Dentro de uma das maiores operações do Brasil: como a Coca-Cola FEMSA Brasil integra escala, tecnologia e sustentabilidade
- EnergyChannel Brasil

- 17 de jun.
- 4 min de leitura
ENTREVISTA ESPECIAL | ENERGYCHANNEL
Por Ricardo Honório
Em um país de dimensões continentais como o Brasil, operar com eficiência em larga escala exige mais do que infraestrutura robusta demanda inteligência operacional, integração tecnológica e uma visão estratégica orientada para o futuro.

Nesta entrevista especial do EnergyChannel, conversamos com Renata Zargolin, Gerente de Meio Ambiente da Coca-Cola FEMSA Brasil, para entender como uma das maiores operações de bebidas do mundo equilibra crescimento, eficiência logística e compromisso ambiental em um cenário de profundas transformações no consumo e na economia.

Escala como desafio e como vantagem competitiva
Com uma operação que alcança aproximadamente 93,9 milhões de pessoas, por meio de cerca de 498 mil pontos de venda, a Coca-Cola FEMSA Brasil construiu uma das estruturas logísticas mais complexas do país. São 11 plantas industriais e 54 centros de distribuição, formando uma rede que precisa operar com precisão quase cirúrgica.
Segundo Renata Zargolin, o grande desafio está na integração:
“Manter uma operação integrada e eficiente, garantindo abastecimento, capilaridade e agilidade em diferentes regiões do país.”
Para sustentar esse nível de operação, a companhia aposta em um tripé estratégico: evolução operacional contínua, proximidade com clientes e expansão de infraestrutura, aliado a um movimento consistente de digitalização e adoção de novas tecnologias.
Logística inteligente: o encontro entre físico e digital
A eficiência logística da companhia não está apenas na dimensão física da operação, mas na forma como ela se conecta ao mundo digital.
A empresa vem estruturando uma cadeia logística que combina ativos físicos estrategicamente posicionados com soluções baseadas em dados e inteligência artificial.
Plataformas como Juntos+ e Juntos+ Advisor são centrais nessa transformação, permitindo análises avançadas que impactam diretamente a execução no ponto de venda e a tomada de decisão comercial.
Além disso, a modernização da frota, incluindo a adoção de caminhões elétricos, reforça não apenas a eficiência, mas também o compromisso com a transição energética.

Energia e descarbonização: metas claras, execução consistente
A agenda energética ocupa hoje um papel central na estratégia da companhia.
Entre os principais compromissos estão:
Uso de 100% de energia renovável
Redução de 50% das emissões de escopos 1 e 2 até 2035 (base 2015)
Na prática, os avanços já são significativos:
100% das plantas de manufatura operam com energia renovável
83% dos centros de distribuição já seguem o mesmo caminho
Essas iniciativas são combinadas com investimentos em eletrificação da frota logística, acelerando o processo de descarbonização das operações.

A transformação “phygital” da operação
Um dos conceitos mais relevantes destacados por Renata Zargolin é a consolidação de uma operação “phygital” a integração entre o físico e o digital.
Nesse modelo, tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser eixo central da operação.
Ferramentas como o Juntos+ Advisor já alcançam mais de 70% da força de vendas no Brasil e no México, ampliando a capacidade analítica e permitindo decisões mais rápidas e assertivas.
Essa transformação impacta diretamente:
eficiência operacional
relacionamento com clientes
evolução do portfólio
Sustentabilidade como modelo de negócio não como discurso
Na Coca-Cola FEMSA Brasil, sustentabilidade não é tratada como uma agenda paralela, mas como parte estrutural do negócio.
A estratégia integra quatro pilares principais:
eficiência hídrica
economia circular
gestão de resíduos
ação climática
Um dos indicadores mais emblemáticos é o uso de água: a empresa já opera com um índice de 1,36 litro de água por litro de bebida produzido, um dos níveis mais eficientes do setor.
A unidade de Jundiaí, a maior do mundo da companhia em volume, recebeu certificação internacional AWS (Alliance for Water Stewardship), reforçando boas práticas em gestão hídrica.
Além disso, projetos como o Olhos da Serra:
preservam 10.235 hectares na Serra do Japi
contribuem para a reposição de cerca de 5 bilhões de litros de água por ano
Na frente de economia circular e clima, os compromissos incluem:
ampliação do uso de resina reciclada em embalagens PET
certificação de zero resíduos em 100% das plantas
avanço na redução de emissões de gases de efeito estufa
O futuro: digital, sustentável e centrado no consumidor
Olhando para os próximos anos, a companhia mantém foco em quatro frentes principais:
fortalecimento da execução comercial
digitalização da operação
evolução contínua do portfólio
avanço em sustentabilidade
Ao mesmo tempo, segue investindo em expansão física novas linhas, armazéns e centros de distribuição enquanto amplia o uso de inteligência artificial para apoiar vendas e melhorar a experiência do consumidor.
Transformação do consumo: um novo mercado em formação
Para a empresa, o mercado brasileiro já vive uma transformação estrutural.
A digitalização, a mudança de hábitos e a busca por conveniência estão redesenhando a dinâmica de consumo.
Nesse cenário, a estratégia é clara: fortalecer a plataforma digital, ampliar o uso de tecnologia e estreitar a relação com clientes posicionando a companhia não apenas como distribuidora de produtos, mas como uma plataforma integrada de negócios e dados.
Conclusão EnergyChannel
A entrevista com Renata Zargolin revela um ponto essencial: escala, por si só, não é vantagem competitiva é responsabilidade operacional.
O diferencial está na capacidade de integrar:
infraestrutura
tecnologia
sustentabilidade
inteligência de dados
A Coca-Cola FEMSA Brasil demonstra que o futuro das grandes operações passa por um modelo híbrido físico e digital, eficiente e sustentável onde cada decisão operacional também é uma decisão energética e ambiental.
E, nesse contexto, a transformação não é mais opcional. É estrutural.
Dentro de uma das maiores operações do Brasil: como a Coca-Cola FEMSA Brasil integra escala, tecnologia e sustentabilidade





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