, sustentabilidade e tecnologia com a inteligência artificial no centro das decisões. Líderes globais ajustam o compasso: menos otimismo econômico, mais aposta em IA e talentos humanos Por EnergyChannel International A confiança dos principais executivos do mundo na economia global entrou em terreno mais cauteloso. Mesmo assim, os líderes empresariais estão intensificando seus investimentos em inteligência artificial (IA), reforçando equipes e acelerando compromissos climáticos, revela o Global CEO Outlook 2025 , estudo anual da KPMG com mais de 1.300 CEOs em 11 países. De acordo com o relatório, a confiança na economia global caiu para 68% , o menor índice desde 2021. O cenário de tensões geopolíticas , crescimento moderado e volatilidade dos mercados tem levado executivos a adotar uma postura mais prudente mas não menos ambiciosa. “O momento é de adaptação, não de retração”, destaca o estudo. “Os líderes estão redesenhando suas estratégias para garantir resiliência, inovação e propósito.” Estratégias redesenhadas para um novo ciclo Mais de 70% dos CEOs afirmaram já ter revisado seus planos de crescimento para enfrentar a nova fase macroeconômica. Gestão de riscos, agilidade operacional e transparência na comunicação despontam como as qualidades mais valorizadas na liderança corporativa. A mensagem central é clara: o crescimento sustentável agora se apoia tanto em inovação quanto em preparo humano. Nesse contexto, a IA surge como alicerce estratégico. Inteligência artificial ganha protagonismo com responsabilidade Entre as prioridades de investimento, a IA ocupa o topo da lista .Cerca de 71% dos CEOs classificam a tecnologia como seu principal foco estratégico, e 69% planejam destinar até 20% de seus orçamentos corporativos para iniciativas de IA ao longo de 2026. Mas o entusiasmo vem acompanhado de cautela. Riscos éticos (59%) , falta de preparo em dados (52%) e regulação insuficiente (50%) aparecem como os maiores desafios na governança da tecnologia. A KPMG destaca que cresce o número de executivos defendendo estruturas mais sólidas para garantir uma IA ética, segura e transparente . Mais empregos e qualificação no horizonte Ao contrário do temor de substituição em massa, os CEOs estão adotando uma visão de integração homem-máquina .Segundo o levantamento, 61% planejam ampliar contratações especialmente em funções voltadas à tecnologia e inteligência artificial e 92% esperam expandir o quadro de funcionários nos próximos 12 meses, mesmo diante das incertezas econômicas. A disputa por talentos digitais, no entanto, se intensifica: 70% dos executivos estão preocupados com a escassez de profissionais qualificados.Para 77% dos entrevistados, requalificar a força de trabalho é agora uma prioridade estratégica e urgente. Sustentabilidade volta ao centro das decisões Outro destaque do relatório é o avanço no compromisso com metas climáticas.A confiança em atingir os objetivos de emissões líquidas zero até 2030 subiu de 51% para 61% um salto que indica a retomada de projetos de descarbonização após um período de retração. Ao mesmo tempo, cresce a convergência entre tecnologia e sustentabilidade .Empresas estão direcionando IA e análise de dados para otimizar eficiência energética , reduzir emissões e monitorar cadeias produtivas de forma mais precisa e sustentável . Um novo equilíbrio corporativo O relatório da KPMG sinaliza uma transição importante no comportamento executivo global: menos otimismo macroeconômico, mas mais convicção estratégica .Mesmo diante de um cenário instável, os líderes parecem enxergar na combinação de inovação tecnológica, talento humano e sustentabilidade o caminho para o crescimento de longo prazo. “A próxima fase da liderança corporativa não será sobre cortar riscos, mas sobre moldá-los com propósito”, conclui o estudo. Líderes globais ajustam o compasso: menos otimismo econômico, mais aposta em IA e talentos humanos
- O Brasil está pronto para caminhões e ônibus 100% elétricos?
Lactec comenta avanços e desafios da eletrificação de veículos pesados no país O Brasil está pronto para caminhões e ônibus 100% elétricos? A eletrificação dos veículos pesados – caminhões e ônibus – já é uma realidade em países como China, Estados Unidos e algumas nações da Europa. No Brasil, o movimento começa a ganhar fôlego, mas ainda enfrenta desafios técnicos, regulatórios e de infraestrutura. Segundo dados da Plataforma E-Bus Radar, até junho de 2025, o Brasil contava com 1.143 ônibus elétricos em operação, sendo 794 convencionais a bateria, 327 trólebus e 21 articulados. Balanço da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) aponta que no primeiro semestre de 2025, em todo o país, entraram em linha 306 ônibus elétricos, um crescimento expressivo. Os números são relevantes, mas ainda modestos diante do tamanho da frota nacional. De acordo com o terceiro anuário Anuário Brasileiro da Mobilidade Elétrica, no mercado de caminhões, a penetração é ainda mais incipiente – seguindo a tendência global, em que a participação de elétricos médios e pesados permanece abaixo de 1% fora da China. Avanços e desafios da infraestrutura Carlos Gabriel Bianchin, pesquisador do Lactec e coordenador da Unidade Embrapii de Inteligência Embarcada, aponta que o principal entrave para expansão da frota elétrica pesada é a infraestrutura de carregamento. “O maior desafio é compor a demanda de potência que o veículo elétrico pesado exige com o modelo de negócio apropriado, sem causar prejuízos ou investimentos que demorem a retornar para operadores e frotistas”, explica. As estações de carregamento de alta potência exigem investimentos robustos e podem pressionar a rede elétrica. Para mitigar o impacto, Bianchin destaca o uso de sistemas de armazenamento de energia, capazes de equilibrar a demanda entre rede e baterias auxiliares, reduzindo custos e aumentando a estabilidade. Outro desafio é a localização dos eletropostos. “Isso depende da região, da frota, da disponibilidade de energia elétrica e da aplicação de transporte. Cada caso precisa de um modelo de negócio customizado”, afirma o pesquisador. Oportunidades para o setor Apesar dos obstáculos, o mercado apresenta oportunidades. Para os operadores de frotas, os veículos elétricos oferecem: redução de custos de manutenção, já que motores elétricos têm menos peças móveis; eliminação da necessidade de estoque de combustível; menor poluição sonora, com impacto positivo em áreas urbanas; ganhos de imagem e adequação a metas de descarbonização. Além disso, distribuidoras de energia têm papel central nesse ecossistema. Elas não apenas fornecem eletricidade, mas também podem investir em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para novas soluções de carregamento. Pesquisa e tecnologia nacionais O Brasil já conta com centros de pesquisa dedicados a desenvolver carregadores mais eficientes e adaptados à realidade da rede elétrica nacional. O Lactec, um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inovação do Brasil, por exemplo, atua em projetos para reduzir custos e aumentar a viabilidade de soluções voltadas ao transporte pesado elétrico. Entre as tecnologias que despontam mundo afora, estão os sistemas de carregamento sem fio, ainda em desenvolvimento e aplicados em testes pilotos. Mas, segundo Bianchin, o carregamento rápido em corrente contínua (DC) ainda é a solução mais viável para ônibus e caminhões. Mercado global em movimento O cenário internacional mostra a velocidade da transição. Só em 2022, a China vendeu 54 mil novos ônibus elétricos e 52 mil caminhões pesados elétricos, o que representou 80% a 85% das vendas globais (dados do terceiro anuário Anuário Brasileiro da Mobilidade Elétrica). Na América do Sul, Santiago (Chile) e Bogotá (Colômbia) já despontam como líderes regionais. Até agosto de 2025, as cidades tinham mais de 7 mil ônibus elétricos em circulação (dados da Plataforma E-Bus Radar). No Brasil, pelo menos nove fabricantes atuam na produção de ônibus elétricos. O mercado brasileiro já conta com 25 modelos disponíveis, prontos para atender às demandas específicas dos municípios. E o Brasil, está pronto? A resposta, por enquanto, é: a transição começou, mas ainda falta estrada pela frente. O país conta com incentivos governamentais e uma malha de pesquisa tecnológica em expansão. Contudo, a infraestrutura de carregamento, a adaptação da rede elétrica e a escala de produção de veículos ainda precisam amadurecer. “O Brasil tem condições técnicas e científicas de avançar, mas será fundamental alinhar modelos de negócio sustentáveis para que os investimentos em infraestrutura tragam retorno rápido e estimulem a adesão dos frotistas”, conclui Bianchin. Sobre o Lactec – O Lactec é um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inovação do Brasil. Atua fortemente nos mercados de Energia, Saneamento, Meio Ambiente, Indústria e Infraestrutura em todo o ciclo de inovação, desde P&D, ensaios e análises até a execução de processos complexos para o setor de infraestrutura. Há 65 anos, suas soluções e serviços atendem às demandas atuais dos diversos setores produtivos da economia brasileira, como empresas, indústrias e concessionárias de energia. Ao longo da sua história, consolidou-se com a conclusão de mais de 500 projetos. Possui mais de 300 profissionais, entre mestres e doutores, com sólida experiência de mercado. Sua sede administrativa fica em Curitiba, onde estão instaladas outras quatro unidades tecnológicas com ampla infraestrutura de laboratórios para atendimento a diversos segmentos industriais, além da unidade localizada em Salvador-BA. O Lactec é Unidade Embrapii de Inteligência Embarcada e em 2023 tornou-se Future Grid, o Centro de Competência Embrapii em Smart Grid e Eletromobilidade. Saiba mais em: lactec.com.br O Brasil está pronto para caminhões e ônibus 100% elétricos?
- Norte Energia e Fundação Guamá desenvolvem sistema inovador para regulação de frequência do sistema elétrico brasileiro
Projeto vai integrar fontes renováveis e armazenamento rápido para solucionar desafios operacionais da matriz energética nacional Norte Energia e Fundação Guamá desenvolvem sistema inovador para regulação de frequência do sistema elétrico brasileiro Um projeto-piloto que será implantado no Complexo Hidrelétrico Belo Monte, no Pará, vai desenvolver um Sistema Inteligente de Gestão de Aproveitamento Energético como solução para a regulação de frequência do Sistema Interligado Nacional (SIN), utilizando fontes renováveis e armazenamento em supercapacitores. O sistema é fruto de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação financiado pela Norte Energia, concessionária da Usina, e representa uma solução inédita para os desafios operacionais do setor elétrico brasileiro. A pesquisa será realizada pela Fundação de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável Guamá, por meio do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), vinculado à Universidade Federal do Pará e residente do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, o primeiro parque tecnológico em operação na Amazônia Brasileira. O projeto vai incorporar geração solar fotovoltaica e armazenamento de energia em supercapacitores para atuar de forma coordenada com a geração hidrelétrica, visando a regulação de frequência do sistema elétrico. A Norte Energia investirá cerca de R$ 11 milhões no projeto-piloto que prevê a instalação de uma usina solar na hidrelétrica Belo Monte, o desenvolvimento de um sistema de monitoramento online com relatórios e estatísticas, a instalação de um banco de supercapacitores e a criação de uma plataforma computacional voltada para operadores. Tudo isso será integrado à operação da hidrelétrica com o objetivo de aprimorar a regulação da frequência do SIN. A iniciativa reforça a dimensão da importância de Belo Monte para a segurança energética do Brasil, já que a hidrelétrica desempenha um papel fundamental para a estabilidade do SIN, especialmente diante da crescente inserção de fontes intermitentes como solar e eólica. “Nosso compromisso é com o pioneirismo no setor e com o desenvolvimento de soluções que garantam a segurança e a qualidade do fornecimento de energia para o país”, enfatiza Andreia Antloga do Nascimento, gerente de PDI da Norte Energia. A parceria com a Fundação Guamá nos permitirá aliar a sustentabilidade, por meio do uso de fontes renováveis e do armazenamento rápido, à eficiência operacional de uma usina tão estratégica como Belo Monte”, afirma. Inovação na Amazônia a serviço do setor elétrico A motivação para o desenvolvimento da pesquisa está na mudança de perfil do setor elétrico brasileiro. O país está usando cada vez mais fontes intermitentes como a solar e a eólica, cuja geração depende do sol e de vento e que não são capazes de controlar a frequência da energia elétrica. Manter a estabilidade da frequência para evitar falhas no sistema elétrico é uma tarefa hoje atribuída às hidrelétricas, o que tem provocado maior desgaste nos equipamentos destas usinas. O Sistema Inteligente de Gestão de Aproveitamento Energético que será desenvolvido em Belo Monte vai utilizar e armazenar a energia solar em supercapacitores, um tipo de bateria muito rápida. Assim, será possível auxiliar no controle da frequência de energia de forma mais eficiente do que o sistema atual. “O projeto é muito inovador e vai ser um marco na regulação de frequência da geração hidráulica de grande porte com as fontes intermitentes, fotovoltaica e eólica, entrando em massa no sistema elétrico nacional”, afirma Emília Tostes, coordenadora do Ceamazon. O resultado esperado é a geração de dados técnicos e científicos que podem contribuir com pesquisas e políticas públicas, promovendo a implantação de uma planta piloto para regulação de frequência e o pioneirismo com o desenvolvimento de uma nova tecnologia no setor energético. Norte Energia e Fundação Guamá desenvolvem sistema inovador para regulação de frequência do sistema elétrico brasileiro
- A Fórmula Energética Perfeita = Solar + Baterias (Bess)
Por Daniel Lima - ECOnomista A Fórmula Energética Perfeita = Solar + Baterias (Bess) O que podemos aprender com os EUA Os parques solares junto com as baterias estão aumentando mais rápido do que nunca nos EUA, permitindo o crescimento recorde da energia solar e a redução do uso de combustíveis fósseis. Em 2024, pela primeira vez, dois estados geraram mais de 30% de sua eletricidade anual a partir da energia solar. A Califórnia gerou 32%, acima dos 28% em 2023, enquanto Nevada saltou de 26% para 31%. Já o Texas, ultrapassou a Califórnia em capacidade solar em larga escala (centralizada) em 2024. As baterias são um divisor de águas Elas podem armazenar eletricidade durante períodos de alta geração solar, normalmente ao meio-dia, e disponibilizar essa energia para atender à alta demanda durante os picos noturnos ou mesmo durante a noite. Em nenhum lugar isso é mais evidente do que na Califórnia, onde um boom de baterias impulsionou a energia solar enquanto reduzia rapidamente o uso de termelétricas a gás. Em abril de 2024, as baterias na Califórnia tornaram-se, pela primeira vez, a maior fonte de eletricidade da rede durante o período noturno. Com as baterias assumindo um terço da demanda noturna a geração de termelétricas a gás foi reduzida em 43% em apenas dois anos. A Fórmula Energética Perfeita = Solar + Baterias (Bess) As baterias são essenciais para o aumento da energia solar, permitindo que ela atenda à crescente demanda por energia e substituindo a geração de termelétricas a gás e a carvão. Nos EUA, em 2024, para cada 1 MW de energia solar está sendo adicionado 3 MW de armazenamento em baterias. Na Califórnia, em apenas quatro anos, o estado passou de 0,6 GW de baterias em larga escala, em 2020, para 11,7 GW, em 2024, 45% de todo o Bess dos EUA. No ano passado, foi instalada 3,8 GW de capacidade de bateria em comparação com 2,5 GW de energia solar. A Fórmula Energética Perfeita = Solar + Baterias (Bess) Outros estados americanos estão correndo para recuperar o atraso. Em 2024, o Texas instalou 7,5 GW de baterias. O Arizona (2,1 GW) e Nevada (1,1 GW) também tiveram um grande crescimento. As baterias estão remodelando rapidamente a rede dos EUA, abrindo caminho para um maior crescimento solar. Em 2024 foram batidos todos os recordes com a instalação nos EUA de 36 GW de nova capacidade solar, sendo, 31 GW em grandes parques solares e 5 GW em geração distribuída (sobre os telhados), juntamente com 10 GW de baterias. No geral, as baterias representaram um terço das adições solares. Espera-se que essa proporção atinja 60% este ano. Marco histórico de energia limpa A energia proveniente das fontes eólica e solar (17%) ultrapassam a do carvão (15%), um marco histórico de eletricidade limpa nos EUA. A chave está nas baterias e o estado da Califórnia é um bom exemplo disso. A geração solar aumentou 18% no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado e a descarga de baterias cresceu 63%, permitindo cobrir até um terço da demanda máxima noturna. O impacto foi fulminante: a produção das termelétricas a gás caiu 43% em apenas dois anos. Contra todas as probabilidades e em plena era Trump na Casa Branca a Califórnia está provando que a luz do sol pode vencer as trevas da noite. A fórmula não tem mistério: muita capacidade de armazenamento por baterias e geração de energia fotovoltaica e uma gestão cada vez mais precisa da demanda. O resultado é que o gás natural, por décadas o rei do pico noturno, está perdendo terreno rapidamente. Durante o verão, em 41 dias, a rede elétrica da Califórnia conseguiu atender toda a demanda exclusivamente com energia solar, eólica e hidrelétrica, às vezes por mais de nove horas consecutivas. Em alguns dias, a oferta renovável ultrapassou 140% da demanda, com os excedentes exportados para os estados vizinhos. Era o que poderia estar acontecendo no Nordeste brasileiro se tivéssemos redes de transmissão adequadas a geração . A operadora da rede californiana permitiu a arbitragem de preços armazenando quando a energia é abundante e barata, vendendo em horários caros e a participação em serviços de regulação, reservando parte da capacidade armazenada para os chamados "horários críticos" da tarde, substituindo as turbinas a gás das termelétricas que costumavam dominar esse período. A função estratégica da Geração Distribuída (sobre os telhados) Dois fatores contribuíram para o êxito. Por um lado, os telhados solares já produzem o equivalente a 13% da eletricidade vendida na Califórnia, reduzindo a demanda diurna da rede e, quando combinados com baterias domésticas, também diminuindo a demanda noturna. Por outro lado, o programa Demand-Side Grid-Support (DSGS) resultou em uma das maiores usinas virtuais do mundo, com mais de 200 MW operacionais e 720 MW de baterias de clientes. No verão de 2024, foi ativado 16 vezes durante ondas de calor e testou seu efeito estabilizador. O Brasil tem toda condição de seguir o mesmo caminho. Impacto nos preços O resultado mais imediato para os consumidores é a redução dos preços. As energias renováveis reduziram o custo no atacado: o preço à vista caiu 53% em relação ao ano anterior e muitos setores do meio-dia registraram preços negativos, amortecidos pelo fato de as baterias já absorverem 15% da demanda nesses horários. A Fórmula Energética Perfeita = Solar + Baterias (Bess) Mas isso não significa que está tudo resolvido, pois a Califórnia ainda enfrenta desafios. A rede precisa continuar aprimorando sua flexibilidade: transferir a energia hidrelétrica para o período noturno, acelerar a energia eólica offshore e fortalecer a gestão da demanda são etapas essenciais. O Brasil e o paradoxo energético Enquanto a Califórnia vence a batalha contra a energia fóssil, o Brasil vive o paradoxo oposto: produz mais energias renováveis do que nunca, mas não sabe aproveitá-las integralmente. O problema não é a falta de sol ou vento, mas sim o armazenamento e a flexibilidade. Sem baterias ou bombeamento hidráulico suficientes, a rede elétrica não tem uma reserva para transferir o excedente do horário de pico do meio-dia para o horário de pico da noite. A Fórmula Energética Perfeita = Solar + Baterias (Bess) O governo brasileiro, mesmo que tardiamente, está reagindo com os leilões de reserva de capacidade. Este ano foi para as térmicas e hidrelétricas e no ano que vem deverá vir o do armazenamento por baterias. Segundo informes do MME o governo pensa em leiloar 2 GW de armazenamento. Isso representa um bom começo, mas soluções estruturais construção de redes, mais baterias, armazenamento hidráulico, microrredes e gerenciamento da demanda deverão ser prioridades do governo para os próximos anos. Falta "regulação adequada" para as baterias Após divulgação do resultado da consulta pública, a agência reguladora ainda "nada na maionese" na regulação das baterias. Apenas recentemente divulgou os documentos e estudos necessários aos sistemas de armazenamento de energia elétrica (SAE) instalados juntos com centrais geradoras. A lista é a seguinte: 1. Arranjo geral do empreendimento contendo a delimitação da poligonal do sistema de armazenamento de energia e da rede de interesse restrito, partindo da subestação coletora da central até o ponto de conexão, conforme modelo disponível no site da ANEEL. 2. Estudo técnico com estimativa de injeção anual de energia elétrica associada ao empreendimento, incluindo perfil de operação previsto, eficiência global do sistema, potência de descarga, capacidade de armazenamento, descrição da tecnologia e dos equipamentos adotados. 3. Licença ambiental compatível com as características técnicas do projeto. 4. Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (Cust) celebrado junto ao ONS e, se for o caso, Contrato de Uso do Sistema de Distribuição (Cusd) celebrado com a distribuidora, acompanhados do parecer de acesso ou documento equivalente. 5. Sumário Executivo para emissão de outorga. Dois caminhos, uma lição A Califórnia deverá tingir 80% de energias renováveis até 2028. Este índice o Brasil já alcançou há bastante tempo. A moral da história é clara: a Califórnia prova que não são necessários milagres ou tecnologias futuristas: energia solar, eólica, hidrelétrica e armazenamento em baterias são suficientes para derrubar o uso de combustíveis fósseis na geração de eletricidade. No Brasil, por outro lado, sem capacidade de armazenamento e gerenciamento suficientes, as energias renováveis não podem cumprir o seu papel de descarbonizar o setor elétrico. O caminho é claro; a questão é a vontade para se chegar lá. Sobre o autor: Economista com MBA em Arquitetura, Construção e Gestão de Construções Sustentáveis, Daniel Lima construiu uma carreira plural e estratégica, atuando nos setores público, privado e terceiro setor. Com ampla experiência em projetos sustentáveis e captação de recursos nacionais e internacionais, Daniel se destacou como Coordenador Geral do PRODETUR Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste, onde liderou iniciativas de impacto regional. Atualmente, é especialista e consultor em energia solar, Diretor de BESS da GVD Energia, CEO da Agrosolar Investimentos Sustentáveis, e Conselheiro da Energia Verde do Brasil – EVBIO, contribuindo para a transição energética e o fortalecimento da economia verde no país. Seu trabalho une visão econômica, inovação tecnológica e compromisso ambiental pilares essenciais para um futuro mais justo e sustentável. A Fórmula Energética Perfeita = Solar + Baterias (Bess)
- Brasil estabelece novas regras para integração de sistemas de armazenamento com geradores de energia
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) publicou recentemente orientações detalhadas para a instalação e operação de sistemas de armazenamento de energia conectados a centrais geradoras. As novas diretrizes têm como objetivo assegurar que essas tecnologias funcionem com segurança, eficiência e confiabilidade dentro da rede elétrica nacional. Brasil estabelece novas regras para integração de sistemas de armazenamento com geradores de energia De acordo com a ANEEL, os documentos abordam aspectos técnicos fundamentais, como requisitos de proteção, monitoramento, compatibilidade com diferentes tipos de geradores e procedimentos para manutenção preventiva. O regulador enfatiza que a correta integração desses sistemas é essencial para evitar riscos à rede e garantir a estabilidade do fornecimento de energia. Especialistas do setor destacam que a regulamentação chega em um momento estratégico, à medida que o Brasil expande a adoção de soluções de armazenamento, impulsionadas pelo crescimento das fontes renováveis, como solar e eólica. “O armazenamento é um elemento-chave para viabilizar a flexibilidade da rede e maximizar o aproveitamento de energia limpa”, explica um executivo do setor. As orientações da ANEEL também incluem recomendações sobre o dimensionamento dos sistemas, protocolos de operação em situações de emergência e critérios de performance. A expectativa é que essas medidas facilitem a entrada de novos players no mercado de armazenamento, além de incentivar investimentos em tecnologias inovadoras que apoiem a transição energética do país. Com a publicação dessas diretrizes, o Brasil avança no fortalecimento de sua infraestrutura elétrica, alinhando-se a tendências globais de integração de baterias e outras soluções de armazenamento de energia com centrais geradoras, promovendo maior confiabilidade e segurança para consumidores e empresas. Brasil estabelece novas regras para integração de sistemas de armazenamento com geradores de energia
- China impõe novas restrições à exportação de baterias e materiais críticos e o setor global de energia reage
A disputa tecnológica entre China e Estados Unidos ganha um novo capítulo. Pequim anunciou um pacote de restrições à exportação de baterias de íon-lítio e de materiais estratégicos usados em sua produção, em uma medida que já movimenta todo o ecossistema global de armazenamento de energia e mobilidade elétrica. China impõe novas restrições à exportação de baterias e materiais críticos e o setor global de energia reage Em resposta, Washington aplicou tarifas adicionais de até 100% sobre baterias e componentes chineses intensificando uma guerra comercial que pode redefinir o equilíbrio industrial do setor. O que está em jogo As novas regras chinesas afetam quatro categorias-chave: Células e pacotes de baterias com densidade ≥300 Wh/kg Materiais de cátodo LFP com densidade ≥2,5 g/cm³ e ≥156 mAh/g Materiais de ânodo de grafite , incluindo misturas sintéticas e naturais Equipamentos de produção voltados à fabricação de células, ânodos e cátodos Segundo especialistas, a decisão mira diretamente tecnologias de alta densidade energética , essenciais para aplicações em veículos elétricos, drones e sistemas de defesa , áreas consideradas estratégicas para o domínio tecnológico chinês. Impacto desigual no mercado global Apesar do tom restritivo, o efeito imediato sobre o setor de armazenamento de energia em escala de rede deve ser limitado. A maior parte das células LFP utilizadas em grandes projetos de storage com densidade entre 180 e 190 Wh/kg ainda está fora do escopo da restrição. Essas células continuam elegíveis para exportação, o que deve preservar o abastecimento de sistemas de armazenamento em países fora dos EUA. Já o impacto sobre a fabricação de baterias fora da China é mais profundo. As novas regras atingem diretamente a exportação de materiais catódicos e anódicos , dificultando o acesso de gigafábricas em construção na Europa e nos Estados Unidos a insumos críticos. O risco é que esses projetos se tornem montadoras , e não fabricantes plenos , caso o fornecimento de componentes de base permaneça concentrado na Ásia. Tarifas americanas e a dependência estrutural Nos EUA, a reação foi imediata: o governo anunciou tarifas extras de 100% sobre importações chinesas de baterias e células. A medida, no entanto, não resolve a dependência estrutural da cadeia de suprimentos, e pode até elevar custos para integradores e desenvolvedores de projetos de armazenamento no curto prazo.Com a redução da competitividade nos Estados Unidos, especialistas avaliam que os fabricantes chineses devem redirecionar excedentes para outros mercados , beneficiando desenvolvedores da América Latina, Europa e África. A médio e longo prazo, Washington tenta impulsionar a produção doméstica de materiais e células , mas o desafio é enorme: reconstruir décadas de know-how industrial acumulado pela China. O renascimento do íon de sódio Um possível efeito colateral positivo dessa disputa é o impulso à tecnologia de baterias de íon de sódio (Na-ion) , que vem ganhando espaço como alternativa mais acessível e menos dependente de insumos controlados por Pequim. Essas baterias compartilham formatos prismáticos com as de lítio, mas utilizam carbono duro em vez de grafite sintético , e contam com sódio abundante e barato no mundo todo.Nos Estados Unidos, empresas como a Peak Energy já investem em soluções verticais baseadas nessa tecnologia, apostando em uma transição que pode redesenhar o mercado global de armazenamento de energia. Conclusão A combinação de restrições chinesas e tarifas americanas inaugura uma nova fase da corrida global por autonomia tecnológica no setor de baterias.Entre desafios e oportunidades, a disputa sinaliza que o futuro da energia assim como o das grandes cadeias industriais será definido tanto pela inovação quanto pela geopolítica. China impõe novas restrições à exportação de baterias e materiais críticos e o setor global de energia reage
- MP 1.304/2025: o novo marco que pode redefinir o equilíbrio de poder no setor energético brasileiro
Brasília, Outubro de 2025 A Medida Provisória 1.304, editada pelo governo federal em julho, acendeu um intenso debate sobre o futuro da energia no Brasil. MP 1.304/2025: o novo marco que pode redefinir o equilíbrio de poder no setor energético brasileiro Apresentada como instrumento para conter o aumento das tarifas e reorganizar subsídios, a MP também expõe uma disputa crescente nos bastidores: quem comandará o próximo ciclo de expansão energética os grupos tradicionais das fontes fósseis ou a nova geração de empresas de energia limpa ? O que é a MP 1.304/2025 A MP 1304 busca reduzir os impactos tarifários ao consumidor de energia elétrica , ajustando leis do setor elétrico e de gás natural.Entre os principais pontos, estão: Limitação dos repasses para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) , que financia subsídios e programas de universalização; Criação do Encargo de Complemento de Recursos (ECR) , para compensar eventuais lacunas de financiamento; Reforço à contratação de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) em substituição às térmicas inflexíveis; Novas regras para comercialização do gás natural da União , via leilões públicos organizados pela PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.). Mercado energético em transição: uma disputa de modelos O texto da MP surge em meio a uma reconfiguração do mercado energético brasileiro . De um lado, grandes grupos com forte presença em térmicas e contratos inflexíveis pressionam por estabilidade regulatória e manutenção de subsídios.De outro, novos players em energia renovável empresas solares, eólicas, hidrelétricas de pequeno porte e cogeração qualificada ganham espaço político e econômico e exigem uma regulação mais moderna, eficiente e transparente . Esses agentes defendem a redução dos encargos que penalizam fontes limpas e pedem simplificação nas regras de licenciamento, transmissão e comercialização .O argumento é direto: o sistema atual, criado em um contexto de predominância fóssil, encarece artificialmente as renováveis e desestimula investimentos em inovação . “A MP 1304 é uma chance histórica de corrigir distorções. Precisamos de um ambiente competitivo, com previsibilidade e menos travas burocráticas”, afirma um executivo de uma das maiores empresas eólicas do Nordeste, sob anonimato. Com custos de geração cada vez mais baixos e tecnologias mais maduras, os novos grupos renováveis estão dispostos a desafiar o modelo de dependência de contratos de térmicas .Além disso, defendem uma transição mais equilibrada , na qual o gás natural cumpra papel de fonte de apoio e não de bloqueio à expansão da matriz limpa. Bastidores e tensões políticas O debate em torno da MP 1304 revelou alianças e rupturas entre setores antes alinhados.Térmicas e distribuidoras tradicionais veem risco na reconfiguração dos encargos, temendo perda de contratos e previsibilidade de receita.Já os defensores das renováveis apostam em um novo ciclo de competitividade , com abertura de mercado livre e revisão das tarifas de uso dos sistemas de transmissão (TUST e TUSD). Nos bastidores do Congresso, a disputa envolve não apenas as fontes energéticas, mas também o controle de fluxos financeiros bilionários do setor — desde a CDE até os repasses regulados pela Aneel e os fundos de amortização das distribuidoras. O que pode mudar na prática Consumidores : devem sentir alívio parcial nas tarifas, caso o teto de repasses da CDE seja mantido. Investidores : esperam mais previsibilidade regulatória, essencial para destravar novos projetos renováveis. Empresas fósseis : podem enfrentar desvalorização de ativos e readequação de contratos de longo prazo. Gás natural : tende a se reposicionar como elemento de transição, com abertura do mercado e maior competitividade. O futuro em disputa A MP 1304 pode marcar o início de uma nova era energética no Brasil .Ela propõe reorganizar a estrutura de custos e abrir espaço para que a transição energética ganhe força econômica e institucional , reduzindo o peso de subsídios cruzados e incentivando a eficiência de mercado. Mas o resultado dependerá de sua tramitação no Congresso , do equilíbrio entre interesses e, principalmente, da capacidade de o país definir um modelo de energia que combine competitividade, sustentabilidade e segurança . Enquanto isso, os novos players das renováveis continuam ampliando sua influência e, pela primeira vez, não apenas como protagonistas tecnológicos, mas também como força política no centro das decisões sobre o futuro energético brasileiro . MP 1.304/2025: o novo marco que pode redefinir o equilíbrio de poder no setor energético brasileiro
- Rio Grande do Norte amplia liderança solar com novo complexo fotovoltaico de 117,5 MW
Com investimento de R$ 569 milhões, o Complexo Dunamis marca mais um passo estratégico do Novo PAC para fortalecer a geração limpa no Nordeste. Rio Grande do Norte amplia liderança solar com novo complexo fotovoltaico de 117,5 MW O Brasil segue acelerando sua transição energética com a entrada em operação do Complexo Fotovoltaico Dunamis , no Rio Grande do Norte um dos estados com maior potencial solar do país. O empreendimento, que integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) , recebeu um investimento estimado em R$ 569 milhões e adiciona 117,5 megawatts (MW) de capacidade instalada ao sistema elétrico nacional. Composto por 36 unidades geradoras , o projeto está dividido em quatro usinas Dunamis I, II, III e IV e reforça o papel do Nordeste como protagonista na geração de energia renovável no Brasil. A nova estrutura é capaz de atender o consumo médio de cerca de 150 mil residências , contribuindo para a redução das emissões de CO₂ e para o avanço das metas de descarbonização do país. “O Rio Grande do Norte vem consolidando uma matriz energética cada vez mais sustentável, com destaque para a energia solar e eólica. O Complexo Dunamis representa a continuidade dessa transformação estrutural”, destacou o Ministério de Minas e Energia em comunicado. Além do impacto ambiental positivo, o projeto também gera empregos diretos e indiretos , estimulando a economia local e fortalecendo a cadeia produtiva de equipamentos solares, serviços de engenharia e logística na região. Com este novo empreendimento, o Brasil ultrapassa a marca de 37 GW de potência instalada em energia solar , segundo dados da ANEEL , consolidando-se entre os maiores mercados fotovoltaicos do mundo. Rio Grande do Norte amplia liderança solar com novo complexo fotovoltaico de 117,5 MW
- Ming Yang anuncia megainvestimento de £1,5 bilhão para instalar fábrica de turbinas eólicas na Escócia
A gigante chinesa de energia renovável Ming Yang Smart Energy confirmou planos para investir 1,5 bilhão de libras na construção de uma fábrica de turbinas eólicas no norte da Escócia um dos maiores aportes industriais já realizados por uma empresa asiática no setor de energia britânico. Ming Yang anuncia megainvestimento de £1,5 bilhão para instalar fábrica de turbinas eólicas na Escócia O projeto, que aguarda aprovação final do governo do Reino Unido , prevê a instalação de um complexo industrial totalmente integrado voltado à produção de pás, naceles e sistemas eletrônicos de turbinas de grande porte. O Porto de Ardersier , próximo a Inverness , foi selecionado como local preferencial para receber a unidade, embora outros terrenos ainda estejam sendo avaliados pela companhia. Três fases de expansão e foco na energia offshore flutuante A nova planta será construída em três etapas , com a primeira fase exigindo £750 milhões em investimentos e início de produção previsto para o final de 2028 . Essa etapa concentrará a fabricação dos principais componentes mecânicos das turbinas. Na segunda fase , a Ming Yang pretende expandir a estrutura para atender à indústria eólica offshore flutuante um segmento em rápida ascensão no Reino Unido e Europa. Já a terceira fase adicionará linhas de produção de sistemas de controle, eletrônicos de potência e componentes de automação , consolidando a fábrica como um hub tecnológico completo para o setor. 3 mil empregos e fortalecimento da cadeia de suprimentos europeia De acordo com projeções iniciais, o empreendimento poderá gerar até 1.500 empregos diretos em sua primeira fase, com outros 1.500 postos adicionais à medida que o projeto avança. O objetivo é criar uma cadeia de fornecimento local robusta e reduzir a dependência de importações asiáticas de componentes eólicos. “Esta será a primeira unidade de fabricação de turbinas totalmente integrada do Reino Unido , reforçando nosso compromisso com a transição energética europeia”, afirmou um porta-voz da empresa. Parceria estratégica com a britânica Octopus Energy O anúncio do investimento vem logo após a parceria firmada em setembro entre a Ming Yang e a Octopus Energy , uma das maiores desenvolvedoras de energia limpa do Reino Unido. O acordo prevê o uso de turbinas Ming Yang em projetos que somam até 6 GW de capacidade instalada , ampliando significativamente o portfólio de energia eólica britânico. Um novo capítulo para a indústria eólica europeia Com a expansão planejada na Escócia, a Ming Yang se posiciona como um dos principais atores globais da transição energética , reforçando a presença chinesa em mercados estratégicos fora da Ásia. O projeto também deve impulsionar a indústria eólica offshore europeia , especialmente no segmento de plataformas flutuantes , que promete ser o próximo grande salto tecnológico do setor. Sobre o EnergyChannel Group O EnergyChannel Group é um hub de comunicação multiplataforma especializado em energia, sustentabilidade, mobilidade e construção inovadora . O grupo reúne portais de notícias, produções audiovisuais e séries documentais voltadas à transição energética global. Ming Yang anuncia megainvestimento de £1,5 bilhão para instalar fábrica de turbinas eólicas na Escócia
- Setor de biomassa alerta para riscos operacionais e perdas financeiras com cortes de geração no Brasil
Associações do setor enviam carta à Aneel alertando que o desligamento forçado de usinas Tipo III pode causar instabilidade técnica, prejuízos econômicos e impacto na cadeia produtiva da bioenergia. Setor de biomassa alerta para riscos operacionais e perdas financeiras com cortes de geração no Brasil As principais entidades representativas da bioenergia no Brasil Abiogás , Cogen e Unica enviaram uma carta conjunta ao diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manifestando preocupação com os efeitos do curtailment (corte de geração) imposto a usinas Tipo III movidas a biomassa . Segundo as entidades, o procedimento, que reduz ou interrompe temporariamente a geração de energia, tem provocado instabilidade operacional nas usinas durante o processo de ressincronização com a rede elétrica , além de comprometer a segurança técnica e financeira dos empreendimentos. Essas usinas, geralmente vinculadas à indústria sucroenergética ou a outros processos agroindustriais, operam de forma integrada à produção principal como a fabricação de etanol, açúcar ou biogás. O corte forçado, portanto, não representa apenas uma perda na venda de energia, mas também interrompe fluxos produtivos essenciais , podendo causar danos mecânicos e desperdício de matéria-prima . “A biomassa é uma fonte estratégica para o equilíbrio do sistema elétrico, pois oferece energia despachável e sustentável. O corte das usinas Tipo III desconsidera essa função e coloca em risco a operação e a competitividade do setor”, afirmam as associações na carta encaminhada à Aneel. Além das consequências técnicas, as entidades alertam para o impacto financeiro direto . Como grande parte dessas usinas está conectada em contratos de geração distribuída ou no mercado livre, a interrupção afeta a receita dos produtores e a previsibilidade do suprimento energético regional . O pleito conjunto solicita à Aneel uma revisão dos critérios de corte aplicados às usinas Tipo III , com o objetivo de preservar a estabilidade da rede e a sustentabilidade econômica das operações bioenergéticas . O movimento reforça o papel da biomassa no mix energético brasileiro , em especial no contexto da transição energética e da busca por fontes firmes e renováveis capazes de apoiar a expansão solar e eólica. Setor de biomassa alerta para riscos operacionais e perdas financeiras com cortes de geração no Brasil











