Estão Estrangulando o Setor Elétrico do Nordeste
- Daniel Lima

- 22 de abr.
- 2 min de leitura
Por Daniel Lima – Economista e Especialista no Setor Energético

O Nordeste está sendo sabotado
O Nordeste é hoje a maior potência de energia limpa do Brasil. Desde 2019, a região exporta vento e sol transformados em eletricidade para o restante do país. Mas essa conquista está sendo estrangulada por negligência e omissão.
A prova da sabotagem
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizou o Painel de Margens para Escoamento de Geração para o ciclo 2027–2031. O resultado é escandaloso: todas as regiões terão aumento de capacidade de escoamento, menos o Nordeste, que ficará com margem zero.
Enquanto o Sudeste triplica sua capacidade, o Sul e o Norte crescem, e até o Centro-Oeste ganha espaço, o Nordeste é simplesmente ignorado. Isso apesar da previsão da matriz elétrica da região crescer 25% nos próximos cinco anos, saltando de 76 GW para 95 GW.
Cortes e desperdício
Na prática, parques eólicos e solares já instalados são obrigados a cortar produção (curtailment), desperdiçando energia limpa e barata. É como plantar e colher, mas deixar a safra apodrecer porque não há estrada para escoar.
Quem são os culpados?
Não há como suavizar:
- O governo federal falhou em priorizar a infraestrutura de transmissão no Nordeste.
- A ANEEL não garantiu leilões de transmissão compatíveis com a expansão da geração.
- O ONS não antecipou gargalos e não apresentou soluções estruturais.
- Os políticos da região por não defender seus eleitores.
O resultado é um estrangulamento deliberado da vocação energética nordestina.
A solução está na mesa
O mais revoltante é que uma única ação já resolveria boa parte do problema:
Implantar sistemas de armazenamento em baterias (BESS) na Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD) e nas subestações sobrecarregadas.
Com isso, seria possível:
- Absorver excedentes de geração eólica e solar.
- Reduzir cortes de energia (curtailment).
- Aliviar gargalos de transmissão sem esperar anos por novas linhas.
- Garantir estabilidade e confiabilidade ao sistema elétrico.
Ou seja: não é falta de tecnologia, não é falta de solução. É falta de vontade política.
Impactos sociais e econômicos
Investidores privados já falam em redirecionar recursos para outras regiões.
Comunidades locais perdem empregos e renda.
O Nordeste não pede favor: exige respeito. A região é o motor da transição energética brasileira. A implantação de BESS é uma solução imediata, barata e eficaz. Ignorá-la é mais do que incompetência: é um crime econômico contra o Nordeste e contra o futuro energético do Brasil.
Precisamos punir os culpados!
Estão Estrangulando o Setor Elétrico do Nordeste









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