Sem inclusão digital, não há cidadania financeira nem transição energética
- Renato Zimmermann

- 4 de mai.
- 2 min de leitura
Os três relatórios analisados, Relatório de Cidadania Financeira 2025 (Banco Central), TIC Domicílios 2025 (Cetic.br) e a notícia do IBGE sobre 20,5 milhões de brasileiros fora da internet revelam uma tensão central: o processo de decisão sobre políticas públicas e investimentos precisa considerar que a digitalização não é universal.

Banco Central: 96,4% dos adultos têm conta bancária, mas ainda há 21 milhões de inativos no sistema financeiro. O Pix foi vetor de inclusão, mas o superendividamento e a vulnerabilidade digital persistem.
Cetic.br: 28 milhões de pessoas não usam internet, concentradas em áreas rurais, classes D/E e idosos. A desigualdade digital é estrutural.
IBGE: confirma que milhões seguem desconectados, reforçando que inclusão digital é pré-condição para cidadania financeira e energética.
Conexão entre finanças e energia
Como desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética, vejo um ponto crucial: a decisão sobre o futuro energético do Brasil não pode ignorar a exclusão digital.
Geração distribuída e redes inteligentes dependem de consumidores conectados, capazes de monitorar consumo, gerar energia e participar de mercados locais.
Recursos energéticos distribuídos (REDs) exigem plataformas digitais para integração e gestão. Sem internet, comunidades ficam fora da transição.
Inclusão financeira e digital são irmãs siamesas da inclusão energética. Quem não acessa Pix ou Open Finance dificilmente acessará plataformas de compensação de energia ou tarifas dinâmicas.
O processo de decisão: o que está em jogo
O Brasil precisa decidir se continuará tratando inclusão digital como acessório ou se a colocará no centro da estratégia de desenvolvimento.
Decisão política: investir em infraestrutura de conectividade rural e periférica.
Decisão regulatória: integrar políticas de cidadania financeira e energética, reconhecendo que ambas dependem de acesso digital.
Decisão empresarial: criar modelos de negócios que incluam os desconectados, seja por soluções híbridas (offline/online), seja por cooperativas digitais de energia.
O risco da exclusão
Ignorar os 20 milhões desconectados é condenar parte da população a uma dupla exclusão: financeira e energética. Isso significa:
Menor acesso a crédito para financiar painéis solares ou baterias.
Impossibilidade de participar de comunidades de energia.
Vulnerabilidade maior diante da transição energética, que será digital ou não será.
Decisão é inclusão
O processo de decisão sobre cidadania financeira e transição energética precisa ser inclusivo por design. Não basta celebrar o avanço do Pix ou da digitalização bancária se milhões seguem fora da rede. O mesmo vale para a energia: não basta instalar painéis solares se o consumidor não pode se conectar à rede inteligente.
Esse é o ponto que deve guiar nossa opinião: a decisão estratégica do Brasil precisa unir finanças, energia e conectividade. Só assim construiremos um país sustentável, justo e verdadeiramente inteligente.
Sem inclusão digital, não há cidadania financeira nem transição energética









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