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- Braga propõe isenção bilionária para baterias e reacende debate sobre limite fiscal e viabilidade do primeiro leilão de armazenamento
Relatório da MP 1304/2025 prevê incentivos inéditos para sistemas BESS e pode antecipar a política nacional de armazenamento de energia mas o teto de R$ 1 bilhão em renúncia fiscal pode travar a expansão do mercado. Crédito: Roque de Sá/Agência Senado | Braga propõe isenção bilionária para baterias e reacende debate sobre limite fiscal e viabilidade do primeiro leilão de armazenamento O mercado de armazenamento de energia no Brasil está prestes a dar um salto histórico. O senador Eduardo Braga (MDB/AM) apresentou nesta terça-feira (28) o relatório da Medida Provisória 1304/2025 , que propõe um pacote de incentivos fiscais inéditos para sistemas de armazenamento em baterias (BESS) tecnologia essencial para equilibrar a geração intermitente de fontes renováveis e garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). O texto chega em meio às expectativas do primeiro leilão de reserva de capacidade com baterias , previsto para o segundo semestre de 2025 , e antecipa, na prática, parte da política de armazenamento que o governo federal pretende implementar nos próximos anos. Incentivos para destravar o mercado O relatório apresentado por Braga propõe isenção total de IPI, PIS/Cofins e PIS/Cofins-importação para baterias destinadas ao setor elétrico. O governo também ficaria autorizado a reduzir a zero o Imposto de Importação sobre equipamentos e componentes utilizados em projetos de armazenamento. Na prática, a proposta busca corrigir o que o relator classifica como uma “distorção estrutural”: hoje, sistemas BESS são tributados como equipamentos de informática , acumulando uma carga tributária próxima de 71% , o que inviabiliza projetos comerciais de larga escala no país. “É uma medida de transição que antecipa os efeitos da reforma tributária, criando condições para o Brasil entrar de forma competitiva no mercado global de armazenamento”, afirmou Braga durante a leitura do relatório. O incentivo teria validade imediata, com vigência até o início da reforma tributária em 2027 . O gargalo do teto fiscal Apesar do entusiasmo do setor, o texto estabelece um limite de renúncia fiscal de R$ 1 bilhão , valor que especialistas já consideram insuficiente para sustentar o crescimento esperado da cadeia de armazenamento. Segundo cálculos obtidos pelo EnergyChannel , considerando projetos padrão de 30 MW / 150 MWh com custo médio estimado de US$ 90 a 95 por kWh instalado e um investimento total na faixa de US$ 13,5 a 14,2 milhões (R$ 73 a 77 milhões) — o teto fiscal seria alcançado com apenas 20 instalações comerciais . Isso significa que a política pode se esgotar em menos de um ano. Além disso, como os equipamentos são cotados em dólar , especialistas defendem que o limite de renúncia deveria ser definido também em USD , evitando distorções cambiais e garantindo previsibilidade para investidores estrangeiros. “Se o leilão de baterias avançar dentro do cronograma, esse teto pode se tornar um novo gargalo para o setor”, avalia um analista ouvido pelo EnergyChannel. Leilão de baterias: primeiro passo da transição O Ministério de Minas e Energia (MME) já confirmou que o LRCAP 12/25 o primeiro leilão de reserva de capacidade com baterias prevê 2 GW de potência contratada , com 5 horas de armazenamento por sistema , o que representa uma importação estimada entre 11 e 13 GWh no período entre o 4º trimestre de 2026 e o 2º trimestre de 2028 . Com prazo de implantação de 18 a 24 meses , a iniciativa deve posicionar o Brasil como um dos primeiros países emergentes a adotar BESS em escala nacional . Segundo o ministro Alexandre Silveira , o governo já busca atrair investimentos internacionais, especialmente da China , onde empresas como Huawei Digital Power, BYD, CATL, Envision, Sungrow, HyperStrong e Hithium Energy Storage manifestaram interesse no certame. Reação do setor A proposta foi recebida com otimismo pela Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) . Para o diretor-executivo Fábio Lima , a desoneração de bens de capital deve impulsionar novas aquisições já em 2026 e abrir caminho para a competição de baterias no mercado de capacidade . “O sistema de armazenamento precisa de regras claras e competitividade. É fundamental que o setor possa competir em igualdade com as demais fontes de geração”, afirmou. Ainda assim, Lima destacou que a entidade está analisando possíveis impactos da medida sobre o leilão de baterias: “Vamos revisar o texto item por item para garantir que não haja nenhum risco para o certame, que já sofreu sucessivos atrasos”. Segurança energética e preço de pico Além dos incentivos fiscais, o relatório também cria um mecanismo competitivo para geração em horários de pico , custeado pelo encargo de reserva de capacidade , como forma de valorizar o armazenamento e reduzir pressões sobre o custo da energia. Segundo Braga, a medida busca “alocar de forma mais equilibrada os custos da segurança energética”, evitando que recaiam exclusivamente sobre o consumidor. Um novo capítulo para a transição energética Se aprovado, o pacote de incentivos pode acelerar o ingresso do Brasil na nova fronteira tecnológica do armazenamento , criando um mercado estratégico que complementa a geração renovável e reforça a segurança energética nacional . Mas, com o teto fiscal limitado e prazos apertados, o sucesso da política dependerá de ajustes finos entre governo, Congresso e investidores e de uma definição clara sobre como o país pretende financiar o futuro da energia limpa e flexível . Braga propõe isenção bilionária para baterias e reacende debate sobre limite fiscal e viabilidade do primeiro leilão de armazenamento
- ABB lança modelo de “bateria como serviço” e promete democratizar o armazenamento de energia com apoio da IA
Nova proposta da ABB e da GridBeyond elimina custos iniciais e riscos tecnológicos, oferecendo soluções completas de armazenamento energético para empresas que buscam eficiência e sustentabilidade. ABB lança modelo de “bateria como serviço” e promete democratizar o armazenamento de energia com apoio da IA À medida que a transição energética avança e o consumo de eletricidade dispara, o armazenamento em baterias se torna peça central para garantir estabilidade e economia no sistema elétrico global. No entanto, o alto custo de instalação ainda afasta muitas empresas dessa tecnologia — um desafio que a ABB quer resolver com o modelo BESS-as-a-Service (Battery Energy Storage System as a Service). Segundo um novo whitepaper produzido pela ABB em parceria com a GridBeyond , a proposta permite que empresas acessem o armazenamento de energia sem precisar investir em infraestrutura ou lidar com riscos tecnológicos. Em vez de comprar e operar o sistema, o cliente paga uma taxa mensal de operação (OPEX) e a ABB assume o projeto, a instalação, a manutenção e o gerenciamento do desempenho por um período de 10 a 20 anos. Energia sob demanda e sem barreiras O conceito é simples, mas revolucionário. As baterias armazenam o excedente de energia solar e eólica em momentos de baixa demanda, liberando-a quando o consumo atinge o pico reduzindo custos e emissões. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE) , o mundo adicionou cerca de 42 GW em novas baterias apenas em 2023, reflexo direto da corrida por soluções de flexibilidade energética. Nos Estados Unidos, a demanda total de eletricidade deve crescer 25% até 2030 , impulsionada pelo avanço da eletrificação e dos data center's que, sozinhos, devem consumir 945 TWh por ano até o fim da década. “ O argumento comercial para o armazenamento nunca foi tão forte ”, afirma Stuart Thompson , presidente da ABB Electrification Service. “As empresas precisam de soluções que gerem retorno imediato, aumentem a resiliência e se adaptem rapidamente às mudanças do mercado. O BESS-as-a-Service elimina as barreiras de entrada: sem capital inicial e sem risco tecnológico, apenas acesso direto a economia e novas receitas.” Autonomia energética para empresas As unidades comerciais e industriais de BESS costumam variar de 500 kW a 20 MW , ocupando o espaço equivalente a poucas vagas de estacionamento. Isso permite a instalação até mesmo em áreas urbanas compactas, reduzindo a dependência da rede elétrica e ampliando o aproveitamento da energia solar autogerada. Além disso, as baterias podem atuar em sinergia com bombas de calor e carregadores de veículos elétricos , armazenando energia durante o dia e liberando-a à noite um passo essencial para o equilíbrio da geração renovável. Serviço completo e previsível No modelo “como serviço”, a ABB é responsável pela performance, manutenção e substituição dos equipamentos, enquanto a GridBeyond usa inteligência artificial para gerenciar a operação e otimizar os resultados. “Nosso novo BESS-as-a-Service inaugura uma série de soluções baseadas em serviço que permitirão às empresas adotar tecnologias energéticas avançadas sem grandes investimentos iniciais”, explica Thompson. “Estamos removendo barreiras financeiras e técnicas para acelerar a transição energética global.” Inteligência artificial no comando A parceria com a GridBeyond dá ao sistema um diferencial estratégico: o uso de IA para prever disponibilidade de energia, preços de mercado e padrões de consumo . “Utilizamos algoritmos capazes de analisar dados históricos, condições climáticas e comportamento do mercado em tempo real”, detalha Michael Phelan , CEO e cofundador da GridBeyond. “Com isso, conseguimos antecipar variações na oferta e demanda, otimizando o uso das baterias e maximizando o retorno financeiro dos clientes.” Segundo Phelan, essa camada de inteligência torna o sistema mais ágil e preparado para um mercado de energia cada vez mais dinâmico. “É a união entre automação, dados e energia limpa — o que define o futuro da gestão energética empresarial.” O futuro do armazenamento chega em formato de serviço Com o avanço das metas globais de descarbonização e a crescente pressão por eficiência energética, o BESS-as-a-Service da ABB surge como uma solução escalável e financeiramente acessível. Ao combinar infraestrutura tecnológica, inteligência artificial e modelo de assinatura , a proposta promete acelerar a adoção do armazenamento e impulsionar um novo ciclo de inovação no setor elétrico. ABB lança modelo de “bateria como serviço” e promete democratizar o armazenamento de energia com apoio da IA
- Facilitar para Financiar: A Nova Chave para Destravar o Investimento Climático Global
Com a meta de triplicar a capacidade renovável até 2030, especialistas apontam que o desafio não é apenas captar recursos mas conectar bons projetos ao financiamento certo, especialmente nos países em desenvolvimento. Facilitar para Financiar: A Nova Chave para Destravar o Investimento Climático Global A meta global de limitar o aquecimento a 1,5 °C depende diretamente da velocidade com que o mundo conseguirá ampliar suas fontes renováveis e dobrar a eficiência energética. Esse compromisso, firmado durante a COP28 e consolidado no chamado Consenso dos Emirados Árabes Unidos , estabeleceu um marco ambicioso: atingir 11,2 terawatts de capacidade renovável até 2030. Mas transformar metas em megawatts exige mais do que promessas exige dinheiro, planejamento e, principalmente, projetos prontos para investimento. Entre 2025 e 2030, o mundo precisará investir pelo menos US$ 1,4 trilhão por ano apenas em renováveis mais que o dobro dos níveis atuais, estimados em US$ 624 bilhões em 2024. Embora 2023 tenha marcado um recorde histórico, com US$ 2 trilhões aplicados na transição energética global, esses recursos continuam concentrados em países desenvolvidos. Na prática, o Sul Global ainda enfrenta barreiras severas para acessar o financiamento climático necessário à implementação de seus projetos. O elo perdido entre o capital e a execução Durante a COP29, as nações concordaram em triplicar o volume de financiamento climático destinado a países em desenvolvimento, chegando a US$ 300 bilhões anuais . Um avanço, sem dúvida mas que ainda representa uma fração dos US$ 5 trilhões por ano estimados como necessários para cumprir a agenda de descarbonização até 2030. É nesse cenário que a chamada facilitação de projetos ganha destaque. O conceito se refere a um conjunto de ações técnicas, regulatórias e financeiras voltadas a preparar projetos para receber investimento. Em outras palavras, é o processo que transforma uma boa ideia em um ativo bancável. Segundo especialistas ouvidos pelo EnergyChannel , a maior parte das propostas de energia renovável no Sul Global não chega sequer a essa etapa. “Há muitos projetos promissores, mas poucos prontos para receber capital. Faltam estrutura técnica, garantias e clareza regulatória”, explicam fontes ligadas a organismos multilaterais de financiamento climático. De projetos viáveis a projetos financiáveis As instituições financeiras exigem documentação robusta, garantias de retorno e um grau mínimo de maturidade técnica. Sem apoio especializado, desenvolvedores de países emergentes acabam travados na fase inicial. É aqui que entram as plataformas de facilitação, que oferecem consultoria técnica, assessoria regulatória e apoio jurídico para estruturar os projetos de forma compatível com os critérios internacionais de elegibilidade. Essas iniciativas reduzem riscos, aumentam a credibilidade e ampliam as chances de fechamento financeiro. Ao mesmo tempo, promovem um ambiente de confiança entre desenvolvedores e investidores um fator essencial para destravar capital de longo prazo. Cooperação e sinergia: a nova base do financiamento climático Especialistas defendem que a facilitação de projetos deve ir além de intermediar recursos: precisa acelerar a expansão global das energias limpas . Isso implica coordenação entre bancos de desenvolvimento, governos e o setor privado, além da criação de mecanismos híbridos que combinem recursos públicos e privados para diluir riscos e ampliar o impacto. Nesse contexto, o papel das plataformas multilaterais tem sido decisivo. A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) lidera dois programas estratégicos: a Climate Investment Platform (CIP) e o Energy Transition Accelerator Financing Platform (ETAF) . Ambas atuam como pontes entre projetos e capital, ajudando a conectar desenvolvedores locais a fundos internacionais, com foco especial em países da África, América Latina e Sudeste Asiático. Essas plataformas não apenas mobilizam capital, mas também formam um pipeline global de projetos renováveis prontos para investimento um passo essencial para garantir que a transição energética avance de forma justa e equilibrada. A urgência de um novo modelo A década até 2030 será decisiva. O desafio não é mais provar que a transição energética é necessária, mas garantir que ela aconteça onde mais importa. Facilitar projetos é, portanto, mais do que uma questão técnica é uma estratégia para democratizar o acesso ao financiamento climático e garantir que o desenvolvimento sustentável não seja privilégio de poucos. Facilitar para Financiar: A Nova Chave para Destravar o Investimento Climático Global
- Como tornar a eficiência energética amigável ao usuário e tangível aos resultados?
Por Glauber Cavalcante Diretor de gestão e inteligência energética na EMANA Energy, com ampla atuação em projetos de eficiência energética, com Benchmark de 12%, voltados à redução de consumo de energia com investimento inicial zero. É doutorando e mestre em Eficiência Energética (Lean Energy) pela Universidade Federal do Ceará (UFC), engenheiro eletricista (UFC) e possui certificação Green Belt Lean Six Sigma. Como tornar a eficiência energética amigável ao usuário e tangível aos resultados? Em um cenário em que a transição para a sustentabilidade deixa de ser apenas uma meta corporativa para se tornar um imperativo de mercado e de cidadania, a eficiência energética assume um papel central. Contudo, para além dos painéis, medidores e relatórios técnicos, persiste um desafio: como fazer com que a eficiência energética seja amigável (‘entendível’) ao usuário seja ele gestor, colaborador ou consumidor final e, ao mesmo tempo, tangível e mensurável nos resultados, traduzindo-se em redução de consumo, custos e impactos ambientais? Um exemplo simbólico dessa dificuldade está na própria fatura de energia elétrica. Trata-se de um documento essencial, mas altamente técnico, repleto de termos e códigos pouco intuitivos, que dificultam a compreensão do consumo de energia elétrica e das oportunidades de economia. Para a maioria dos consumidores, a fatura não é nem amigável e nem tangível apresenta dados, mas não traduz significado. Uma fatura redesenhada sob o olhar da eficiência energética e do usuário poderia destacar indicadores de desempenho, metas alcançadas, emissões evitadas e até comparativos históricos em linguagem visual simples e acessível. A resposta a essa questão pode ser encontrada na integração de três eixos o design humano, a medição visual e a cultura de ação que, juntos, consolidam uma nova articulação de pensar e vivenciar a eficiência energética sob a ótica do ESG: o “E” representando a economia de energia e a redução de emissões de CO₂, o “S” traduzido em treinamento e engajamento de pessoas, e o “G” incorporando a eficiência energética ao compliance e à governança corporativa das organizações. 1. Design humano: tornar a eficiência acessível Quando se fala em eficiência energética, o discurso ainda é dominado por termos técnicos como kWh, fator de potência, demanda, dimerização e termografia. No entanto, para que a eficiência seja realmente amigável, é preciso traduzi-la para uma linguagem menos técnica e mais humana. Isso significa transformar dados em experiências compreensíveis, com interfaces que utilizem imagens, cores e alertas simples, permitindo ao usuário entender de forma imediata o que está acontecendo. Um painel digital que exibe “economia equivalente a X árvores preservadas” ou “X% de redução na conta de energia” comunica muito mais do que um número frio como “ –120 kWh ”. O usuário final não precisa dominar a física por trás de uma lâmpada LED, de um inversor solar ou de um motor elétrico ele precisa perceber o resultado: menos calor no corredor, a luz mais uniforme, o ambiente mais silencioso. A usabilidade é um fator decisivo nesse processo; analogias simples, dashboards amigáveis em dispositivos móveis e alertas por aplicativo ou SMS para manutenção preventiva fazem diferença na forma como o usuário interage com a eficiência. Quanto mais curto for o caminho entre o problema e a ação, maior será o engajamento. Em essência, trata-se de tornar a eficiência empática colocar o usuário no centro, utilizando uma linguagem clara, interfaces intuitivas e resultados que façam sentido no cotidiano de quem vive a energia na prática. Esse princípio dialoga diretamente com o “S” do ESG, ao promover uma cultura de aprendizado e inclusão energética. 2. Medição visual: tornar os resultados tangíveis Ser “amigável” sem ser “visível” pode parecer esteticamente agradável, mas não produz transformação real. Para que a eficiência energética seja verdadeiramente tangível, ela precisa gerar evidências mensuráveis e visualmente compreensíveis. O monitoramento em tempo real, aliado a comparativos claros entre o consumo antes e depois das ações implementadas, permite que o usuário perceba de forma concreta o impacto das mudanças. A conversão de indicadores técnicos em métricas mais próximas da realidade cotidiana como “economia equivalente a 30 litros de diesel”, “X toneladas de CO₂ evitadas” ou “x% de redução no consumo de iluminação” torna os resultados palpáveis. Da mesma forma, relatórios visuais e narrativas ilustradas, com fotos, gráficos simples e histórias de transformação, comunicam muito mais do que tabelas e números isolados. O feedback imediato também é essencial: alertas do tipo “você economizou hoje” ou “meta atingida” mantêm o usuário engajado e consciente de sua contribuição. Quando a pessoa consegue enxergar que realmente economizou, que a iluminação agora consome metade ou que o ambiente está mais confortável e a conta de energia caiu 15%, a eficiência deixa de ser uma promessa abstrata e se torna realidade. Esses indicadores reforçam o “E” do ESG, pois traduzem o compromisso com a eficiência e a descarbonização em resultados mensuráveis, auditáveis e transparentes. 3. Cultura de ação: integrar, comunicar, valorizar Mesmo com um bom design e sistemas de medição eficientes, sem uma cultura de eficiência seja ela interna ou externa o impacto tende a se diluir com o tempo. Para que a eficiência energética seja verdadeiramente incorporada, é essencial cultivar três pilares: informação, comportamento e reconhecimento. A informação educativa tem papel fundamental nesse processo, por meio de treinamentos, vídeos curtos e workshops que expliquem o “porquê” das ações, seus impactos e as formas pelas quais cada pessoa pode contribuir. O comportamento ativo é outro ponto-chave, envolvendo equipes como agentes de transformação, e não apenas como espectadores. Isso pode se traduzir em práticas simples, como monitorar o consumo de equipamentos, sugerir desligamentos estratégicos ou registrar melhorias observadas. Já o reconhecimento e a gamificação ajudam a manter o engajamento e o entusiasmo, com iniciativas como premiações, rankings de economia entre setores, murais de conquistas e campanhas internas que celebram resultados. Quando o usuário se sente parte do processo, a mudança deixa de ser uma obrigação e passa a ser um valor compartilhado. Integrar a eficiência energética à identidade organizacional ou residencial e não a tratar apenas como um projeto técnico é o que diferencia uma instituição que simplesmente “tem” eficiência daquela que realmente “vive” a eficiência. Essa integração representa o fortalecimento do “S” (treinamento e engajamento) e do “G” (gestão e governança), consolidando a eficiência energética como pilar estratégico da cultura organizacional. Convergência: do técnico ao humano A eficiência energética não deve ser vista apenas como um item técnico de uma agenda corporativa, mas estrategicamente posicionada como uma experiência humana e valor mensurável, capaz de transformar a forma como nos relacionamos com a energia. Quando associada ao ESG, a eficiência passa a ser um indicador transversal: gera valor ambiental (E), social (S) e de governança (G), fortalecendo o propósito de organizações comprometidas com o futuro. O verdadeiro diferencial está na combinação equilibrada entre técnica, comunicação e mensuração. Quando a eficiência energética se torna amigável ao usuário acessível, compreensível e aplicável e, ao mesmo tempo, tangível visível, mensurável e reconhecida o discurso se converte em impacto real. É nesse ponto que ela deixa de ser uma meta abstrata e passa a fazer parte da cultura das pessoas e das organizações. Convida-se gestores, empreendedores, engenheiros, educadores e criadores de conteúdo a refletirem: como estamos contando a história da eficiência energética? Será que o usuário se enxerga como parte dela? Os resultados são claros, valorizados e comunicados de forma envolvente? Mais do que economizar energia, trata-se de gerar valor humano, perceptível e sustentável. Se quisermos de fato cumprir nosso papel como agentes da mudança, precisamos transformar a eficiência energética em algo que todos possam tocar, sentir e compreender. Ao integrar os princípios de ESG à eficiência energética, unimos técnica, cultura e propósito e transformamos energia em valor, impacto e legado. Como tornar a eficiência energética amigável ao usuário e tangível aos resultados?
- Grandes geradoras rompem com a Absolar e articulam nova representação no setor fotovoltaico
Empresas responsáveis por mais de um terço da geração solar centralizada no Brasil deixam a Absolar e buscam uma entidade com pautas mais alinhadas aos desafios das grandes usinas. Grandes geradoras rompem com a Absolar e articulam nova representação no setor fotovoltaico Um grupo que reúne algumas das maiores companhias de geração solar centralizada do país anunciou sua saída da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), em um movimento que pode redesenhar a representação institucional do setor no Brasil. Juntas, essas empresas respondem por aproximadamente 37% da capacidade instalada nacional nessa modalidade de geração. A decisão, segundo apuração do EnergyChannel , reflete uma crescente divergência sobre prioridades estratégicas e regulatórias dentro da associação. Enquanto a Absolar mantém forte atuação em defesa da geração distribuída o segmento de telhados solares e pequenos sistemas as grandes geradoras argumentam que suas demandas específicas têm recebido menos atenção , especialmente diante de discussões sobre expansão da infraestrutura de transmissão, formação de preços e acesso a mercados de energia de longo prazo . Fontes próximas ao grupo afirmam que as empresas estão avaliando a criação de uma nova entidade voltada exclusivamente à representação dos interesses da geração solar em escala de usina , com foco em pautas regulatórias, competitividade e integração com outras fontes renováveis no mercado livre. “A maturidade do setor solar exige uma estrutura de representação mais segmentada. As grandes geradoras enfrentam desafios diferentes dos players de geração distribuída”, afirmou um executivo do setor sob reserva. A saída ocorre em um momento decisivo para a energia solar centralizada no Brasil, que ultrapassou a marca de 16 GW de capacidade instalada e vem consolidando sua participação na matriz elétrica. O movimento também coincide com mudanças estruturais no modelo de comercialização de energia , incluindo o avanço da portabilidade da conta de luz e o crescimento de contratos corporativos de longo prazo (PPAs). A Absolar, por sua vez, segue como uma das principais entidades do setor de energia renovável no país. Em nota enviada à imprensa, a associação destacou que mantém diálogo aberto com todos os segmentos da cadeia solar e reafirmou seu compromisso com a unificação da voz do setor fotovoltaico diante dos desafios regulatórios e de mercado. Mesmo com o rompimento, representantes do mercado avaliam que a movimentação pode fortalecer o ecossistema solar brasileiro , ampliando o debate sobre políticas públicas e marcos regulatórios adaptados às diferentes realidades do setor. Grandes geradoras rompem com a Absolar e articulam nova representação no setor fotovoltaico
- ONS propõe estratégia para viabilizar 3 GW de hidrogênio verde no Nordeste
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou uma solução inovadora ao Ministério de Minas e Energia (MME) para antecipar a capacidade da rede de transmissão e viabilizar a instalação de até 3 gigawatts (GW) em projetos de hidrogênio verde nos estados do Ceará e Piauí . ONS propõe estratégia para viabilizar 3 GW de hidrogênio verde no Nordeste A proposta busca agilizar a conexão de novas cargas ao sistema elétrico, abrindo caminho para que plantas de energia renovável dedicadas à produção de hidrogênio verde possam ser integradas de forma segura e eficiente. Segundo o ONS, a estratégia envolve ajustes técnicos na operação das linhas de transmissão e na gestão da demanda, permitindo a antecipação de espaço sem comprometer a estabilidade do sistema. Especialistas destacam que essa iniciativa é um passo importante para acelerar a expansão do hidrogênio verde no Brasil , potencializando o desenvolvimento de projetos industriais e atraindo investimentos privados. Ceará e Piauí vêm se consolidando como polos estratégicos para essa tecnologia devido à abundância de energia solar e eólica na região. O MME avalia a proposta do ONS como parte de um esforço mais amplo para integrar novas fontes renováveis ao sistema elétrico brasileiro, alinhando-se aos compromissos do país com a transição energética e a redução de emissões de carbono . Analistas do setor apontam que a implementação dessa medida pode tornar o Nordeste um dos líderes nacionais na produção de hidrogênio verde, criando oportunidades de emprego, inovação tecnológica e exportação de energia limpa. Com a proposta em andamento, o Brasil dá mais um passo concreto rumo à diversificação da matriz energética e à consolidação de sua posição no mercado global de hidrogênio verde. ONS propõe estratégia para viabilizar 3 GW de hidrogênio verde no Nordeste
- Congresso acelera debates sobre MP 1304 e futuro do gás da União
A Comissão Mista que analisa a Medida Provisória 1304/2025 se reúne nesta terça-feira (28/10) para iniciar a discussão do relatório final do senador Eduardo Braga (MDB/AM), em um momento crítico: a MP perde validade em 7 de novembro caso não seja convertida em lei. O foco das atenções vai além da reforma do setor elétrico, abrangendo também os contornos do leilão do gás da União. Congresso acelera debates sobre MP 1304 e futuro do gás da União Nos últimos dias, Braga sinalizou que pretende ampliar os trechos relacionados ao setor de gás natural, reforçando a destinação do gás da União como matéria-prima estratégica para fertilizantes – tema que ainda está sob avaliação do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), mas não constava no texto original da MP. O leilão do gás da União virou ponto de disputa política e econômica. A MP chegou a contemplar um acordo com a Petrobras sobre regulação das tarifas de acesso às infraestruturas de escoamento e processamento do gás, mas divergências internas da estatal e de seus parceiros bloquearam o avanço do modelo junto ao CNPE. O Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase) manifestou-se contrariamente à inclusão do tema gás na MP, defendendo que o debate se concentre em pautas do setor elétrico, como a ampliação do mercado livre para consumidores de baixa tensão e a criação do teto para a Conta de Desenvolvimento Econômico (CDE). Ainda assim, há posições divergentes dentro do próprio Fase. A Abrace, representante de grandes clientes industriais, apoia o leilão do gás, mas com ajustes, incluindo a retirada da Petrobras como intermediária e maior autonomia do CNPE na definição de tarifas. Outro ponto em debate é o futuro das contratações de térmicas a gás, originalmente previstas na lei de privatização da Eletrobras. O Ministério da Fazenda defende que novas contratações sejam subordinadas ao planejamento técnico e econômico do CNPE, medida que conta com apoio de parlamentares e de entidades de defesa dos consumidores de energia. Enquanto a política nacional se movimenta, o mercado de petróleo reage a fatores globais. Na segunda-feira (27/10), o Brent para janeiro caiu 0,46%, para US$ 64,90 o barril, influenciado pela expectativa sobre a reunião do Federal Reserve e o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. No campo da inovação energética, o Brasil se prepara para lançar em novembro o decreto de regulamentação da captura e estocagem de carbono (CCS) e possivelmente o programa de incentivos a combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Segundo Renato Dutra, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, a iniciativa precisa alinhar-se a normas internacionais para garantir eficiência e segurança regulatória. A Petrobras estuda implantar um hub de CCS na Bacia do Paraná, com armazenamento em aquíferos salinos onshore, atendendo refinarias e usinas de etanol. Paralelamente, empresas privadas começam a avaliar investimentos em biometano e expansão do gás em transportes, reforçando a necessidade de planejamento integrado entre os setores elétrico e de gás. No setor termelétrico, a Âmbar Energia adquiriu três unidades no Acre, totalizando 69,4 MW, enquanto estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) indica redução de 42% nos subsídios ao petróleo, gás e carvão em 2024, embora o incentivo a renováveis continue proporcionalmente significativo. O cenário revela que a MP 1304 não é apenas uma pauta legislativa: é o epicentro de debates estratégicos sobre gás, energia elétrica e transição energética, em um momento em que decisões políticas e econômicas podem definir o futuro do setor nos próximos anos. Congresso acelera debates sobre MP 1304 e futuro do gás da União
- Faturamento de empresa de brasileira de energia solar cresce 300% ao ano
A expectativa da SolaX Power é quintuplicar o faturamento no país em 2026 Faturamento de empresa de brasileira de energia solar cresce 300% ao ano Simone CesárioAssessoria de Imprensa da SolaX Power O setor de armazenamento de energia no Brasil aguarda ansiosamente pelas definições relacionadas à regulamentação do setor e o leilão de baterias, já que isso deve impulsionar ainda mais o mercado. Porém, mesmo sem a concretização desses importantes marcos, a SolaX Power tem consolidado seu negócio no país. Desde o início da operação brasileira, em 2022, a empresa registra um crescimento anual no faturamento em torno de 300%, com projeção de quintuplicar esses números no Brasil em 2026. "Com uma equipe especializada, que soma mais de 13 anos de experiência no mercado de energia solar brasileiro, a SolaX se posiciona como uma das maiores fabricantes mundiais de soluções para armazenamento de energia. Depois de percorrer todo o Brasil com capacitações gratuitas para disseminar conhecimento técnico e de mercado sobre inversores híbridos e sistemas de armazenamento, assunto ainda novo para muitos profissionais do setor, contabiliza mais de 2.000 integradores solares capacitados em todas as regiões brasileiras", explica o diretor-executivo da SolaX Power no Brasil, Gilberto Camargos. E o executivo completa: “O Brasil é considerado mercado-chave para a SolaX, inclusive com ampliação da equipe técnica que atua no país para garantir a excelência no atendimento a nossos clientes. Esses números positivos que a empresa têm alcançado refletem um cenário que envolve a inversão de fluxo, a expectativa pela realização do leilão de baterias e os recorrentes apagões pelo país. Tudo isso motiva as pessoas a buscarem soluções eficientes para garantir sua segurança energética e, hoje, as baterias se configuram como a opção número 1 para atender de maneira eficaz a todos esses cenários”. Vale destacar que os números da SolaX no Brasil são reflexo dos investimentos globais que entregam ao mercado tecnologias inovadoras e eficientes. Consolidada como líder global no segmento de armazenamento de energia, a empresa, com faturamento de anual U$ 800 milhões e presente em 80 países, anunciou em 2024 a expansão da área de P&D global. Um investimento de 1,49 bilhão de dólares será destinado à construção uma unidade de pesquisa e fábrica de ponta na província de Zhejiang, projeto voltado ao armazenamento de energia e sistemas de energia inteligentes. Sobre a SolaX Power - Fundada em 2012, a SolaX Power é consolidada como uma das principais fornecedoras globais de soluções solares e de armazenamento. Sendo uma empresa de capital aberto na Bolsa de Valores de Xangai e uma das fabricantes pioneiras de inversores híbridos na Ásia, a SolaX Power caminha hoje para a sua quinta geração de inversores híbridos. Com mais de 3.000 funcionários em todo o mundo, 100 patentes globais e mais de 1.100 certificações de mercado, a empresa reforça sua posição como líder no setor. Faturamento de empresa de brasileira de energia solar cresce 300% ao ano
- O Momento Mais Importante da História do Setor Elétrico – E não é um debate sobre riquezas e privilégios. MP 1.304 e suas narrativas.
Por Renato Zimmermann A geração distribuída (GD) representa uma revolução silenciosa no setor elétrico: casas, escolas, hospitais, propriedades rurais e até comunidades isoladas passam de consumidoras a produtoras de energia. O Momento Mais Importante da História do Setor Elétrico – E não é um debate sobre riquezas e privilégios. MP 1.304 e suas narrativas. Painéis solares, pequenas turbinas, baterias de armazenamento e sensores inteligentes conectados à rede transformam telhados em usinas, dados em inteligência, e consumo em autonomia. No entanto, um ataque sorrateiro a esse modelo vem se consolidando no Brasil, sustentado por uma narrativa falsa a de que gerar energia é coisa de rico, e que o pobre “acabará pagando a conta”. Essa narrativa foi habilmente construída para manter os interesses dos grandes impérios financeiros do setor elétrico. Se qualquer brasileiro poderia instalar painéis, gerar sua própria energia e reduzir sua dependência da rede centralizada, o poder das distribuidoras e geradoras ficaria ameaçado. A GD democratiza energia e é disruptivo ao modelo tradicional, e isso gera pânico entre os que lucram com o controle de redes, tarifas e histórias públicas de “subsídios ocultos”. O verdadeiro objetivo dessa narrativa anti‑GD é claro: manter o cidadão dependente de um sistema elétrico centralizado, controlado por poucos, lentificado por subsídios opacos e vulnerável a apagões e crises. A revolução da microrrede, das redes inteligentes e resilientes, do armazenamento, da produção local de energia não interessa a quem lucra com crise energética. Precisamos defender que o modelo seja multipolar milhões de pequenas usinas em telhados, propriedades rurais, cooperativas e não monolítico. Se perdermos essa chance, o Brasil seguirá refém: altas tarifas, baixa participação, desempoderamento energético e atraso tecnológico. A geração distribuída representa justiça social, transparência, resiliência e inovação. Em resumo: este não é debate sobre riquezas ou privilégios é sobre a liberdade de produzir a própria energia, é sobre inclusive acesso, é sobre equidade. O momento exige a voz de todos não só dos poderosos. A geração distribuída é o futuro. E devemos lutar para que seja uma realidade para todos, não apenas para alguns. Vamos olhar para a Medida Provisória 1.304 que sorrateiramente poderá acabar com este futuro energético justo, descarbonizado e democratizado. Renato Zimmermann – Desenvolvedor de Negócios Sustentáveis e Ativista da Transição Energética O Momento Mais Importante da História do Setor Elétrico – E não é um debate sobre riquezas e privilégios. MP 1.304 e suas narrativas.
- Saneamento básico como agenda climática: onde o Brasil se posiciona na COP30
Por Engº Francisco Carlos Oliver Saneamento básico como agenda climática: onde o Brasil se posiciona na COP30 A realização da Cop 30 em Belém se aproxima e milhões de olhares do planeta se voltarão ao Brasil. Muitos novos direcionamentos sobre as mudanças climáticas poderão surgir a partir daquilo que for discutido e o Brasil como grande protagonista ambiental terá que propor. No contexto desse grande evento o saneamento básico (água, esgoto, drenagem, etc.) vai ser visto como parte especial da agenda climática no Brasil. Será um momento crucial entre ideias e efetivamente como levá-las a ações práticas. É importante também refletir que o saneamento é extremamente vulnerável aos impactos das mudanças climáticas e tem sido vitimado pelas chuvas intensas, secas prolongadas, e mudanças que complicam a disponibilidade de água como também a drenagem e o tratamento. Esta oportunidade singular em Belém (PA) será um grande momento para assegurar que o saneamento básico seja uma pauta fundamental na adaptação climática, com a exposição das suas diretrizes específicas. Nesse cenário grandioso, é esperada a participação de diversos protagonistas, com destaque na esfera do saneamento para ministérios, empresas públicas, empresas privadas e sociedade civil, que são primordiais para ajudar a construir a base de um futuro seguro. Na Cop 30 será indispensável a análise de obras indispensáveis e urgentes, como serão realizadas as mobilizações do capital humano, as participações nos fóruns preparatórios, e de que forma consolidar e viabilizar o resultado dos debates e sair da ideação, além da produção de plataformas de gestão e suporte. Aproveitando o assunto, por sinal, está online a plataforma colaborativa ‘ Todos pelo Saneamento ’ – construindo um legado na Cop 30 – que conecta o saneamento à agenda climática global ( https://todospelosaneamento.abes-dn.org.br/ ). A iniciativa da ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária – tem a finalidade de articular entidades públicas, privadas e sociedade civil para consolidar propostas sobre água, esgoto e clima para a COP. No âmbito da interação pública há eventos convidativos e muito proveitosos. Serão estabelecidos na Cop 30 espaços de intercâmbios como a ‘Casa do Saneamento’ para discussões temáticas, e que durante a realização do evento vai servir como um fórum de discussão, onde se debaterão temas como a universalização do saneamento e a segurança hídrica. No entanto, não se pode conquistar grandes feitos para o saneamento brasileiro se não houver investimentos de peso do saneamento também na agenda climática. Ele concretamente pode contribuir muito na redução de enchentes e na contaminação da água, e principalmente contrapor a incidência e agravamento de doenças crônicas, entre outras, como diarreia e leptospirose. É notório neste momento, que há deficiências no saneamento no Brasil como a baixa cobertura em muitos locais e também o monitoramento inadequado. Há necessidade, por isso, do fortalecimento da infraestrutura e elevar a interação entre os numerosos órgãos governamentais. Sabemos que quantidade de redes de saneamento ou de tratamento de água é insuficiente e está longe do ideal, e isso particularmente em regiões vulneráveis, zonas rurais, comunidades indígenas, e outras localidades ainda desassistidas. Vale destacar também que a coleta de esgoto, por exemplo, alcança neste momento apenas cerca de 60% de todo o País. É evidente que existe uma ampla desigualdade regional. As regiões Norte e Nordeste continuam sofrendo com expressivos déficits em saneamento. Essa situação acena consequentemente que é preciso metas climáticas que considerem seriamente as diferenças regionais e sociodemográficas. No contexto da adaptação climática, é preciso portanto deixar mais claro ainda como devem ser os indicadores, o monitoramento e a responsabilidade dos projetos em saneamento no Brasil. Existem diversas iniciativas locais e pontuais, que nem sempre estão inclusas na estratégia federal do saneamento, mas que também estão alinhadas solidamente ao aspecto do clima. Elas efetivamente contribuem na diminuição dos episódios negativos das mudanças climáticas em nosso território nacional. Especialistas em políticas de saneamento no Brasil entendem que para as metas se tornarem partes integrantes da agenda climática, ou seja, com uma interface ‘adaptação/clima’ compreensível, é primordial fazer uma integração das mudanças do clima com indicadores como risco climático, resiliência e outros aspectos relevantes aos planos setoriais climáticos nacionais. Durante a COP30, a imprensa já divulgou que a Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento) lançará um relatório com diretrizes para como o setor lidar com mudanças climáticas. O conteúdo terá recomendações concretas adaptadas às realidades locais. Será uma ótima oportunidade de aproveitar esse megaevento para dar início, por exemplo, a ampliação da cobertura de esgoto, universalizar acesso à água tratada, e planejar saneamento climático-resiliente a intempéries. E todas essas ações com metas, prazos e, pelo menos, recursos pré-estabelecidos. No foco dos compromissos climáticos, em relação ao saneamento e clima, a gestão da água ocupa possivelmente o primeiro lugar. O governo federal, por exemplo, considera a ‘água’ como componente central da adaptação climática. Ele já anunciou o aporte de R$ 811,5 bilhões para questões climáticas, e entre as quais a segurança hídrica tem a maior atenção. Nossa impressão é que o saneamento básico terá um lugar de destaque como parte da adaptação climática, e não será apenas um tema de infraestrutura ou saúde simplesmente. Ele vai ser apresentado como um elemento sobretudo de resiliência climática para os participantes brasileiros e de todo o planeta. O governo brasileiro deve aproveitar a Cop 30 para apresentar os esforços realizados e compromissos trabalhados nesta área até aqui. Será uma conferência global para expor soluções realizáveis e também para articular e negociar propostas, projetos e iniciativas. Os representantes de municípios e estados brasileiros poderão, por seu lado, apresentar seus posicionamentos, dificuldades e soluções. Já os convidados estrangeiros, como aqueles participantes de delegações oficiais e credenciados, deverão debater metas globais de descarbonização e outras questões climáticas. Devem participar ainda de debates e demais eventos ligados ao clima, apresentando suas demandas e perspectivas para a liderança da COP30. Vai ser sobretudo também uma grande celebração da humanidade e de sua existência, e notadamente um tributo ao planeta Terra. Engº Francisco Carlos Oliver é diretor técnico industrial da Fluid Feeder Indústria e Comércio Ltda., especializada em tratamento de água e de efluentes por meio de soluções personalizadas. www.fluidfeeder.com.br Saneamento básico como agenda climática: onde o Brasil se posiciona na COP30
- Irlanda aposta em construção sustentável com chegada das primeiras escavadeiras elétricas Develon
O Conselho do Condado de Fingal, região estratégica ao norte de Dublin, deu um passo importante rumo à modernização e sustentabilidade da infraestrutura local com a chegada das duas primeiras escavadeiras elétricas Develon DX20ZE-7. Irlanda aposta em construção sustentável com chegada das primeiras escavadeiras elétricas Develon Os equipamentos, entregues pela revendedora oficial EMS Machinery, marcam a estreia da produção em massa de miniescavadeiras elétricas da empresa sul-coreana, antiga Doosan Construction Equipment. Compacta, silenciosa e livre de emissões, a DX20ZE-7 foi projetada especialmente para operações urbanas e residenciais, onde a proximidade com trabalhadores e moradores exige baixo impacto ambiental. Segundo Seamus Flynn, Diretor de Vendas da EMS Machinery, “máquinas como a DX20ZE-7 oferecem vantagens claras sobre modelos a diesel, combinando desempenho avançado com operação limpa e silenciosa”. A escavadeira elétrica pesa cerca de 1,94 tonelada e possui bateria de íons de lítio de 20,4 kWh, capaz de alimentar um motor de 13,7 kW (18,4 cv). Com sistema de carregamento rápido, a DX20ZE-7 recupera 80% da carga em pouco mais de uma hora, enquanto o carregador de bordo completa a carga total em oito horas. A máquina oferece ainda profundidade máxima de escavação de 2,35 metros e alcance de quase 3,9 metros, com altura máxima de carga de 2,63 metros. Um diferencial da DX20ZE-7 são as esteiras retráteis, que permitem a passagem por corredores estreitos e locais confinados, sendo ideal para obras internas, demolições e projetos urbanos de infraestrutura. Ao atingir a área de trabalho, o operador pode expandir as esteiras, garantindo maior estabilidade e capacidade de elevação. Além da eficiência operacional, a escavadeira vem equipada com pacote telemático que possibilita monitoramento remoto da localização, produtividade e integridade do equipamento, prevenindo furtos e antecipando necessidades de manutenção. Para Flynn, a adoção das miniescavadeiras elétricas no Condado de Fingal é um marco para a construção irlandesa: “A parceria entre EMS Machinery e Develon reforça nosso compromisso com um setor mais sustentável, ajudando clientes e órgãos públicos a construir um futuro mais verde e eficiente”. Irlanda aposta em construção sustentável com chegada das primeiras escavadeiras elétricas Develon
- Investimento bilionário em fábrica solar na Suécia enfrenta sinais de alerta
O ambicioso projeto da Nordcell Group AB de instalar a fábrica GIGA ONE, com capacidade anual de 1,2 GW em painéis solares na Suécia, enfrenta incertezas crescentes. Investimento bilionário em fábrica solar na Suécia enfrenta sinais de alerta Fontes do setor indicam que a iniciativa pode ter sido colocada em pausa devido a dificuldades de financiamento e a um cenário de mercado mais desafiador para a energia solar na Europa. A GIGA ONE foi anunciada como uma das maiores fábricas de células solares da região nórdica, com expectativa de gerar milhares de empregos e fortalecer a cadeia de suprimentos local. Entretanto, especialistas do setor afirmam que a volatilidade nos custos de matérias-primas e o aperto no crédito para projetos de energia renovável podem estar impactando a viabilidade financeira da instalação. Apesar disso, representantes da Nordcell ainda não confirmaram oficialmente qualquer suspensão do projeto. Analistas observam que, mesmo em um mercado solar competitivo, a Europa continua atraente para investimentos em tecnologia limpa, mas somente para empresas capazes de alinhar inovação, custos e financiamento robusto. A situação da GIGA ONE ilustra os desafios enfrentados por fabricantes de painéis solares em meio a um contexto econômico global mais restritivo, onde a promessa de energia limpa precisa equilibrar ambição industrial e viabilidade financeira. Investimento bilionário em fábrica solar na Suécia enfrenta sinais de alerta











